Ela permeia por muitos braços e entre um ou outro afago recebido pelos acasos que lhe brinda a vida, consegue convencer de que sua graça é a solidão. Parece se esquivar dos afetos com a mesma destreza com que, durante as madrugadas, desliza em silêncio pela porta entreaberta, para escapar para casa antes que o sol nasça. E a casa sem fotografias soa como um aviso para quem a adentra, de que ali não há espaço para partilha, senão da instantaneidade da paixão.
Mas entre o leito e a despedida se guardam amores tão fugazes e legítimos quanto descreveria Vinícius. São amores tão intensos que se vão depressa, mas que lá, do lado de dentro, jamais a abandonam. Ao contrário, permanecem e se manifestam delicadamente em momentos breves de deleites eternos.
Estão todos em presença constante nos hábitos e nas paixões que hoje são tão dela que ninguém suspeita que lhe foram dadas de presente. Já não se pode separar o que é ela e o que é o outro nos vestígios dos amores que compõem sua estrutura, e não raramente ela se percebe sorrindo grata pela felicidade ter ganhado parte daquilo que eles lhes havia de belo.
Dentro da armadura impenetrável que ela jura que construiu, os amores dos seus muitos amores a tocaram com singeleza dispostos a nada levar em troca. E no seu lado de dentro, ganhando muito sem nada dar, foi escondido o segredo maior: um amor do tamanho da efemeridade, mas intenso e resiliente. Cuja expressão é a gratidão infinita, a liberdade e o voo alto - observado, em segredo, através da janela que ela construiu para ter certeza de que chegaram à felicidade.
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novembro 03, 2016
setembro 29, 2016
Port de bras
A bailarina entra em cena inúmeras vezes e, em todas elas, se apodera da atenção do público que esquece suas mazelas enquanto se perde na abstração que resvala delicadamente pelo linóleo, equilibrada nas pontas dos pés.
Sua vida é estar pronta para acalmar os corações alheios com ternura, roubando suas dores para si e concentrando-as nos músculos e nos pés que (e a plateia nem desconfia) se sustentam em alguns centímetros de gesso duro.
Ela é aquilo de intangível, meio fada, meio anjo, que vai alimentar todo um teatro de paixão, até que o último expectador se levante levando para a casa a doçura que, executada com amor incondicional, mascarou um tanto de martírio durante três atos.
Todos os dias.
E em todos eles, um passo mais próximo da perfeição.
Mas toda bailarina um dia tem de pendurar as sapatilhas. O corpo não suporta dançar para sempre.
É preciso descansar aquilo que o público não pode ver. É preciso dar paz à carne, aos ossos, à pele calejada. Desmanchar o sorriso eterno. Ser humana, finalmente.
Ainda que ninguém perceba, seus braços doem exaustivamente durante o adagio final e todos os seus movimentos carregam um tanto mais de sacrifício.
Na última coreografia, enquanto a casa se distrai, ela prende a respiração por mais alguns segundos e encerra a fantasia com o sorriso elegante e os gestos delicados com os quais conduziu toda a encenação: reverence.
Flores.
Cai o pano. Agora pode respirar aliviada.
Fim do espetáculo.
Sua vida é estar pronta para acalmar os corações alheios com ternura, roubando suas dores para si e concentrando-as nos músculos e nos pés que (e a plateia nem desconfia) se sustentam em alguns centímetros de gesso duro.
Ela é aquilo de intangível, meio fada, meio anjo, que vai alimentar todo um teatro de paixão, até que o último expectador se levante levando para a casa a doçura que, executada com amor incondicional, mascarou um tanto de martírio durante três atos.
Todos os dias.
E em todos eles, um passo mais próximo da perfeição.
Mas toda bailarina um dia tem de pendurar as sapatilhas. O corpo não suporta dançar para sempre.
É preciso descansar aquilo que o público não pode ver. É preciso dar paz à carne, aos ossos, à pele calejada. Desmanchar o sorriso eterno. Ser humana, finalmente.
Ainda que ninguém perceba, seus braços doem exaustivamente durante o adagio final e todos os seus movimentos carregam um tanto mais de sacrifício.
Na última coreografia, enquanto a casa se distrai, ela prende a respiração por mais alguns segundos e encerra a fantasia com o sorriso elegante e os gestos delicados com os quais conduziu toda a encenação: reverence.
Flores.
Cai o pano. Agora pode respirar aliviada.
Fim do espetáculo.
agosto 27, 2016
Llegadas y salidas
A arte do encontro - agraciada pelos detalhes incríveis que nos chegam como presentes da vida - foi transformada em música. Os últimos momentos de um sonho puderam ser levados, discreta e lentamente, pelo vento. E se chover demais é por causa da saudade que guardei junto das malas.
Vamos dormir e sorrir em paz agora.
Hasta la vista, Santiago. Gracias por el amor.
Vamos dormir e sorrir em paz agora.
Hasta la vista, Santiago. Gracias por el amor.
maio 27, 2016
Tudo permanece
Um dia parei e percebi o silêncio que havia em mim.
Eco.
E um enorme vão livre.
Senti que faltava alguma coisa.
Algo havia ido embora e já fazia muito tempo. No tempo em que uma mulher adulta começou a morar dentro do meu espelho.
É como se vida começasse a perder o sentido imediatamente depois da adolescência.
Aos poucos foi tudo ficando mais calmo, mais lógico, silencioso, monocromático, estranhamente pacífico. Sobra a sensação de que as sensações sutilizaram, e fica um ser que não sabe mais - e não se lembra - viver à flor da emoção: finalmente sem sofrimento ou desgaste e livre daquela a indomável frustração da missão falha. No lugar, quedam-se as vantagens da escolha de se resguardar até alcançar o estado de não mais amar ou ter paixão.
Eu tive certeza de que crescer era carregar o corpo - curiosamente ainda vivo - em passos comedidos e ponderados atrás das horas em que, por convenção social, devemos estar de pé. E ao fim dessas horas (o resto de dia que é seu) se ocupa de um nada sem ânimo ou ânsia. Amadurecer, descobri, era garantir ao passado tudo o que era possível sentir. E ao presente apenas os olhos abertos.
Mas tropecei em um nó de trilha percorrida e caí de nariz bem em frente ao meu espelho de piso. Há poucos milímetros do que perdi.
Sem querer me vi.
Está tudo lá, exatamente onde deixei. Tudo o que acreditei ter esfarelado e esvoaçado com o sopro do tempo ficou escondido e desbotado no fundo do amontoado de vida que joguei por cima. E agora foi descoberto.
Um monte de alma, vida, sonhos bobos, riso de canto de boca e alucinações para antes de dormir.
Eco.
E um enorme vão livre.
Senti que faltava alguma coisa.
Algo havia ido embora e já fazia muito tempo. No tempo em que uma mulher adulta começou a morar dentro do meu espelho.
É como se vida começasse a perder o sentido imediatamente depois da adolescência.
Aos poucos foi tudo ficando mais calmo, mais lógico, silencioso, monocromático, estranhamente pacífico. Sobra a sensação de que as sensações sutilizaram, e fica um ser que não sabe mais - e não se lembra - viver à flor da emoção: finalmente sem sofrimento ou desgaste e livre daquela a indomável frustração da missão falha. No lugar, quedam-se as vantagens da escolha de se resguardar até alcançar o estado de não mais amar ou ter paixão.
Eu tive certeza de que crescer era carregar o corpo - curiosamente ainda vivo - em passos comedidos e ponderados atrás das horas em que, por convenção social, devemos estar de pé. E ao fim dessas horas (o resto de dia que é seu) se ocupa de um nada sem ânimo ou ânsia. Amadurecer, descobri, era garantir ao passado tudo o que era possível sentir. E ao presente apenas os olhos abertos.
Mas tropecei em um nó de trilha percorrida e caí de nariz bem em frente ao meu espelho de piso. Há poucos milímetros do que perdi.
Sem querer me vi.
Está tudo lá, exatamente onde deixei. Tudo o que acreditei ter esfarelado e esvoaçado com o sopro do tempo ficou escondido e desbotado no fundo do amontoado de vida que joguei por cima. E agora foi descoberto.
Um monte de alma, vida, sonhos bobos, riso de canto de boca e alucinações para antes de dormir.
março 30, 2016
Posse
Você será meu hoje. Somente meu. E conhecerá domínio tão inédito quanto inesperado.
Toda a sua atenção será voltada para a minha permanência, seus olhos observarão apenas minha figura e seus ouvidos se dedicarão exclusivamente para a minha voz.
Te terei em cada célula.
Você me abraçará como se te apavorasse a ideia de perder-me. Vai me espremer entre seus órgãos até nos fundirmos
Eu serei igualmente só sua e comerei seus beijos como se minha boca fosse o único lugar do mundo realmente seguro para você. Todo o meu afeto será dado às suas vontades e meu corpo será seu casulo.
Então seremos nós nossos até a exaustão. E haverá momentos em que não distinguiremos suor de lágrimas: seremos apenas sal. Na eternidade do minuto.
E amanhã seremos outros. De outros.
Distantes e plenos.
Toda a sua atenção será voltada para a minha permanência, seus olhos observarão apenas minha figura e seus ouvidos se dedicarão exclusivamente para a minha voz.
Te terei em cada célula.
Você me abraçará como se te apavorasse a ideia de perder-me. Vai me espremer entre seus órgãos até nos fundirmos
Eu serei igualmente só sua e comerei seus beijos como se minha boca fosse o único lugar do mundo realmente seguro para você. Todo o meu afeto será dado às suas vontades e meu corpo será seu casulo.
Então seremos nós nossos até a exaustão. E haverá momentos em que não distinguiremos suor de lágrimas: seremos apenas sal. Na eternidade do minuto.
E amanhã seremos outros. De outros.
Distantes e plenos.
fevereiro 16, 2016
Sobre as horas em que o medo de amar vai embora
É quando dá vontade de pedir desculpas por todo amor que eu não dei e fiz questão de deixar esquecido, bem fora do alcance, para que ninguém pudesse ver. Lamentar terminantemente por deixar tantas almas irem embora sem nem ter tido um toque de doçura que eu bem sei que sempre tive pronto e implorar por perdão por não ter retribuído, nem minimamente, todo afeto que ganhei.
Nessas horas, dá uma pena danada de mim e da beleza de que privei o mundo enquanto fico imaginando os risos que os sorrisos que não arranquei e nem ganhei.
Questiono onde estive, que de tão escondida, nem eu mesma me achei.
E quero, por um segundo, sair do armário, correndo pelas ruas, arrancando as roupas e bradando aos ventos que estou pronta para amar de novo.
Mas é só um segundinho.
Depois tudo volta ao normal.
Nessas horas, dá uma pena danada de mim e da beleza de que privei o mundo enquanto fico imaginando os risos que os sorrisos que não arranquei e nem ganhei.
Questiono onde estive, que de tão escondida, nem eu mesma me achei.
E quero, por um segundo, sair do armário, correndo pelas ruas, arrancando as roupas e bradando aos ventos que estou pronta para amar de novo.
Mas é só um segundinho.
Depois tudo volta ao normal.
julho 20, 2015
Dia do amigo
Em momentos de silêncio e solidão - que na verdade são quase todos desde o dia em que crescemos - chega um intenso e veloz fluxo de pensamentos, sem nenhuma temática específica, e invade a mente com dúvidas, divagações, alucinações diversas, diálogos imaginários, memórias e investigações que não tem qualquer sentido ou relevância.
Eu aqui no meu casulo de desvario, fértil para distrações, alimento-os sem dificuldade, com o melhor do meu tempo e da minha imaginação, sem me dar conta de que, na verdade, tudo não passa de um descaminho. Sábia trilha que minha perspicácia desenha para que eu me perca do mundo terreno, numa tentativa desesperada de tirar o foco daquilo tenho sempre por perto - ou por dentro.
Não que me interesse fugir de mim, ou que me desnudar me assuste de alguma forma, mas talvez porque pareça mais fácil delirar até a plena exaustão mental a penetrar no mundo interno, este sim, legitimamente confuso e complexo, remexido, remoído, destruído e reconstruído tantas vezes.
E então que hoje mais uma vez fiz esforço para não descaminhar: quando quase me perdi, agarrei um fio de sanidade e respirei fundo para mergulhar no lugar que conheço como eu, e vi que meu universo - confuso, complexo, remexido, remoído, destruído e reconstruído tantas vezes - estava (quase) em paz. As divagações estavam todas lá, como sempre, me libertando das limitações humanas. Mas os espaços antes vazios, estavam repletos por afeto, vindo de todas as direções, daqueles que se arriscaram a mergulhar junto comigo. Os responsáveis pela minha tranquilidade ao olhar para as paredes silenciosas da minha casa vazia e não me sentir só. E poder apenas divagar minhas verdades e delírios.
Descobri (e redescubro, com frequência) que tenho dentro de mim pacientes construtores de graça e riso, que cuidam da minha sanidade e a quem posso reconhecer em pequenos detalhes dos meus gestos. A quem me dou desmedidamente, porque os tenho desmedidamente. A quem sou grata pelo afeto que tive, sobretudo, por não merecê-lo. E a quem devo uma medalha de honra ao mérito, por conseguir lidar com tanto descaminho e ainda rir disso.
Eu aqui no meu casulo de desvario, fértil para distrações, alimento-os sem dificuldade, com o melhor do meu tempo e da minha imaginação, sem me dar conta de que, na verdade, tudo não passa de um descaminho. Sábia trilha que minha perspicácia desenha para que eu me perca do mundo terreno, numa tentativa desesperada de tirar o foco daquilo tenho sempre por perto - ou por dentro.
Não que me interesse fugir de mim, ou que me desnudar me assuste de alguma forma, mas talvez porque pareça mais fácil delirar até a plena exaustão mental a penetrar no mundo interno, este sim, legitimamente confuso e complexo, remexido, remoído, destruído e reconstruído tantas vezes.
E então que hoje mais uma vez fiz esforço para não descaminhar: quando quase me perdi, agarrei um fio de sanidade e respirei fundo para mergulhar no lugar que conheço como eu, e vi que meu universo - confuso, complexo, remexido, remoído, destruído e reconstruído tantas vezes - estava (quase) em paz. As divagações estavam todas lá, como sempre, me libertando das limitações humanas. Mas os espaços antes vazios, estavam repletos por afeto, vindo de todas as direções, daqueles que se arriscaram a mergulhar junto comigo. Os responsáveis pela minha tranquilidade ao olhar para as paredes silenciosas da minha casa vazia e não me sentir só. E poder apenas divagar minhas verdades e delírios.
Descobri (e redescubro, com frequência) que tenho dentro de mim pacientes construtores de graça e riso, que cuidam da minha sanidade e a quem posso reconhecer em pequenos detalhes dos meus gestos. A quem me dou desmedidamente, porque os tenho desmedidamente. A quem sou grata pelo afeto que tive, sobretudo, por não merecê-lo. E a quem devo uma medalha de honra ao mérito, por conseguir lidar com tanto descaminho e ainda rir disso.
fevereiro 12, 2015
Adesivos de estrelinhas e canetas coloridas
Confesso que senti ciúmes de você. Sinto quase sempre, na verdade. Algo que não esperava e nem quero, mas nem por isso desgosto. Pelo contrário. Sentir ciúmes de você é o tipo de coisa que não é boa, mas é gostosa.
Tinha tanto tempo que eu não sentia algo embaralhar meu estômago assim que faz parecer que é a primeira vez. Virei adolescente de novo, e fiquei lá, te deixando me causar ciumes sem saber o que fazer. Despertaram-se sensações que eu não lembrava como eram e que achei que jamais voltariam.
Você virou minha distração intencional. Fico muitas horas à sua espera todo dia, pensando em como chamar sua atenção e que desculpas usar para te extrair palavras e interesse. Planejo tramas para estar nos itens da sua lista de ocupações. Então você aparece e eu fico muda, rubra, gaga, derretida, com os braços perdidos, me escondendo atrás dos meus próprios cabelos. E mais um monte de sensações imaturas que dão vontade de escrever em diário e enfeitar com adesivos metálicos de coração.
Sorte. Você é uma nova viagem para dentro de mim ao resgate daquilo que eu perdi. Trouxe a lembrança de que eu estou viva e eu agradeço cada vez que meus órgãos internos se reviram de prazer e desprazer por seu incrível desinteresse. Não era pra ser assim e, por sorte, durará pouco. Talvez o certo seria eu me concentrar de deixar você fugir do meu juízo. Mas não me leve a mal, não vai dar não. É uma delícia essa minha perturbação por você.
Tinha tanto tempo que eu não sentia algo embaralhar meu estômago assim que faz parecer que é a primeira vez. Virei adolescente de novo, e fiquei lá, te deixando me causar ciumes sem saber o que fazer. Despertaram-se sensações que eu não lembrava como eram e que achei que jamais voltariam.
Você virou minha distração intencional. Fico muitas horas à sua espera todo dia, pensando em como chamar sua atenção e que desculpas usar para te extrair palavras e interesse. Planejo tramas para estar nos itens da sua lista de ocupações. Então você aparece e eu fico muda, rubra, gaga, derretida, com os braços perdidos, me escondendo atrás dos meus próprios cabelos. E mais um monte de sensações imaturas que dão vontade de escrever em diário e enfeitar com adesivos metálicos de coração.
Sorte. Você é uma nova viagem para dentro de mim ao resgate daquilo que eu perdi. Trouxe a lembrança de que eu estou viva e eu agradeço cada vez que meus órgãos internos se reviram de prazer e desprazer por seu incrível desinteresse. Não era pra ser assim e, por sorte, durará pouco. Talvez o certo seria eu me concentrar de deixar você fugir do meu juízo. Mas não me leve a mal, não vai dar não. É uma delícia essa minha perturbação por você.
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outubro 19, 2013
Relógio
Ano novo
Apartamentinhos pequeninos
Apresentação de trabalho
Bolero de Ravel
Bollywood
Cachorros amigáveis
Cachorro quente
Carnaval
Cazuza
Casamento
CCBB
Chico Buarque
Churro
Chuva
Cozinha
Sexo
Festas de Debutantes
Filhos
Fundição
Formatura
Jardim Botânico
Lapa
Los Hermanos
Meu vestido preto
Mercado
Olhos verdes
Pipoca
Praia
Royal
Sorvete de iogurte
Theatro Municipal
Tereza da praia
Dormir
Amanhecer
Cada segundo da minha vida. Tudo o que eu existo lembra você. E em tudo que eu estou, você faz falta.
E também não consigo mais escrever um texto que preste, porque você ainda rouba minha concentração. E eu odeio inflar seu ego desta maneira. Eu odeio saber que você ainda está neste buraco do meu peito.
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Praia
Royal
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Dormir
Amanhecer
Cada segundo da minha vida. Tudo o que eu existo lembra você. E em tudo que eu estou, você faz falta.
E também não consigo mais escrever um texto que preste, porque você ainda rouba minha concentração. E eu odeio inflar seu ego desta maneira. Eu odeio saber que você ainda está neste buraco do meu peito.
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Frustração,
Tristeza
julho 01, 2013
Mas é só isso.
Não é muito o que se pede. A gente só quer um pouco de amor. Não, pouco não. Nós queremos amor.
Queremos rolar e desenrolar loucuras e divagações infinitas sobre músicas melosas que nunca fizeram sentido. Queremos alguém que nos faça repensar nossas prioridades e todo o planejamento que fizemos de correr o mundo a pé e pintar todo o corpo de tatuagens. A gente só quer alguém que nos faça sentir constrangidos por -secretamente - estar escolhendo os sabores dos bolos de casamento, enquanto gritamos para o mundo que monogamia não existe.
A gente quer ficar trocando olhares numa noite de sexta-feira enquanto suspiramos falsos desejos de liberdade.
A gente só quer aquele amor bobo, cheio de cuidado, cheio de prazer, que só as novelas e os comerciais de margarina conseguiram reproduzir até hoje.
A gente quer paz. E um cafunezinho.
Quer alguém para dar um título.
A gente só quer um amor. Eterno até amanhã.
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Amor
junho 25, 2013
Último
Você foi a melhor coisa que me aconteceu. E me fez mais feliz do que eu mereci, de maneiras que eu não poderei quantificar ou qualificar.
Eu te amei mais do que você seja capaz de compreender, e, sinceramente, não acho que serei capaz de reproduzir isto algum dia, para outra pessoa. Eu me doei tantas vezes quanto pude. Tanto quanto a saúde suportou.
Depois de você eu fiquei emotiva. Venci limites. Cheguei onde nunca acreditei que poderia. Me tornei o que não poderia sem seus braços, olhos e afagos.
Eu abandonei a razão e a racionalidade pelas quais sempre zelei.
Você foi tudo de lindo, tudo de homem, tudo de vivo, tudo de fogo, tudo de amor, tudo de maior. Você foi tudo.
Eu sinto muito a sua falta. E tenho certeza de que seu espaço não será ocupado jamais.
Você não vai mais aparecer por aqui.
Este foi o último.
O que eu sinto não lhe diz respeito.
junho 22, 2013
Vento e cinza
Sabendo que você tem uma vida - que nunca abandonou por mim - e que, por esta mesa razão, não estará sempre disponível para mim, por se amar, acima de todas as cosias, por que você sempre espera que eu abdique de mim mesma?
Por que você entende, com tanta facilidade, a sua própria infelicidade, mas não consegue entender a minha?
Hoje, talvez, seja o dia em que você, finalmente, possa entender todas as minhas escolhas, porque pode ver o que significa alguém te querer, e te ter ao seu bel prazer. E igualmente, te desquerer, e não ter-te. E você aceitar todas as escolhas feitas, previamente, por outrem independente do seu amor próprio.
Mais uma vez você saiu sem se despedir, para substituir-me por alguém que lhe parece melhor do que eu.
E eu o entendo.
Um beijo para você.
Hoje aprendemos que nós não temos mais conserto.
abril 18, 2013
Eu estou pensando em você
Música para acompanhar: Eu Estou Pensando Em Você - Paulinho Moska
Não voltamos ao ponto de partida.
Enfim chegamos a uma conclusão.
Percebemos.
Decidimos.
Olhamos.
Enxergamos.
Que é impossível querer se livrar daquilo que, ainda sem saber - mesmo sem perceber - intencionalmente colocamos nos pormenores dos detalhes dos segundos dos dias que nem vimos passar.
Culpamos a vida. Deus. O universo. Mas fomos nós. Eu. E você. Sem livrar ninguém de responsabilidades. Fomos nós que nos fizemos tão cuidadosamente perfeitos um para o outro, e criamos essa vida de braços infinitos que nos envolvem e nos embolam e nos embaraçam e nos impedem de escapar disso tudo.
O que inventamos não tem mais conserto.
Nem tamanho.
Só existência.
Arrebatadora, incontestável, imensurável, indiscutível, insubstituível. Insensata.
Infinita.
Não existo mais sem você.
E agora?
fevereiro 22, 2013
Acontece
Estão todos ali. Em abraços e beijos. E sorrisos. E vida. E certezas.
A felicidade se instalou no interior daquele espaço e adentrou a alma daqueles que a envolviam. E escapava através dos olhares.
Aconteceu que eu pude ver.
Estavam todos ali.
E o amor sussurrava no meu ouvido o quanto eu não posso permitir que eles desapareçam dali.
Sou grata àqueles que mantém meu sorriso aberto. Sempre são. Sempre pleno.
A felicidade se instalou no interior daquele espaço e adentrou a alma daqueles que a envolviam. E escapava através dos olhares.
Aconteceu que eu pude ver.
Estavam todos ali.
E o amor sussurrava no meu ouvido o quanto eu não posso permitir que eles desapareçam dali.
Sou grata àqueles que mantém meu sorriso aberto. Sempre são. Sempre pleno.
julho 21, 2012
Agora
Só consigo refletir sobre a incrível dualidade emocional pela qual ando passando. Sobre a sua enorme capacidade de despertar em mim os piores e os melhores sentimentos perceptíveis pela espécie humana. E sobre o quanto eu me encontro parada olhando para o mundo sem saber qual direção escolher para apontar meus pés.
I fuckin' love you! Mas não tenho ideia do que fazer com esta informação.
Estou tão cansada que não sou capaz de escrever grande coisa, embora haja muito para ser destilado por aqui. Compenso com um texto de uma escritora de verdade.
Poesia:
Terracota
(Roseana Murray)
Da terra retiro
sua gama de cores:
ocre, vermelho, ferrugem,
terracota, outono,
o sol.
E pinto a alma em pinceladas
grossas, camada sobre camada,
para aguentar o peso do céu.
setembro 12, 2011
Aí então...
Aí que eu vou saindo de você. Aos poucos. Às vezes. E outras vezes, muito depressa. E você vai notando que não sou mais que uma boa brisa perto dos espetáculos que estava acostumado a viver. E agora você vê, são sempre mais fortes que minhas melodias. Então eu fico só na lembrança de uma época pouco distante. Mas boa. Reconhecemos. Aí que daqui a pouco, já não tenho nenhuma parte dentro de ti, e nem espaço para forçar minha presença. Aí que meu corpo não passa de uma lembrança distante. E meu nome se torna só mais um nome. Então não causo mais nenhum furor. Ou qualquer emoção. Aí que vou deixando de ser lembrança. Aí que descubro que fui vida, fui sopro, fui frio. Fui. Já nem existo mais. Aí que descubro que tudo passa.
Poesia
(Caio Fernando Abreu)
Te desejo uma fé enorme.
Em qualquer coisa, não importa o quê.
Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
As coisas vão dar certo.
Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma.
Certo, muitas ilusões dançaram.
Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.
Que 2011 seja doce. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Que seja bom o que vier, pra você.
agosto 31, 2011
Confissão do significado da vida
É muito difícil lidar com as expectativas alheias e ver que você não pode saciá-las, porque fazê-lo significa doer a quem tanto te importa. E não te quero causar dor. Não mais.
Não quero que reflitam a minha vida porque sei - muito certo - que podem enxergar só dores e angústias pois estas escapam no lugar das lágrimas e me consomem de modo tal, que só elas são visíveis.
Machuca deixar pensar qualquer pecado ou infortúnio a seu respeito mesmo que muitos dramas e e desgostos colecionados graças às suas interferências e braços intermináveis sejam encontrados em páginas e páginas deste livro sobre minha vida. Nunca foram seus pecados o foco da minha vida. Não poderiam ser, ou eu já teria definhado.
Infelizmente, é a única parte de nós dois que as pessoas conhecem.
Mas elas não sabem que o mundo pára e todos os seus conflitos se encerram, que não há mais fome ou guerra no momento em que você pega na minha mão e eu posso finalmente caminhar em paz. E que não há razão para se proteger da chuva, quando ela é capaz de abrir sorrisos. A menos que seja a desculpa perfeita para pressionar um corpo contra o outro ao compartilhar um minúsculo guarda-chuva.
Ninguém pode ouvir o bom dia mais terno que já foi pronunciado e anunciado por olhos recém abertos pintados em verde, o cheiro de pão fresco e gracejos sobre açúcares. Jamais saberão do universo paralelo que se pode encontrar no interior dos seus braços e jamais entenderão que a felicidade está na alegria dos olhos postos em frente a mim.
O mundo não sabe que suas mãos causam suor e lágrimas. Da mesma forma que os fazem desaparecer logo em seguida. Ou que seu cheiro me faz sorrir mesmo esteja somente na minha memória olfativa e que dias ensolarados significam que posso sair sem planejamento ou mochila, e ir para qualquer lugar, que terei companhia em qualquer ladrilho. E que o dia será maravilhoso.
Que as noites com você são sempre mais divertidas do que qualquer sorriso ébrio mascarado de independência e amizade. E que é muito bom compartilhar as frustrações e esperanças de uma sociedade com alguém que também faz a sua parte.
Que não há lugar mais seguro no mundo do que ao seu lado. Isso definitivamente não há.
O Império Romano, os lugares, as utopias urbanas e administração doméstica se tornam profundamente interessantes.
Ninguém jamais fará idéia do significado um churro ou de um girassol. Ou de uma trufa. Ou de uma cerveja. Ou do Cadu. Jamais compreenderão.
Tampouco do que significa “eu te amo”.
Ninguém jamais entenderá o significado de nós dois.
Sem crônica ou Poesia por hoje.
agosto 23, 2011
Das pernas tortas
Dançamos alegrias fazendo de conta que a música ainda toca. Rodopiamos sem sair do lugar e quase desequilibramos e quase perdemos o eixo num rítmo arisco que gosta de fingir que é equilíbrio e gosta de fingir que é paz.
Com medo arredio a gente segue a nossa coreografia, dançando na ponta dos pés que é para não acordar o sossego. Sentindo de olhos fechados o som que não se pode ouvir, dançamos uma dança torta com as pernas bambas.
(Texto que já não é coerente com a ausência total de música e gestos que tomou conta da minha vida. Mas já estava escrito, então publiquei)
Crônica:
Tempo de Saudade
(Debora Bottcher)
Então ela sentiu saudades. Do tempo em que sua maior preocupação era chegar a tempo da escola para ver Jeanny é um Gênio e Penélope Charmosa. De quando suas lágrimas eram só porque a mãe a mandava tomar banho quando ela ainda queria brincar.
Também sentiu saudades do pai: de quando andava com ele de mãos dadas pela feira, atrapalhando na escolha das frutas; de quando ele a jogava na piscina de adultos para ensiná-la a nadar, esperando, ansioso e atento, que ela emergisse sã e salva do fundo; de quando a mãe foi embora - porque as relações podem ficar muito complicadas mesmo que uma criança não seja capaz de entender - e ele cuidou dela e dos irmãos como nenhum outro pai faria.
Sentiu saudades de quando dormia em seus braços deitada no tapete da sala vendo TV e ele a levava para a cama - seu beijo delicado depois de cobrí-la; de quando ele não chegou a tempo para a sua formatura.
Teve saudades também de quando ele caminhou ao seu lado, relutante, rumo ao altar a fim de entregá-la à união com um homem que não lhe parecia a melhor opção; e especialmente de quando ele foi buscá-la de volta, não muito tempo depois, sem fazer nenhuma pergunta.
Ela sentiu saudades de quando se vestia de odalisca, bruxa e fada para brincar o carnaval.
De quando, nas manhãs de sábado, chamava os irmãos e invadiam o quarto dos pais jogando-se na cama para acordá-los: riso e alegria; e de quando eles se enfiavam todos, os cinco, debaixo do cobertor, juntos e seguros, o mundo inteiro cabendo naquelas quatro paredes.
Também teve saudades de quando aprendeu a ler e escrevia seus primeiros poemas num caderninho colorido que escondia nas gavetas, debaixo das roupas. Depois vieram os diários, a coleção de papéis de carta, o vício de rabiscar até em guardanapos pra não perder o fio de uma idéia.
Sentiu saudades dos disquinhos coloridos que cantavam músicas divertidas nas histórias de sapos, príncipes e princesas - tudo muito encantado. Teve saudades de seus livros de contos de fadas, que um dia foram queimados num incêndio que ninguém jamais soube como começou.
Sentiu saudades da primeira vez que foi sozinha ao cinema com os irmãos mais novos, responsável e orgulhosa.
De quando sentava-se no pátio do colégio, sob as árvores, sozinha, porque um pouco de solidão já se fazia necessário.
Teve saudades da avó, que na imensa cozinha da 'casa grande' da fazenda, remexia-se de um lado pra outro sobre o fogão à lenha e a mesa gigante de madeira, iniciando-a no seu dom para a culinária. A feijoada em família, o churrasco de domingo.
Sentiu saudades da faculdade, dos amigos perdidos, dos amores que não deram certo, das pessoas que a amaram e ela não pôde corresponder. Dos sonhos que abandonou porque, muitas vezes, a realidade com suas obrigações e prioridades é mais urgente e não há tempo a perder.
Teve saudades do primeiro apartamento em que morou sozinha depois do casamento desfeito e do pai chegando todas as manhãs com pão quentinho para o café - que ele preparava, a mesa bonita, enquanto ela tomava banho e se arrumava para trabalhar. Dele lhe beijando a testa na porta do carro e desejando Bom dia! com seus olhos muito verdes e o sorriso sempre aberto.
Sentiu saudades de quando o acompanhava ao supermercado e esse era 'o' programa das tardes de sábado. Teve saudades também de quando ele ficou muito doente e cansado, e ela pensou que isso podia durar para sempre, contanto que pudesse mantê-lo vivo.
Ela sentiu saudades de quando dor era apenas sinônimo de tropeçar, cortar o dedo, desembaraçar os cabelos. De quando conseguia dormir sem pesadelos ao seu encalço.
Teve saudades de muita coisa - até do que nem se lembrava mais. E viu que um tanto disso pertencia a uma época em que ela ansiava por crescer.
Agora, descobriu que desejava mesmo nunca ter passado de um metro de altura...
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agosto 15, 2011
Do veneno ingerido
Com as minhas mãos já muito calejadas e a palma aberta para o ar eu vou assistindo você se afastar aos poucos. Ou eu mesma me afastar. Ou nós dois.
Nessa hora é que eu começo a tomar consciência da escolha tomada e desejo que o movimento das minhas mãos traga você correndo para os meus braços e afago, porque no segundo que o incidente se deu, também deu em mim a certeza de que tudo está errado.
Mas não volto atrás, porque já tenho o corpo muito envenenado.
Aproveito o movimento das minhas mãos frente ao meu rosto para disfarçar as minhas lágrimas.
Adeus.
Poesia
(Do diálogo do fim da nossa vida)
Santa Chuva
(Marcelo Camelo)
Vai chover de novo, deu na TV
Que o povo já se cansou de tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui que reze ajuda de Deus
Mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá que ta me dando uma vontade de chorar
Não faz assim, não vá pra lá
Meu coração vai se entregar à tempestade
Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem!
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV que eu vou de vez
Não há porque chorar por um amor que já morreu
Deixa pra lá, eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade
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