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julho 27, 2008

Halo Solar

My Diary:

O diferente atrai... O novo atrai... Atrai e muito!
A primeira vista, o que é estranho lhe causa um certo receio.
Pelo menos, a mim, precavida em excesso, o diferente é encarado a primeira vista com certa cautela.
Tenho mania de calcular tudo, do início ao fim. Principalmente a força da gravidade, pois quanto maior ela for, maior o impacto da queda (e eu realmente pretendo morrer sem jamais partir um osso).
E vou caminhando na ponta dos dedos, experimentando cada passo neste solo novo...
Mas depois - e depois pode ser apenas alguns segundos depois - começa a se tornar algo tão interessante, deleitante, envolvente, que vai virando até dependência.
Uma vez que você é apresentado a um novo fenômeno, nunca mais quer viver de mesmices, nunca mais vai querer ficar na monotonia da vida segura e tranqüila.
Pouco vão lhe importar os riscos, o futuro, a forma com a qual acaba. Deixa! Pensar no perigo o priva das emoções, e aqui, nós estamos buscando novas emoções.

O novo até da um medinho, vamos assumir.
Mas uma vez que você é apresentado ao novo, vai buscando o novo a cada segundo.
Mata a sede na salina, foge do mundo em plena multidão, faz da tempestade um dia para tomar sol, e começa a pensar que o parélio nem é tão intrigante assim.
E vai buscando mil maneiras de sentir novas sensações e correr riscos, e virar tudo ao contrário, só para ver se é mais interessante calçar os anéis e colocar as luvas, ou beber do pão e comer do vinho, ou nadar nas nuvens e caminhar nas ondas... e tudo vai ficando tão diferente, e tão envolvente, e você vai entorpecendo, e já não sabe nem mais o que está dizendo, é só quer que o dia não acabe, porque ainda tem muito o que experimentar.

O novo atrai. E vicia. Você já não dorme, já não faz mais nada. Fica só na espera do que mais pode acontecer. E não importa como acaba. Deixa o fim para depois... O final é sempre igual... Não queremos o igual, queremos continuar experimentando todo esse novo êxtase de agora...



Poesia da Semana:

Canção do dia de sempre
(Mário Quintana)

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

dezembro 01, 2007

Doendo

(no Weblogger - o falecido - sábado, 1 de dezembro de 2007)

My Diary:

Ainda que eu fuja, e apesar do remorso que isso me cause, não consegui ainda desviar minha atenção da sua íris...
Ai... Quantos minutos será que gastei esta semana tentando me desvencilhar do seu olhar enquanto me perdia tentando decifrar o que passava pela sua mente?
Nossa... está sendo difícil fugir dele a todo tempo... Achei que fosse capaz de me esconder, mas cada vez que fujo para dentro de mim mesma, ele aparece na minha frente para tirar meu sono e me lembrar que já estou totalmente entorpecida!
E cada vez que me convenço que não vale a pena e que só tenho tudo a perder, ele se entranha nas minhas narinas só para me fazer sentir vontade de me entregar de vez...
Só porque tenho medo de tudo isso,
só porque já tenho o amor com que sonhei a vida inteira,
só porque tenho o homem com quem quero envelhecer,
às vezes penso em desistir de tudo isso só para tê-lo...

Queria que fosse só às vezes...



Poesia da semana:

Amar
(Mario Quintana)

Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.