Este blog nasceu em 2004, quando eu tinha 15 anos e o hospedava no Weblogger.
O universo virtual do período em que ele foi criado era absolutamente diverso do que conhecemos hoje, em que o que encontrávamos na blogosfera estava longe de ter o glamour (e o retorno financeiro) da atualidade.
Passeando entre vários hosts e códigos HTML ou XLM fui construindo gosto pela virtualidade, identidade na escrita, maturidade nas ideias, ganhando risos, divagações e amigos a distância. Aqui confessei aquilo que o coração adolescente não podia gritar em público, mas que era compartilhado com prazer entre desconhecidos conhecidos.
Aí aconteceu do tempo passar. E eu cresci. E eu mudei. E isso não foi uma decisão: foi um processo.
Um processo longo e constante que trouxe como resultado a pessoa que está aqui. Agora, aos quase 30, está atrás desse texto uma pessoa que até se lembra daquela menina que transformou o blog no que ele é hoje, mas nem de longe se parece com ela.
E acompanhando essas mudanças de personalidade e realidade, esse blog foi também mudando e se remendando para se adequar a mim e para que eu pudesse caber nele. Mas enfim, chegamos a um ponto decisivo: não caibo mais aqui.
Então cheguei ao fim do "diário" virtual que se estendeu por 13 anos, com muito gosto e resistência.
E assim encerro este blog. Obrigada aos envolvidos.
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janeiro 29, 2017
maio 24, 2016
Outono de novo
Quando, antes de abrir os olhos hoje pela manhã, percebi os meus pés frios, descobri você passeando pelos meus pensamentos. E no decorrer das horas deste dia cinza me preenchi de lembranças suas.
Mas como não lembrar se na ultima vez que vi inverno eu estava sentada exatamente ao seu lado?
No último dia frio de que tenho memória eu me encontrava aconchegada num cobertor de cabelos castanhos, distraída da realidade, hora observando, hora pintando sua pele como um livro de colorir, desses criados para acalmar os cansaços. E cada detalhe vivido dessas curtas horas frescas que tivemos foram compondo e estruturando minhas lembranças de dias cinzas e úmidos que, por isso, estarão sempre vinculados à sua presença.
Foi tanto Sol que assisti durante todo esse tempo, desde que fomos embora, que acabei me esquecendo de que em algum momento eu teria de inventar histórias novas para enfeitar meus dias de pés gelados e dedos roxos só para tirar você de perto. Ainda bem que o outono chegou para me trazer a oportunidade de construir algo ainda mais bonito que você.
Mas como não lembrar se na ultima vez que vi inverno eu estava sentada exatamente ao seu lado?
No último dia frio de que tenho memória eu me encontrava aconchegada num cobertor de cabelos castanhos, distraída da realidade, hora observando, hora pintando sua pele como um livro de colorir, desses criados para acalmar os cansaços. E cada detalhe vivido dessas curtas horas frescas que tivemos foram compondo e estruturando minhas lembranças de dias cinzas e úmidos que, por isso, estarão sempre vinculados à sua presença.
Foi tanto Sol que assisti durante todo esse tempo, desde que fomos embora, que acabei me esquecendo de que em algum momento eu teria de inventar histórias novas para enfeitar meus dias de pés gelados e dedos roxos só para tirar você de perto. Ainda bem que o outono chegou para me trazer a oportunidade de construir algo ainda mais bonito que você.
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