Eu e você éramos uma espécie de erva daninha. Crescíamos espontânea e involuntariamente um no coração do outro e arrancávamos as flores que foram cuidadosamente cultivadas.
Não havia veneno nem remédio. Há um ditado que diz que "o que não tem remédio, remediado está". É mentira, nada estava remediado ou curado nem nunca estaria.
Nós nos machucávamos tanto, mas, de tanto amor que sentíamos, passamos a amar também as feridas que causávamos um no outro.
Eu não queria mais sentir esse amor e você queria me arrancar de dentro de si. Esse amor era um vício e,como os viciados, não conseguíamos nos livrar. Não havia clínica de reabilitação para amor doído.
Chorei durante semanas (ou meses, fiquei perdida no tempo) quando percebi que, embora esse amor fosse maior que eu, maior que você, maior até que nosso orgulho e vergonha na cara, eu já não te queria mais, mesmo sabendo que sua ausência me causaria dores terríveis e, provavelmente, um arrependimento eterno.
A verdade é que eu te amava, com todas as minhas forças (e fraquezas), mas não estava mais apaixonada por você.
Texto de Thatii Conde
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julho 02, 2014
outubro 15, 2011
Da desistência
Ela não vai mais se deixar acreditar nas suas falas vãs e sem embasamento, sem alicerce e sem verdade. Sem nem mesmo confiança. Ditas só para amarrar ainda com mais força a quem já estava amordaçada e algemada às suas mãos.
Ela se atirou de uma vez, abismo abaixo, e não está preocupada em sobreviver. A escolha foi dela de se impelir e se tornar livre finalmente. Ainda que não fique viva.
E você talvez nem chore sua ausência. Nem perceba sua ausência. E a culpe pelo - que você julga ser - súbito suicídio.
Ela aceitou de braços abertos a morte que você lhe entregou de bandeja. Então chore. Mas chore de culpa.
E não peça que ela busque a redenção, ou conte até dez e puxe a corda do pára-quedas. Não peça que ela seja só sua. Não espere mais nada.
Ela só voltará se puder te ter por inteiro. E pleno. E livre. E dela.
Ela sabe que jamais o terá.
E ela parará de se referir a ela mesma na terceira pessoa.
Poesia:
Não Vale A Pena
(Maria Rita)
Ficou difícil tudo aquilo, nada disso.
Sobrou meu velho vício de sonhar.
Pular de precipício em precipício
- Ossos do ofício.
Pagar pra ver o invisível e depois enxergar:
Que é uma pena mas você não vale a pena.
Não vale uma fisgada dessa dor.
Não cabe como rima de um poema, de tão pequeno.
Mas vai e vem e envenena e me condena ao rancor.
De repente, cai o nível e eu me sinto uma imbecil
Repetindo, repetindo, repetindo
Como num disco riscado
O velho texto batido dos amantes mal-amados,
Dos amores mal-vividos e o terror de ser deixada.
Cutucando, relembrando, reabrindo
A mesma velha ferida.
E é pra não ter recaída que não me deixo esquecer:
Que é uma pena, mas você não vale a pena.
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Música
setembro 12, 2011
Aí então...
Aí que eu vou saindo de você. Aos poucos. Às vezes. E outras vezes, muito depressa. E você vai notando que não sou mais que uma boa brisa perto dos espetáculos que estava acostumado a viver. E agora você vê, são sempre mais fortes que minhas melodias. Então eu fico só na lembrança de uma época pouco distante. Mas boa. Reconhecemos. Aí que daqui a pouco, já não tenho nenhuma parte dentro de ti, e nem espaço para forçar minha presença. Aí que meu corpo não passa de uma lembrança distante. E meu nome se torna só mais um nome. Então não causo mais nenhum furor. Ou qualquer emoção. Aí que vou deixando de ser lembrança. Aí que descubro que fui vida, fui sopro, fui frio. Fui. Já nem existo mais. Aí que descubro que tudo passa.
Poesia
(Caio Fernando Abreu)
Te desejo uma fé enorme.
Em qualquer coisa, não importa o quê.
Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
As coisas vão dar certo.
Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma.
Certo, muitas ilusões dançaram.
Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.
Que 2011 seja doce. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Que seja bom o que vier, pra você.
agosto 31, 2011
Confissão do significado da vida
É muito difícil lidar com as expectativas alheias e ver que você não pode saciá-las, porque fazê-lo significa doer a quem tanto te importa. E não te quero causar dor. Não mais.
Não quero que reflitam a minha vida porque sei - muito certo - que podem enxergar só dores e angústias pois estas escapam no lugar das lágrimas e me consomem de modo tal, que só elas são visíveis.
Machuca deixar pensar qualquer pecado ou infortúnio a seu respeito mesmo que muitos dramas e e desgostos colecionados graças às suas interferências e braços intermináveis sejam encontrados em páginas e páginas deste livro sobre minha vida. Nunca foram seus pecados o foco da minha vida. Não poderiam ser, ou eu já teria definhado.
Infelizmente, é a única parte de nós dois que as pessoas conhecem.
Mas elas não sabem que o mundo pára e todos os seus conflitos se encerram, que não há mais fome ou guerra no momento em que você pega na minha mão e eu posso finalmente caminhar em paz. E que não há razão para se proteger da chuva, quando ela é capaz de abrir sorrisos. A menos que seja a desculpa perfeita para pressionar um corpo contra o outro ao compartilhar um minúsculo guarda-chuva.
Ninguém pode ouvir o bom dia mais terno que já foi pronunciado e anunciado por olhos recém abertos pintados em verde, o cheiro de pão fresco e gracejos sobre açúcares. Jamais saberão do universo paralelo que se pode encontrar no interior dos seus braços e jamais entenderão que a felicidade está na alegria dos olhos postos em frente a mim.
O mundo não sabe que suas mãos causam suor e lágrimas. Da mesma forma que os fazem desaparecer logo em seguida. Ou que seu cheiro me faz sorrir mesmo esteja somente na minha memória olfativa e que dias ensolarados significam que posso sair sem planejamento ou mochila, e ir para qualquer lugar, que terei companhia em qualquer ladrilho. E que o dia será maravilhoso.
Que as noites com você são sempre mais divertidas do que qualquer sorriso ébrio mascarado de independência e amizade. E que é muito bom compartilhar as frustrações e esperanças de uma sociedade com alguém que também faz a sua parte.
Que não há lugar mais seguro no mundo do que ao seu lado. Isso definitivamente não há.
O Império Romano, os lugares, as utopias urbanas e administração doméstica se tornam profundamente interessantes.
Ninguém jamais fará idéia do significado um churro ou de um girassol. Ou de uma trufa. Ou de uma cerveja. Ou do Cadu. Jamais compreenderão.
Tampouco do que significa “eu te amo”.
Ninguém jamais entenderá o significado de nós dois.
Sem crônica ou Poesia por hoje.
agosto 15, 2011
Do veneno ingerido
Com as minhas mãos já muito calejadas e a palma aberta para o ar eu vou assistindo você se afastar aos poucos. Ou eu mesma me afastar. Ou nós dois.
Nessa hora é que eu começo a tomar consciência da escolha tomada e desejo que o movimento das minhas mãos traga você correndo para os meus braços e afago, porque no segundo que o incidente se deu, também deu em mim a certeza de que tudo está errado.
Mas não volto atrás, porque já tenho o corpo muito envenenado.
Aproveito o movimento das minhas mãos frente ao meu rosto para disfarçar as minhas lágrimas.
Adeus.
Poesia
(Do diálogo do fim da nossa vida)
Santa Chuva
(Marcelo Camelo)
Vai chover de novo, deu na TV
Que o povo já se cansou de tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui que reze ajuda de Deus
Mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá que ta me dando uma vontade de chorar
Não faz assim, não vá pra lá
Meu coração vai se entregar à tempestade
Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem!
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV que eu vou de vez
Não há porque chorar por um amor que já morreu
Deixa pra lá, eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade
julho 22, 2011
"É quando a gente sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa"
Todo dia ela acorda disposta a não errar mais o caminho para casa. Acorda sabendo para onde ir, estuda todo o roteiro antes de partir e vai finalmente trilhar o caminho certo. O caminho que ela sabe que é certo. Que lhe disseram ser certo. O certo... Mas nunca o caminho que ela quer seguir.
Infla o peito e segue, com certeza e dor. Ao longo do caminho vai deixando as migalhas da sua coragem para alimentar os pássaros. Quando acabam, ela deixa seu próprio amor. E quanto mais caminha, mais se se perde numa trilha que se tranforma num fio de cabelo castanho. E se torna uma artista de circo, a malabarista tão maquiada se equilibrando na corda bamba dos seus cabelos.
Distrai-se. Entranha-se nestas ondas incertas e quanto mais caminha mais errada vai ficando e também mais distante da salvação de que tanto precisa. Uma salvação triste e indesejada, que arde os olhos como cal soprada.
Até o fim da linha ela já se esqueceu de todo o mapa e perdeu todo o seu planejamento. Está longe de casa mais uma vez.
Atrás, só as migalhas que deixou, marcando o caminho de volta para lugar nenhum. Agora não tem mais dor, ou coragem, ou amor, ou sentimento qualquer.
Volta o corpo e começa a catar as partes que deixou. De coragem e certeza. O coração deixa. Ela não precisa mais.
Texto:
Os Sentimentos
(Mário Prata)
Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue;
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo;
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego;
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento;
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa;
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára;
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista;
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora;
Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja;
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogaçãono final do sentimento;
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes;
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração;
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma;
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros;
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia;
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário;
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato;
Sentimento é a linguagem que o coração usa quando precisa mandar algum recado;
Vontade é um desejo que cisma que você é casa dela;
Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra;
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado...
Amor é um exagero...
Também não.
Um dilúvio , um mundaréu, uma ansiedade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tem explicação, esse negócio de amor não sei explicar.
Sentir é simplesmente estar vivo......viva!!!
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Mário Prata,
Texto
fevereiro 10, 2011
Sentítulo
E sei que não sou tão clara quando a poeira presa na minha janela, às vezes invísivel dependendo dos raios de sol que nela incidem, porque as barreiras entre meus cérebro e o mundo são espessas e resistentes demais, quase como concreto. É o forte que me livra dos ataques invasores. Nada sai assim como ninguém é capaz de entrar, e de lá pode-se prever os movimentos hostis.
Às vezes há uma quase fuga de emoções, um quase segundo que sou fácil de compreender e um quase triz de dizer tudo o que sempre quero, mas que neste quase, tudo fica, graças às minhas barreiras (aquelas tão espessas quanto concreto). Há sempre um triz de quase (mais) fragilidade que não se concretiza mas que deixa seu cheiro no ar. Enfim, não sou clara.
Mas sou tão transparente que minha sinceridade chega perto do óbvio. Está no meu entorno, exibindo-se numa áurea, como um cartaz no meu pescoço que diz: confie em mim.
Não é honestidade demais, é só a honestidade necessária para que eu seja tola o suficiente de crer existir mais alguém assim e sentir um soco na boca do estômago sempre que descubro que me enganei.
E pelas minhas barreiras - ou pela falta momentânea de ar que o punho me causa - meu grito fica: aqui.
Tão silencioso que nem os vizinhos podem ouvir. Eu quase não o escuto.
Me encontro com os olhos arregalados, sangue na boca e muita dor. Mas nenhuma voz.
Poesia:
Árvores in Rios da alegria
(Roseanna Murray)
Se pudéssemos plantar palavras,
como se planta uma árvore,
tantos frutos invisíveis
contido sem seu silêncio,
tanta sombra ao meio-dia
em seu futuro,
palavras simples e quentes,
amor, pão, mel, encontro,
as sementes seriam aladas,
e o vento varreria o jardim,
então, pouco a pouco,
atravessando montanhas,
mares, cidades,
a paz cobriria o mundo
Às vezes há uma quase fuga de emoções, um quase segundo que sou fácil de compreender e um quase triz de dizer tudo o que sempre quero, mas que neste quase, tudo fica, graças às minhas barreiras (aquelas tão espessas quanto concreto). Há sempre um triz de quase (mais) fragilidade que não se concretiza mas que deixa seu cheiro no ar. Enfim, não sou clara.
Mas sou tão transparente que minha sinceridade chega perto do óbvio. Está no meu entorno, exibindo-se numa áurea, como um cartaz no meu pescoço que diz: confie em mim.
Não é honestidade demais, é só a honestidade necessária para que eu seja tola o suficiente de crer existir mais alguém assim e sentir um soco na boca do estômago sempre que descubro que me enganei.
E pelas minhas barreiras - ou pela falta momentânea de ar que o punho me causa - meu grito fica: aqui.
Tão silencioso que nem os vizinhos podem ouvir. Eu quase não o escuto.
Me encontro com os olhos arregalados, sangue na boca e muita dor. Mas nenhuma voz.
Poesia:
Árvores in Rios da alegria
(Roseanna Murray)
Se pudéssemos plantar palavras,
como se planta uma árvore,
tantos frutos invisíveis
contido sem seu silêncio,
tanta sombra ao meio-dia
em seu futuro,
palavras simples e quentes,
amor, pão, mel, encontro,
as sementes seriam aladas,
e o vento varreria o jardim,
então, pouco a pouco,
atravessando montanhas,
mares, cidades,
a paz cobriria o mundo
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agosto 06, 2010
Sobre verdades e dores
Eu estou com um vazio se dissipando dentro de mim, me enchendo de nada. Perdi o solo e o rumo. A cor e o rubor da minha pele ao fechar os olhos e sentir o último adeus. O fim. No fim, no final de tudo, não é o fim que machuca. De forma alguma, o que dói é não ter visto quando o fim chegou. Quando foi que a vida desandou. E desde quando há todo este engano.
No fim... Este fim que para mim não chega tamanho o amor e posso guardar. Tanto me que escapa pelos dedos, pelos pêlos, pelos poros, consome-me. Escapa-me pelos olhos.
Mas como disse, não dói perder-te. Dói é não ter sabido quando te perdi, e ter acreditado em meias verdades durante um tempo excessivamente longo e bom. Eu posso perder-te, claro que posso. Tudo posso para manter seu sorriso aberto, porque meu amor precisa ver fluidez e leveza na sua vida. Meu amor é pra você, e não para mim. Não para a minha felicidade.
Dói de verdade, numa intensidade que eu jamais poderia descrever - ou compreender - é saber que dói só em mim, que pesa só em mim, que só eu percebo a dor dessa ausência. Que você sequer notou que estou definhando, porque aparentemente - e só eu não tinha visto - já não havia eu em você, e em nada teu.
Mas em mim... Está todo você em mim, e neste maldito e fiel amor, que nunca acaba, e que te assiste de longe. Que abriu mão de você para te ter para sempre. Só para poder ver, mais uma vez, que fez tudo o que pode, com o esforço maior que o corpo pode ter. Que por você deu tudo o que tinha para que só para te garantir felicidade eterna.
No final, sou sempre eu que te ponho no colo e seco o seu suor.
Mas quando foi que o fim chegou? Quando foi que você parou de percerberque não há mais sopro vida em mim, porque todo ele eu te entreguei, sem pensar duas vezes?
Quando foi, me responda qualquer um, eu eu perdi meu alicerce?
Enxergue que jamais alguém desfaz suas escolhas e abandona a própria vontade. Que ninguém no mundo ama pelo outro, mas ama por si, para seu gozo. Mas eu...
Mesmo você não soube isso. E você não me mostrou quando parou de existir o nosso plural. Antes me tivesse feito ver. Magoa muito ter acreditado numa solidez inexistente e não ter visto esse singular na minha - nossa - história.
Mesmo assim no fim, está lá o meu amor. Fiel e infinito. Guiando-te, guardando-te, sempre à espera. Sempre pronto como a sua webcam.
Você sabe que eu gosto de ter letras e lágrimas enquanto as escrevo. Mas nunca isso foi resultado de um nada que faz até eco dentro de mim. Mesmo assim, não reluto. Adeus.
Poesia da Semana:
Soneto de Fidelidade
(Vinicius de Moraes) (dããã)
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
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Vinícius de Moraes
maio 31, 2010
...
My Diary:
Preciso de um piso estável, de um pilar, de uma muleta. Preciso ter alguma certeza e alguma segurança. A vida está difícil. Preciso de oxigênio e comprimidos para dormir. Preciso de uma mão estendida.
Qualquer uma.
abril 25, 2010
Tell me the reality Is better than the dream
My Diary:
Eu aceito deixar você preencher o vazio que estou guardando aqui. Não importa quem seja, desde que me faça ser completa e sorrir. Sobram-me dentes... Não sei o que fazer com eles, são muitos e eu não os uso. Mas não quero perdê-los, quero que sejam gastos.
Eu deixo você vir e me encher de vida e me fazer sentir significativa, divertida e interessante e também deixo você não me deixar jamais.
Poesia da Semana:
Duality
(Slipknot)
I push my fingers into my...
Eyes it's the only thing that slowly stops the ache
But it's made of all the things I have to take
Jesus it never ends, It works it's way inside
If the pain goes on... AHHHHHHH!
I have screamed until my veins collapsed
I waited as my time elapsed
Now all I do is live with so much fate
I've wished for this, I've bitched at that
I've left behind this little fact
You cannot kill what you did not create
I've gotta say what I've gotta say
And then I swear I'll go away
But I can't promise you'll enjoy the noise
I guess I'll save the best for last
My future seems like one big past
You're left with me 'cause you left me no choice
I push my fingers into my eyes
It's the only thing that slowly stops the ache
If the pains goes on
I'm not gonna make it!
Put me back together
Or separate the skin from bone
Leave me all the pieces
Then you can leave me alone
Tell me the reality
Is better than the dream
But I found out the hard way
Nothing is what it seems!
I push my fingers into my eyes
It's the only thing that slowly stops the ache
But it's made of all the things I have to take
Jesus it never ends, It works it's way inside
If the pain goes on
I'm not gonna make it!
All I've got...
All I've got is insane!
All I've got...
All I've got is insane!
All I've got!
All I've got is insane
All I've got!
All I've got is insane!
All I've got!
All I've got is insane!
All I've got!
All I've got is insane!
I push my fingers into my eyes
It's the only thing that slowly stops the ache
But it's made of all the things I have to take
Jesus it never ends, It works it's way inside
If the pain goes on
I'm not gonna make it!
Eu aceito deixar você preencher o vazio que estou guardando aqui. Não importa quem seja, desde que me faça ser completa e sorrir. Sobram-me dentes... Não sei o que fazer com eles, são muitos e eu não os uso. Mas não quero perdê-los, quero que sejam gastos.
Eu deixo você vir e me encher de vida e me fazer sentir significativa, divertida e interessante e também deixo você não me deixar jamais.
Poesia da Semana:
Duality
(Slipknot)
I push my fingers into my...
Eyes it's the only thing that slowly stops the ache
But it's made of all the things I have to take
Jesus it never ends, It works it's way inside
If the pain goes on... AHHHHHHH!
I have screamed until my veins collapsed
I waited as my time elapsed
Now all I do is live with so much fate
I've wished for this, I've bitched at that
I've left behind this little fact
You cannot kill what you did not create
I've gotta say what I've gotta say
And then I swear I'll go away
But I can't promise you'll enjoy the noise
I guess I'll save the best for last
My future seems like one big past
You're left with me 'cause you left me no choice
I push my fingers into my eyes
It's the only thing that slowly stops the ache
If the pains goes on
I'm not gonna make it!
Put me back together
Or separate the skin from bone
Leave me all the pieces
Then you can leave me alone
Tell me the reality
Is better than the dream
But I found out the hard way
Nothing is what it seems!
I push my fingers into my eyes
It's the only thing that slowly stops the ache
But it's made of all the things I have to take
Jesus it never ends, It works it's way inside
If the pain goes on
I'm not gonna make it!
All I've got...
All I've got is insane!
All I've got...
All I've got is insane!
All I've got!
All I've got is insane
All I've got!
All I've got is insane!
All I've got!
All I've got is insane!
All I've got!
All I've got is insane!
I push my fingers into my eyes
It's the only thing that slowly stops the ache
But it's made of all the things I have to take
Jesus it never ends, It works it's way inside
If the pain goes on
I'm not gonna make it!
setembro 04, 2009
Vê se não vai demorar
My diary:
Aqui é úmido e mudo. Está muito escuro e sei que mais um passo que eu dê será o fim. Mas eu não posso mesmo mais andar.
Minhas asas me foram arrancadas e a ferida está doendo demais. E vai sangrar até que eu morra branca e fria. Mas eu me prometi uma vez que não seriam arrancadas lágrimas dos meus olhos jamais.
Quebrei a promessa.
Você também queraria se estivesse no meu lugar.
E aliás, todos quebram promessas. Uma ou mais vezes.
Não há mais fuga, mas eu ainda estou na esperança de você vir me resgatar. E ainda que eu saiba que você não o fará.
À que eu poderia me agarrar senão à única força que ainda me resta?
Não posso sair daqui só. Se você não vem, é aqui que me despeço.
Me salva por favor! Porque meus segundos estão acabando. E eu queria de verdade não morrer por aqui.
Me salva?
Eu te salvo tantas outras vezes...
Não precisa me devolver minhas asas que você tanto quis. E presente não se devolve.
Só me ensina a viver sem elas e me ajuda a fechar esta ferida. E segura o meu sangue pra eu viver. Depois disso eu consigo seguir. Prometo que os próximos passos são só meus.
Só me ensina a viver sem elas e me ajuda a fechar esta ferida. E segura o meu sangue pra eu viver. Depois disso eu consigo seguir. Prometo que os próximos passos são só meus.
Poesia da semana:
Lanterna dos Afogados
(Hebert Vianna)
Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar
Eu estou na lanterna dos afogados
Eu estou te esperando
Vê se não vai demorar
Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar
Há uma luz no túnel dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar
Eu estou na lanterna dos afogados
Eu estou te esperando
Vê se não vai demorar
Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar
E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar
Eu tô na lanterna dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar
fevereiro 14, 2009
Vontade
Tudo o que eu queria agora (já que não adianta querer o seu abraço) era poder passar a tarde inteirinha chorando, e continuar assim até dormir.
Porque te quero com força tal, que já não controlo (como costumava fazer) as emoções.
E te quero solitáriamente e sem retorno.
Mas tenho que ficar aqi e segurar as lágrimas, com a força de uma represa segurando um rio inteiro.
novembro 22, 2008
Confissão do esgotamento total
My Diary:
Esgotamento é quando sua cabeça não quer mais pensar as coisas que ela deve ou está pensando.
É quando seu corpo não quer mais fazer as coisas que ele deve ou está fazendo.
É quando seu coração não quer mais sentir as coisas que ele deve ou está sentindo.
O esgotamento é aquilo que te faz se perguntar porquê você está se perguntando tanto.
E te faz não quer perguntar mais nada, porque as respostas já te cansaram.
E o raciocínio lógico também. É quando chorar não faz mais efeito. E o sorriso também não quer mais aparecer.
E quando pensar em chorar já dá cansaço nas articulações.
É quando a dor é tanta, mas é tão banal que você nem mais sente. E também não tem mais vontade de tomar remédio.
Este esgotamento é o que te faz ser infeliz e nem querer buscar o motivo disto.
Te tira a fome, a sede. Mas também não te deixa saciado.
Te dá a certeza de que tudo estagnou. Mas você nem percebe que tem esta certeza. Porque você não sabe que há certeza de alguma coisa.
A vida anda parada. Os sons demoram a chegar. Seu ouvido demora a percebê-los.
Quando o esgotamento chega, você sequer pensa em buscar a felicidade. Você só quer dormir e não acordar mais.
Você só quer desistir.
O esgotamento é o que te faz querer abdicar. Fugir! Gritar!
I GIVE UP!!!!
E você grita... O som ecoa...
Nada acontece...
E eu estou a um triz de desistir desta vida.
Poesia da Semana:
Receita para dias de chuva
(Roseana Murray)
Dia de chuva é para viajar
na neblina e no vento
para dentro para dentro.
um livro fechado espera
que se abram as suas portas
com as chaves do pensamento.
na neblina e no vento
para dentro para dentro.
um livro fechado espera
que se abram as suas portas
com as chaves do pensamento.
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Roseana Murray
setembro 06, 2008
Pá furada
My Diary:
Quanta bobeira...
É bobeira, eu ter uma possibilidade, um caminho que poderia ser seguido e a cada vez que eu vou chegando perto dele, dou um jeito de desviar o rumo. De fugir.
E eu sempre fujo.
E eu sempre fujo, sem exceção.
Mas por que eu fujo? Porque eu me escondo de mim mesma?
Acho que esse blog é a única maneira que eu tenho de tentar ser sincera comigo.
Eu tenho que me esperar cismar de escrever, para eu me ler e descobrir o que eu estou escondendo de mim.
Por que tanta dificuldade de me assumir o que eu penso e sinto?
Porque tanto medo de seguir o caminho que se abriu a minha frente?
Aí eu fico com essa vontade entalada aqui. Me consumindo e me tentando.
Uma ânsia de saber o que aconteceria se eu me deixasse levar, pelo menos por um minuto.
Sabe quando fica aquela coisa presa dentro de você, com uma vontade de escapar?
Mas que eu não deixo escapar nunca.
E apesar de saber que é isso que me faz ir perdendo as partes pelo caminho, eu continuo não deixando escapar.
Mesmo sabendo que a angústia que carrego fosse se esvair se eu confessasse.
Eu tenho certeza absoluta que este nó que está em mim iria se desfazer. Mas simplesmente, escondo.
Quanta bobeira...
Meu Deus, quanta bobeira...
Será que eu ainda não aprendi que eu só perdi todas as vezes que eu tentei me esconder de mim... E de outros?
Mas dá uma vontade...
Vai, dancer! Deixa de se esconder!
Assume, que o pior que pode acontecer, é nada mudar... É ficar estagnada.
Piorar as coisas não podem.
Ou podem?
É por esse risco que eu me guardo. E me consumo.
É claro que eu tenho glândulas lacrimais... E é claro que eu também amo. Só que nem todo mundo precisa saber disso...
Crônica da Semana:
Vendo Ka 99
(De Henrique Szklo)
Meus queridos e desconhecidos amigos, a vaca foi para o brejo. E aparentemente só comprou bilhete de ida. Quem me acompanha sabe que faz um tempinho que estou à beira da falência. Pois é, gente, mergulhei nela de cabeça. Estou perdendo o controle de minhas finanças mais vou vender caro esta derrota. Minha última alternativa, minha derradeira esperança é tentar vender algumas coisas que eu tenho (e outras que não tenho) para fazer algum caixa enquanto não sou inexoravelmente arremessado para debaixo de alguma ponte. Por isso, além do carro, fiz uma lista daquilo o que eu tenho disponível para vender e espero, sinceramente, que vocês ponham a mão na consciência e depois no bolso para me ajudar. Não querendo ser indelicado, seria bom vocês se darem conta de que já faz tempo que vocês riem de graça às minhas custas. Chegou a hora de retribuir. Propostas sérias podem ser feitas através do meu e-mail, localizado no final desta coluna. Brincadeirinhas, ironias, sarcasmos e comentários inúteis em geral eu estou dispensando no momento, obrigado. Vamos falar de businness, senhores.
Para começar acho que tenho de vender o que dói menos. Vou vender minha alma ao diabo. Quer dizer, para falar a verdade eu não tenho bem certeza de já não ter feito isso antes. Tudo bem, vai, tem tanta gente que vende um imóvel duas vezes e vai pro céu, não sou eu que vou ter de pagar o pato. Até porque não tenho dinheiro para pagar nada. Muito menos um pato.
Outra coisa que vou vender é o almoço para comprar a janta. E conforme a proposta, posso também vender a janta para comprar o café da manhã do dia seguinte e assim por diante. O que me conforta é saber que o Lula tem feito de tudo para que eu tenha três refeições por dia. Enquanto isso, quem quer comprar dois pedaços de pizza de calabresa?
Vou vender meus LPs do Roberto Carlos da época da Jovem Guarda, minha coleção de bonecos do Topo Gigio, 10 times de botão um pouco desfalcados e um kit faroeste completo, composto de dois revólveres de espoleta, cartucheira e estrela de xerife.
Eu estava pensando até em vender saúde, mas já que não está em muito bom estado eu não teria coragem de oferecer para um amigo. Por outro lado posso fracionar o lote. Dividir em partes, ou seja, posso vender alguns órgãos. Tenho tantos. E provavelmente não uso todos ou os uso de forma exagerada e com desperdício. Tenho certeza de que com um pouco de disciplina e uma boa dose de bom senso posso perfeitamentamente aprender a conviver com a ausência de algum ou alguns deles. Além de ser circuncidado, já me separei uma vez, por isso tenho uma certa experiência em mutilações em geral.
Quem aí quer comprar este espaço no Blônicas? Até agora não ganhei nada para escrever aqui, mas tenho certeza que pode render milhões a alguém que saiba o que fazer com ele. Tem uns pequenos problemas, mas quem não os tem? Não posso colocar imagens no meu texto, acho o template muito sem graça e às vezes recebo críticas muito ofensivas. Mesmo assim acho que posso conseguir um bom preço por ele. Gente sem critério é o que não falta neste mundo.
Para vender sangue eu sei que rola um sanduichinho, mas e vender esperma, será que dá dinheiro? É, mas não adianta. Eu jamais poderia fazer uma coisa destas. Não por recriminação, ao contrário: recolheria o material com todo o prazer (sic). Mas ando falhando tanto ultimamente que uma vez broxei me masturbando. Me deu tanta vergonha que fiquei uma semana sem conseguir olhar para a minha mão direita. Já o Max, meu cachorro, está em plena forma. Me disseram, inclusive, que na raça dele uma trepadinha custa uns mil reais. Nada mal para um cara que acabou de sair dos coeiros, se é que cachorro usa coeiros.
Entre objetos de uso pessoal tenho uma arvorezinha meio enferrujada do Prêmio Abril que uso como peso de porta, uma agenda de 2002 (na caixa), mais de cem camisas da Ópera Bufa (quem se lembra?), 25 pares de óculos com pequenos defeitos e um pente com pouco uso.
Estou também em negociações avançadas para me vender aos interesses estrangeiros e praticamente já acertei a venda da minha consciência aos inescrupulosos agentes do capitalismo selvagem.
Meu último bastião, coisa que eu vou detestar fazer, apesar de inevitável, será vender a minha querida e adorável mãe. Excelente estado, único dono, toda original. Peça de colecionador. E, ao contrário do que diz a piada, eu entrego sim. Se não chover.
agosto 30, 2008
Anjo...
My Diary:
E a falta que você faz é indizível. E a saudade que me aperta o peito nunca passa.
E eu, que tola, pensei que fosse passar.
Mas cada vez mais me dói e nunca passa.
E me perdoe, mas não posso fazer de outra forma. Me deixa pensar em você como um corpo morto. Como carne em estado de putrefação e que agora já não resta muito mais que um pouco de pele, ossos e pêlos.
Me deixa pensar em você como em ser inanimado, que já não faz nada que não se degradar e se misturar ao solo. Contaminando-o, mas ainda o tornando fértil.
Prefiro te imaginar como alimento para os vermes. Matéria orgânica. Matéria, e só.
Me deixa pensar assim, porque se não o fizer não sei o que será de mim.
Por favor, deixa, porque não posso pensar no anjo, que tantas vezes salvou a minha vida, e que agora não está mais aqui para me resgatar quando eu preciso. No sorriso mais sincero que alguém jamais poderia ver. Na pessoa que me guardou tanto, sem sequer fazer questão de ser vista.
Não me faz lembrar que você é o abraço que eu não posso mais ter. Na amizade que já não existe.
Por favor, não me obrigue a lembrar que não posso te tocar, sequer te ver, porque sempre que o lembro, me sinto morrer.
E não quero sentir isso que estou sentindo enquanto te escrevo esta carta que você não pode ler. Não me deixa lembrar, anjo, que apesar de eu te amar ainda, você não pode sentir isso. E que também não me ama, porque você não mais existe.
Sabe, não é justo mesmo, eu ter todas essas lágrimas e você não as ter também. Não é justo eu estar chorando sozinha agora. Mas eu te perdôo por isso, já que tantas vezes você me secou as lágrimas.
Não te ofendas, mas prefiro lembrar de ti só como um corpo, porque se lembro que você foi é não é mais, tenho vontade de estar em seu lugar.
Poesia da Semana:
No elevador do filho de Deus
(Elisa Lucinda)
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo, sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo e me torno moribundo de doer daquele corte do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas, dentro das alegrias havidas
(...)
E a falta que você faz é indizível. E a saudade que me aperta o peito nunca passa.
E eu, que tola, pensei que fosse passar.
Mas cada vez mais me dói e nunca passa.
E me perdoe, mas não posso fazer de outra forma. Me deixa pensar em você como um corpo morto. Como carne em estado de putrefação e que agora já não resta muito mais que um pouco de pele, ossos e pêlos.
Me deixa pensar em você como em ser inanimado, que já não faz nada que não se degradar e se misturar ao solo. Contaminando-o, mas ainda o tornando fértil.
Prefiro te imaginar como alimento para os vermes. Matéria orgânica. Matéria, e só.
Me deixa pensar assim, porque se não o fizer não sei o que será de mim.
Por favor, deixa, porque não posso pensar no anjo, que tantas vezes salvou a minha vida, e que agora não está mais aqui para me resgatar quando eu preciso. No sorriso mais sincero que alguém jamais poderia ver. Na pessoa que me guardou tanto, sem sequer fazer questão de ser vista.
Não me faz lembrar que você é o abraço que eu não posso mais ter. Na amizade que já não existe.
Por favor, não me obrigue a lembrar que não posso te tocar, sequer te ver, porque sempre que o lembro, me sinto morrer.
E não quero sentir isso que estou sentindo enquanto te escrevo esta carta que você não pode ler. Não me deixa lembrar, anjo, que apesar de eu te amar ainda, você não pode sentir isso. E que também não me ama, porque você não mais existe.
Sabe, não é justo mesmo, eu ter todas essas lágrimas e você não as ter também. Não é justo eu estar chorando sozinha agora. Mas eu te perdôo por isso, já que tantas vezes você me secou as lágrimas.
Não te ofendas, mas prefiro lembrar de ti só como um corpo, porque se lembro que você foi é não é mais, tenho vontade de estar em seu lugar.
Poesia da Semana:
No elevador do filho de Deus
(Elisa Lucinda)
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo, sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo e me torno moribundo de doer daquele corte do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas, dentro das alegrias havidas
(...)
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dezembro 10, 2007
Pierrot e Colombina
(no Weblogger - o falecido - segunda-feira, 10 de dezembro de 2007)
My Diary:
My Diary:
O Pierrot sofre pelo amor jamais encontrado e não faz se não chorar por sua Colombina. Colombina esta que jamais percebeu que o pobre palhaço tristonho vendeu sua alma ao diabo, com a esperança de poder olhar seu rosto pelo resto dos seus dias solitários.
Cega Colombina... Cega! Que não pode ver o palhaço triste definhar durante anos até sumir!
Mas o que acontece quando é a Colombina que chora pelo amor do Pierrot?
E choro pelo meu Pierrot.
Humor da Semana:
10 erros do cinema nacional
(Lusa Silvestre)
1 - Mulher Pelada:
Hoje está todo mundo vestido. Isso vai contra a nossa cultura. O cinema nacional sempre mostrou a mulherada das novelas peladas, quase sempre antes das revistas masculinas. E melhor: em movimento.
2 - Cenas no meio da caatinga:
Quer coisa mais brazuca que um tiroteio entre cangaceiros e a poliça? O máximo que aparece hoje é a Fernanda Montenegro procurando gente no sertão pra entregar carta. Desarmada.
3 - Roteiros do Nélson Rodrigues:
Eram diversão garantida. Sempre histórias cabeludas, e trazendo mulheres loucas pra mostrar um peitinho pro primeiro primo disponível.
4 - Perseguições de Dodge e Opala:
As perseguições de Hollywood eram em San Francisco. As nossas, na 23 de maio. Agora, pra rever aqueles Dodjões cor de sopa de cenoura, só mesmo indo no pátio do Detran.
5 - Fotografia:
Bons tempos quando o filme parecia ter sido revelado num vidro de cândida. Atualmente, estão até retocando cor na pós produção. É o mesmo que tirar o verde da Amazônia.
6 - Palavrões:
Justiça seja feita: eles ainda são ouvidos. Mas sempre fazendo parte do contexto. Não pode: cinema nacional é palavrão gratuito. De preferência, fora de sincronia. Eu te amo, porra!
7 - Trilha Sonora:
Gilliard, Bartô Galeno, Magal, Perla, quanta gente boa já cantou nos nossos cinemas. Pra esses caras voltarem pra telona, só se a Marisa Monte regravar.
8 - Aberturas:
Cinema brasileiro é libertário, é revolução, é Glauber. É abertura de filme com cartolina e canetinha. Necas de computador, design, etc. Isso tudo é coisa de povo aculturado.
9 - Títulos dos Filmes:
Virou moda batizar um filme pensando na versão pro mercado americano. E por causa disso, perde-se todo o humor brasileiro. Como traduzir sutilezas de sentido dúbio como Baralho e Tênis?
10 - Lucélia Santos:
Cadê a Lucélia Santos, que tantas alegrias nos deu em filmes como "Engraçadinha" ou "Bonitinha mas Ordinária"? A nova geração só vai lembrar da Lucélia como Escrava Isaura. Que além de chata pacas, se vestia até o pescoço.
Hoje está todo mundo vestido. Isso vai contra a nossa cultura. O cinema nacional sempre mostrou a mulherada das novelas peladas, quase sempre antes das revistas masculinas. E melhor: em movimento.
2 - Cenas no meio da caatinga:
Quer coisa mais brazuca que um tiroteio entre cangaceiros e a poliça? O máximo que aparece hoje é a Fernanda Montenegro procurando gente no sertão pra entregar carta. Desarmada.
3 - Roteiros do Nélson Rodrigues:
Eram diversão garantida. Sempre histórias cabeludas, e trazendo mulheres loucas pra mostrar um peitinho pro primeiro primo disponível.
4 - Perseguições de Dodge e Opala:
As perseguições de Hollywood eram em San Francisco. As nossas, na 23 de maio. Agora, pra rever aqueles Dodjões cor de sopa de cenoura, só mesmo indo no pátio do Detran.
5 - Fotografia:
Bons tempos quando o filme parecia ter sido revelado num vidro de cândida. Atualmente, estão até retocando cor na pós produção. É o mesmo que tirar o verde da Amazônia.
6 - Palavrões:
Justiça seja feita: eles ainda são ouvidos. Mas sempre fazendo parte do contexto. Não pode: cinema nacional é palavrão gratuito. De preferência, fora de sincronia. Eu te amo, porra!
7 - Trilha Sonora:
Gilliard, Bartô Galeno, Magal, Perla, quanta gente boa já cantou nos nossos cinemas. Pra esses caras voltarem pra telona, só se a Marisa Monte regravar.
8 - Aberturas:
Cinema brasileiro é libertário, é revolução, é Glauber. É abertura de filme com cartolina e canetinha. Necas de computador, design, etc. Isso tudo é coisa de povo aculturado.
9 - Títulos dos Filmes:
Virou moda batizar um filme pensando na versão pro mercado americano. E por causa disso, perde-se todo o humor brasileiro. Como traduzir sutilezas de sentido dúbio como Baralho e Tênis?
10 - Lucélia Santos:
Cadê a Lucélia Santos, que tantas alegrias nos deu em filmes como "Engraçadinha" ou "Bonitinha mas Ordinária"? A nova geração só vai lembrar da Lucélia como Escrava Isaura. Que além de chata pacas, se vestia até o pescoço.
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dezembro 01, 2007
Doendo
(no Weblogger - o falecido - sábado, 1 de dezembro de 2007)
My Diary:
Ainda que eu fuja, e apesar do remorso que isso me cause, não consegui ainda desviar minha atenção da sua íris...
Ai... Quantos minutos será que gastei esta semana tentando me desvencilhar do seu olhar enquanto me perdia tentando decifrar o que passava pela sua mente?
Nossa... está sendo difícil fugir dele a todo tempo... Achei que fosse capaz de me esconder, mas cada vez que fujo para dentro de mim mesma, ele aparece na minha frente para tirar meu sono e me lembrar que já estou totalmente entorpecida!
E cada vez que me convenço que não vale a pena e que só tenho tudo a perder, ele se entranha nas minhas narinas só para me fazer sentir vontade de me entregar de vez...
Só porque tenho medo de tudo isso,
só porque já tenho o amor com que sonhei a vida inteira,
só porque tenho o homem com quem quero envelhecer,
às vezes penso em desistir de tudo isso só para tê-lo...
Queria que fosse só às vezes...
Poesia da semana:
Amar
(Mario Quintana)
Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.
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