É quando dá vontade de pedir desculpas por todo amor que eu não dei e fiz questão de deixar esquecido, bem fora do alcance, para que ninguém pudesse ver. Lamentar terminantemente por deixar tantas almas irem embora sem nem ter tido um toque de doçura que eu bem sei que sempre tive pronto e implorar por perdão por não ter retribuído, nem minimamente, todo afeto que ganhei.
Nessas horas, dá uma pena danada de mim e da beleza de que privei o mundo enquanto fico imaginando os risos que os sorrisos que não arranquei e nem ganhei.
Questiono onde estive, que de tão escondida, nem eu mesma me achei.
E quero, por um segundo, sair do armário, correndo pelas ruas, arrancando as roupas e bradando aos ventos que estou pronta para amar de novo.
Mas é só um segundinho.
Depois tudo volta ao normal.
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fevereiro 16, 2016
fevereiro 12, 2015
Adesivos de estrelinhas e canetas coloridas
Confesso que senti ciúmes de você. Sinto quase sempre, na verdade. Algo que não esperava e nem quero, mas nem por isso desgosto. Pelo contrário. Sentir ciúmes de você é o tipo de coisa que não é boa, mas é gostosa.
Tinha tanto tempo que eu não sentia algo embaralhar meu estômago assim que faz parecer que é a primeira vez. Virei adolescente de novo, e fiquei lá, te deixando me causar ciumes sem saber o que fazer. Despertaram-se sensações que eu não lembrava como eram e que achei que jamais voltariam.
Você virou minha distração intencional. Fico muitas horas à sua espera todo dia, pensando em como chamar sua atenção e que desculpas usar para te extrair palavras e interesse. Planejo tramas para estar nos itens da sua lista de ocupações. Então você aparece e eu fico muda, rubra, gaga, derretida, com os braços perdidos, me escondendo atrás dos meus próprios cabelos. E mais um monte de sensações imaturas que dão vontade de escrever em diário e enfeitar com adesivos metálicos de coração.
Sorte. Você é uma nova viagem para dentro de mim ao resgate daquilo que eu perdi. Trouxe a lembrança de que eu estou viva e eu agradeço cada vez que meus órgãos internos se reviram de prazer e desprazer por seu incrível desinteresse. Não era pra ser assim e, por sorte, durará pouco. Talvez o certo seria eu me concentrar de deixar você fugir do meu juízo. Mas não me leve a mal, não vai dar não. É uma delícia essa minha perturbação por você.
Tinha tanto tempo que eu não sentia algo embaralhar meu estômago assim que faz parecer que é a primeira vez. Virei adolescente de novo, e fiquei lá, te deixando me causar ciumes sem saber o que fazer. Despertaram-se sensações que eu não lembrava como eram e que achei que jamais voltariam.
Você virou minha distração intencional. Fico muitas horas à sua espera todo dia, pensando em como chamar sua atenção e que desculpas usar para te extrair palavras e interesse. Planejo tramas para estar nos itens da sua lista de ocupações. Então você aparece e eu fico muda, rubra, gaga, derretida, com os braços perdidos, me escondendo atrás dos meus próprios cabelos. E mais um monte de sensações imaturas que dão vontade de escrever em diário e enfeitar com adesivos metálicos de coração.
Sorte. Você é uma nova viagem para dentro de mim ao resgate daquilo que eu perdi. Trouxe a lembrança de que eu estou viva e eu agradeço cada vez que meus órgãos internos se reviram de prazer e desprazer por seu incrível desinteresse. Não era pra ser assim e, por sorte, durará pouco. Talvez o certo seria eu me concentrar de deixar você fugir do meu juízo. Mas não me leve a mal, não vai dar não. É uma delícia essa minha perturbação por você.
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junho 15, 2013
A primavera é aqui também
Estão todos se unindo, entendendo que sozinhos não chegamos à lugar algum. Que quaisquer ações e pensamentos egoístas são só medidas paliativas - que servem de tapa-buracos para vazios internos gerados por toda essa falta de esperança no outro -, para satisfações momentâneas, que não durarão nem até amanhã.
Então aconteceu que a gente acordou, jogou água no rosto, bebeu o ultimo gole de cachaça e saiu disposto a não mais ser chicoteado. Nenhum tapinha nas costas mais, amigo, nada vai consolar o cansaço desta gente.
É lindo finalmente ver as pessoas se levantando e se movendo e usando pensamentos como se fossem todos um singular, único e invulnerável organismo gigante. E somos. Somos gigantes. Somos um só.
Somos as engrenagens do relógio do mundo.
Estamos acontecendo.
Vamos agradecer aos que têm coragem e lutar!
Vamos agradecer àqueles que não precisam estar correndo atrás do pão de cada dia, e, por isso. podem parar suas vidas para lutar por aqueles que estão apanhando diariamente.
Vamos agradecer àqueles que estão deixando tudo de lado, porque acreditam que ainda têm conserto.
Vamos agradecer mesmo aos que têm medo de pintar a cara, mas que estão, não silenciosamente, aplaudindo, bradando, honrado àqueles que estão lá.
Honramos a flor que nasce. Em cada cidade em que ela é plantada.
Somos a flor que nasce.
As fotos que seguem não têm legenda, porque não importa quem foram os fotógrafos ou em que cidades foram tiradas. Não importam as fronteiras, a luta é a mesma.
Obrigada, gente, por reacender as esperanças.
Então aconteceu que a gente acordou, jogou água no rosto, bebeu o ultimo gole de cachaça e saiu disposto a não mais ser chicoteado. Nenhum tapinha nas costas mais, amigo, nada vai consolar o cansaço desta gente.
É lindo finalmente ver as pessoas se levantando e se movendo e usando pensamentos como se fossem todos um singular, único e invulnerável organismo gigante. E somos. Somos gigantes. Somos um só.
Somos as engrenagens do relógio do mundo.
Estamos acontecendo.
Vamos agradecer aos que têm coragem e lutar!
Vamos agradecer àqueles que não precisam estar correndo atrás do pão de cada dia, e, por isso. podem parar suas vidas para lutar por aqueles que estão apanhando diariamente.
Vamos agradecer àqueles que estão deixando tudo de lado, porque acreditam que ainda têm conserto.
Vamos agradecer mesmo aos que têm medo de pintar a cara, mas que estão, não silenciosamente, aplaudindo, bradando, honrado àqueles que estão lá.
Honramos a flor que nasce. Em cada cidade em que ela é plantada.
Somos a flor que nasce.
As fotos que seguem não têm legenda, porque não importa quem foram os fotógrafos ou em que cidades foram tiradas. Não importam as fronteiras, a luta é a mesma.
Obrigada, gente, por reacender as esperanças.
Estarei aí com vocês.
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maio 30, 2013
O que não faz um par de brincos na orelha direita
Passando batom. Rímel. Blush. E todas essas "feminilidades" que usamos para nos sentirmos melhores do que achamos que somos. Hoje saí armada de cosméticos e promessas de sedução e pele perfeita, e, não é por nada não, mas essa besteirada toda é muito interessante.
Sai toda acreditando-me, caminhando com fulgor até o momento em que olhei o reflexo do retrovisor de um carro, estacionado ao meu caminho, enquanto esperava apara atravessar a rua. Que curioso, o que eu vi.
Naquele reflexo estava eu.
Encontrei ali, muito além de uma máquina de fazer operações matemáticas ou digitar caracteres por segundo. Tinha gente viva ali dentro.
Então tomei meu pulso. Havia pulso aqui, dentro de mim.
Fui percebendo o trabalho de cada um dos meus órgãos e das minhas células. As trocas gasosas nos alvéolos pulmonares, os pulsos elétricos percorrendo todos os meus nervos, os poros se abrindo, minhas mitocôndrias consumindo glicose indiscriminadamente. A temperatura do corpo mudando discretamente. Os músculos da face se articulando com a surpresa das descobertas.
Tão de repente. Tanta certeza de que eu existo de verdade. Tanta coisa que estava perdida e escondida por detrás de uma cortina de razões e preocupações estupidas.
Até que ventou. E eu senti meus cabelos balançarem enquanto fechava meus olhos para deixar o mundo acarinhar minhas têmporas.
Então reacordei do meu mergulho interno e olhei em volta. Perdi o tempo de atravessar a rua. Agora, mais um minuto de espera para chegar ao meu destino.
Pára. Escuta.
Havia tanta gente também.
Gente viva como eu.
Batom. De novo.
Sorriso.
Senti o cheiro da leveza. E sorri de novo. Outra vez, de maneira furtiva.
Estou toda furtiva, tão de repente. Nem vi, e já estava existindo.
Minha dança volta acontecer. Quer ver?
Agora tenho trilha sonora nova.
Se ficar olhando vai me ver dançar.
Música:
(Eu to toda me querendo, toda me sentindo. E a música é vazia demais para dispor a letra de maneira escrita. E não acompanha bem o post. Mas ela é relevante o bastante para aparecer aqui, em algum momento. E me permitam, sou carioca! ;)
Música para ilustrar: Show das Poderosas - Mc Anitta
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Paixão
fevereiro 22, 2013
Acontece
Estão todos ali. Em abraços e beijos. E sorrisos. E vida. E certezas.
A felicidade se instalou no interior daquele espaço e adentrou a alma daqueles que a envolviam. E escapava através dos olhares.
Aconteceu que eu pude ver.
Estavam todos ali.
E o amor sussurrava no meu ouvido o quanto eu não posso permitir que eles desapareçam dali.
Sou grata àqueles que mantém meu sorriso aberto. Sempre são. Sempre pleno.
A felicidade se instalou no interior daquele espaço e adentrou a alma daqueles que a envolviam. E escapava através dos olhares.
Aconteceu que eu pude ver.
Estavam todos ali.
E o amor sussurrava no meu ouvido o quanto eu não posso permitir que eles desapareçam dali.
Sou grata àqueles que mantém meu sorriso aberto. Sempre são. Sempre pleno.
janeiro 26, 2012
Recomeço
Música para acompanhar: Kiss From A Rose - Seal
A nossa vida termina a cada trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas aproximadamente. E recomeça quando se atinge essa fatídica sexta hora.
E por um súbito abrimos os olhos cansados e temos certeza de que os passos serão mais lentos e firmes a partir deste momento surgido das cinzas, que as palavras terão mais fluidez e que o riso será mais fácil. E enganando o espírito nos deixamos esquecer que não se findou e iniciou uma nova vida, mas que é apenas o primeiro minuto chegado depois da vigésima quarta hora do dia anterior, amargurado, desesperançado e despedaçado.
No âmago, sempre sabemos que se trata de cada vez mais lutas contra predadores e presas para alimentar-se e para dormir com o mínimo de paz que um coração acelerado consegue ter.
Então o que o corpo - a vida - pede é amor.
Amor o bastante para aquietar os ânimos já muito exaltados e aliviar as feridas abertas no peito sem clemência ou anestesia. Que lhe permita aquele segundo de eternidade quando você acorda e sente cheiro de pele limpa antes de regressar ao sono. Para olhar as contas do mês com serenidade e ir comer pipoca doce.
A vida nunca será fácil e as lágrimas virão atormentar-(m)te com uma freqüência maçante. Mas talvez o coração um dia esteja calmo e são.
Vai chover muito em Março, e muitos lares se abalarão. O esgotamento físico já estará crítico em Junho. Haverá frio e solidão excessivas em agosto.
Mas o que se pode esperar para os dias que virão, do ano que está ainda em formação - mas que já carrega o fardo das dores e experiências do que passou - senão o amor?
Poesia
Esperemos
(Pablo Neruda)
Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.
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julho 27, 2008
Halo Solar
My Diary:
O diferente atrai... O novo atrai... Atrai e muito!
A primeira vista, o que é estranho lhe causa um certo receio.
Pelo menos, a mim, precavida em excesso, o diferente é encarado a primeira vista com certa cautela.
Tenho mania de calcular tudo, do início ao fim. Principalmente a força da gravidade, pois quanto maior ela for, maior o impacto da queda (e eu realmente pretendo morrer sem jamais partir um osso).
E vou caminhando na ponta dos dedos, experimentando cada passo neste solo novo...
Mas depois - e depois pode ser apenas alguns segundos depois - começa a se tornar algo tão interessante, deleitante, envolvente, que vai virando até dependência.
Uma vez que você é apresentado a um novo fenômeno, nunca mais quer viver de mesmices, nunca mais vai querer ficar na monotonia da vida segura e tranqüila.
Pouco vão lhe importar os riscos, o futuro, a forma com a qual acaba. Deixa! Pensar no perigo o priva das emoções, e aqui, nós estamos buscando novas emoções.
O novo até da um medinho, vamos assumir.
Mas uma vez que você é apresentado ao novo, vai buscando o novo a cada segundo.
Mata a sede na salina, foge do mundo em plena multidão, faz da tempestade um dia para tomar sol, e começa a pensar que o parélio nem é tão intrigante assim.
E vai buscando mil maneiras de sentir novas sensações e correr riscos, e virar tudo ao contrário, só para ver se é mais interessante calçar os anéis e colocar as luvas, ou beber do pão e comer do vinho, ou nadar nas nuvens e caminhar nas ondas... e tudo vai ficando tão diferente, e tão envolvente, e você vai entorpecendo, e já não sabe nem mais o que está dizendo, é só quer que o dia não acabe, porque ainda tem muito o que experimentar.
O novo atrai. E vicia. Você já não dorme, já não faz mais nada. Fica só na espera do que mais pode acontecer. E não importa como acaba. Deixa o fim para depois... O final é sempre igual... Não queremos o igual, queremos continuar experimentando todo esse novo êxtase de agora...
Poesia da Semana:
Canção do dia de sempre
(Mário Quintana)
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
O diferente atrai... O novo atrai... Atrai e muito!
A primeira vista, o que é estranho lhe causa um certo receio.
Pelo menos, a mim, precavida em excesso, o diferente é encarado a primeira vista com certa cautela.
Tenho mania de calcular tudo, do início ao fim. Principalmente a força da gravidade, pois quanto maior ela for, maior o impacto da queda (e eu realmente pretendo morrer sem jamais partir um osso).
E vou caminhando na ponta dos dedos, experimentando cada passo neste solo novo...
Mas depois - e depois pode ser apenas alguns segundos depois - começa a se tornar algo tão interessante, deleitante, envolvente, que vai virando até dependência.
Uma vez que você é apresentado a um novo fenômeno, nunca mais quer viver de mesmices, nunca mais vai querer ficar na monotonia da vida segura e tranqüila.
Pouco vão lhe importar os riscos, o futuro, a forma com a qual acaba. Deixa! Pensar no perigo o priva das emoções, e aqui, nós estamos buscando novas emoções.
O novo até da um medinho, vamos assumir.
Mas uma vez que você é apresentado ao novo, vai buscando o novo a cada segundo.
Mata a sede na salina, foge do mundo em plena multidão, faz da tempestade um dia para tomar sol, e começa a pensar que o parélio nem é tão intrigante assim.
E vai buscando mil maneiras de sentir novas sensações e correr riscos, e virar tudo ao contrário, só para ver se é mais interessante calçar os anéis e colocar as luvas, ou beber do pão e comer do vinho, ou nadar nas nuvens e caminhar nas ondas... e tudo vai ficando tão diferente, e tão envolvente, e você vai entorpecendo, e já não sabe nem mais o que está dizendo, é só quer que o dia não acabe, porque ainda tem muito o que experimentar.
O novo atrai. E vicia. Você já não dorme, já não faz mais nada. Fica só na espera do que mais pode acontecer. E não importa como acaba. Deixa o fim para depois... O final é sempre igual... Não queremos o igual, queremos continuar experimentando todo esse novo êxtase de agora...
Poesia da Semana:
Canção do dia de sempre
(Mário Quintana)
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
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março 22, 2008
Subitamente
(no Weblogger - o falecido - sábado, 22 de março de 2008)
My Diary:
Viver por nada, ou morrer por algo.
Vou viver seguindo meus princípios. Independente do quão difícil isso me possa parecer.
Será uma luta e uma briga constante. Será como enfrentar a savana todos os dias, mas, pelo menos, se tudo der errado algum dia, poderei dizer, com a consciência limpa, de que nada foi culpa minha, e que de repente, tudo estaria pior se eu tivesse deixado meus princípios para trás e me juntado à destruição.
Sei que assim vivendo, corro riscos.
Mas prefiro morrer por um ideal.
Quem sabe viro mártir!
Humor da semana:
Que mico, mãe!
(Thalita Rebouças)
- Se for a Lisa leva o telefone no banheiro. Mas só se for a Lisa, mãe! Se for o Ricardinho, POR FAVOR, PELAMORDEDEUS, fala que eu estou no banho, na academia, na acupuntura, no shopping, na dança do ventre, mas em hipótese alguma diga ou insinue o que eu estou realmente fazendo, tá? Entendeu?
Quando eu estou de trelelê com algum menino, principalmente em começo de trelelê, todo cuidado é pouco com a minha mãe. Ela tem mania de puxar conversa com todo mundo que me liga. Lembro bem uma vez quando ela atendeu o telefone, eu estava no banheiro botando minha leitura em dia, folheando a Caras tranqüilamente, e quase me enfiei privada adentro rumo ao Japão ao ouvi-la dizer para meu namorado de duas semanas (duas semanas!):
- Ih, Dudu, sabe onde a Isabela está? No trono! Há um tempão! Já avisei que qualquer dia vai aparecer com hemorróida! Ela senta na privada e esquece da vida, Dudu! É impressionante! Nunca sei se ela tá com dor de barriga ou se ela tá lendo. E você, Dudu? Também tem problema de prisão de ventre? Tem um supositório que é uma maravilha...
Essa é minha mãe. Como a gente sofre com mãe, né? Elas são, sem dúvida, tudo de bom na nossa vida, sem elas não estaríamos aqui, e coisa e tal, mas chega uma hora que o inevitável é constatado: depois que a gente faz 12 anos, ir ao cinema com elas, comprar roupa com elas, estar em lugares públicos com elas, as coisas que a gente fazia até ontem na maior naturalidade viram o maior mico do mundo. E quando mãe pega a gente na escola? Uuui.
Já pedi 375 vezes para ela ficar na rua de trás, mas ela ignora e fica bem na porta do colégio, pisca-pisca ligado, buzina apertada, Roberto Carlos nas alturas. Eu faço o possível para virar uma formiga e passar despercebida até o carro. Mas pensa que ela deixa? Aos urros, aos berros, ela anuncia sua mais nova aquisição:
- Isabelinha, u-hu! Achei aquele creme importado para espinha que você vivia me pedindo! Uma fortuna, mas acho que agora essas pipocas horrendas abandonam de vez a sua cara, filhota. Na força, na fé, upalêlêê!".
Upalelê!???? Ninguém merece! Mãezinhas, nós amamos vocês, muito mesmo, mas, acreditem, a pior coisa para a gente é ver vocês nos tratarem em público exatamente como vocês faziam 10 anos atrás. Mas depois a gente cresce, muda tudo, e voltamos a ser amigas tipo unha e cutícula, tá? Prometo.
Quando eu estou de trelelê com algum menino, principalmente em começo de trelelê, todo cuidado é pouco com a minha mãe. Ela tem mania de puxar conversa com todo mundo que me liga. Lembro bem uma vez quando ela atendeu o telefone, eu estava no banheiro botando minha leitura em dia, folheando a Caras tranqüilamente, e quase me enfiei privada adentro rumo ao Japão ao ouvi-la dizer para meu namorado de duas semanas (duas semanas!):
- Ih, Dudu, sabe onde a Isabela está? No trono! Há um tempão! Já avisei que qualquer dia vai aparecer com hemorróida! Ela senta na privada e esquece da vida, Dudu! É impressionante! Nunca sei se ela tá com dor de barriga ou se ela tá lendo. E você, Dudu? Também tem problema de prisão de ventre? Tem um supositório que é uma maravilha...
Essa é minha mãe. Como a gente sofre com mãe, né? Elas são, sem dúvida, tudo de bom na nossa vida, sem elas não estaríamos aqui, e coisa e tal, mas chega uma hora que o inevitável é constatado: depois que a gente faz 12 anos, ir ao cinema com elas, comprar roupa com elas, estar em lugares públicos com elas, as coisas que a gente fazia até ontem na maior naturalidade viram o maior mico do mundo. E quando mãe pega a gente na escola? Uuui.
Já pedi 375 vezes para ela ficar na rua de trás, mas ela ignora e fica bem na porta do colégio, pisca-pisca ligado, buzina apertada, Roberto Carlos nas alturas. Eu faço o possível para virar uma formiga e passar despercebida até o carro. Mas pensa que ela deixa? Aos urros, aos berros, ela anuncia sua mais nova aquisição:
- Isabelinha, u-hu! Achei aquele creme importado para espinha que você vivia me pedindo! Uma fortuna, mas acho que agora essas pipocas horrendas abandonam de vez a sua cara, filhota. Na força, na fé, upalêlêê!".
Upalelê!???? Ninguém merece! Mãezinhas, nós amamos vocês, muito mesmo, mas, acreditem, a pior coisa para a gente é ver vocês nos tratarem em público exatamente como vocês faziam 10 anos atrás. Mas depois a gente cresce, muda tudo, e voltamos a ser amigas tipo unha e cutícula, tá? Prometo.
outubro 28, 2007
Ativista
(no weblogger - o falecido - domingo, 28 de outubro de 2007)
My Diary:
Já se sentiram com vontade de ganhar o Nobel da Paz?
Já se sentiram com vontade de ganhar o Nobel da Paz?
O que mais passou pela minha cabeça essa semana, foi me sentir totalmente impotente e insegura neste mundo.
Com vontade de mudar tudo e me sentindo totalmente sem poder para isso.
Vendo crianças lutando pela sobrevivência e sendo exploradas e sem fazer coisa alguma...
E tanta dor que passa por mim ao ver isso...
E tanto medo de tentar fazer alguma coisa também...
Ai, mundo mundo vasto mundo... Se eu me chamasse Raimundo... De repente fosse tudo diferente!
Boa semana para todos!
Poesia da Semana:
Canção
Canção
(Cecília Meireles)
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
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