Você será meu hoje. Somente meu. E conhecerá domínio tão inédito quanto inesperado.
Toda a sua atenção será voltada para a minha permanência, seus olhos observarão apenas minha figura e seus ouvidos se dedicarão exclusivamente para a minha voz.
Te terei em cada célula.
Você me abraçará como se te apavorasse a ideia de perder-me. Vai me espremer entre seus órgãos até nos fundirmos
Eu serei igualmente só sua e comerei seus beijos como se minha boca fosse o único lugar do mundo realmente seguro para você. Todo o meu afeto será dado às suas vontades e meu corpo será seu casulo.
Então seremos nós nossos até a exaustão. E haverá momentos em que não distinguiremos suor de lágrimas: seremos apenas sal. Na eternidade do minuto.
E amanhã seremos outros. De outros.
Distantes e plenos.
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março 30, 2016
junho 13, 2009
Aiai
My Diary:
Antigamente eu escrevia toda semana.
Mas isso era antigamente.
Na época em que as palavras não ficavam a um triz de fugir da minha boca e eu tinha a cabeça pouco menos ocupada do que está agora.
E sabe-se lá porque, apesar de não estar com os nervos à flor da pele e os sentimentos todos escapando pelos poros, àquela época me vinham coisas a escrever.
Quero ouvir, quero falar,quero sentir sabores e odores. Quero tantas coisas e tantas coisas distantes das minhas mãos.
E só o que eu penso é no quanto meus batimentos aceleram repentinamente. E o quanto são gostosos os meus suspiros inesperados.
Ao mesmo tempo que não me deixo cair, também não me deixo no chão. E é onde eu me perco. Mas porque se perder tem de ser necessariamente ruim?
É tudo tão confuso que minhas palavras perderam a coesão. Não estou apta a escrever. Não mesmo.
Muito menos a perceber o que estou pensando ou sentindo.
Acho que na verdade, estou estática. O mais estático que o meu corpo pode se manter.
Com os batimentos a 200 por minuto. Em repouso. Não quero saber como estão eles durante atividades físicas.
Não posso pensar na palavra "físicas" agora.
Ela me levaria a horas de escritos sem sentido...
Poesia da semana:
Panorama Além
(Cecília Meireles)
Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?
Antigamente eu escrevia toda semana.
Mas isso era antigamente.
Na época em que as palavras não ficavam a um triz de fugir da minha boca e eu tinha a cabeça pouco menos ocupada do que está agora.
E sabe-se lá porque, apesar de não estar com os nervos à flor da pele e os sentimentos todos escapando pelos poros, àquela época me vinham coisas a escrever.
Quero ouvir, quero falar,quero sentir sabores e odores. Quero tantas coisas e tantas coisas distantes das minhas mãos.
E só o que eu penso é no quanto meus batimentos aceleram repentinamente. E o quanto são gostosos os meus suspiros inesperados.
Ao mesmo tempo que não me deixo cair, também não me deixo no chão. E é onde eu me perco. Mas porque se perder tem de ser necessariamente ruim?
É tudo tão confuso que minhas palavras perderam a coesão. Não estou apta a escrever. Não mesmo.
Muito menos a perceber o que estou pensando ou sentindo.
Acho que na verdade, estou estática. O mais estático que o meu corpo pode se manter.
Com os batimentos a 200 por minuto. Em repouso. Não quero saber como estão eles durante atividades físicas.
Não posso pensar na palavra "físicas" agora.
Ela me levaria a horas de escritos sem sentido...
Poesia da semana:
Panorama Além
(Cecília Meireles)
Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.
Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...
Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.
Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?
julho 27, 2008
Halo Solar
My Diary:
O diferente atrai... O novo atrai... Atrai e muito!
A primeira vista, o que é estranho lhe causa um certo receio.
Pelo menos, a mim, precavida em excesso, o diferente é encarado a primeira vista com certa cautela.
Tenho mania de calcular tudo, do início ao fim. Principalmente a força da gravidade, pois quanto maior ela for, maior o impacto da queda (e eu realmente pretendo morrer sem jamais partir um osso).
E vou caminhando na ponta dos dedos, experimentando cada passo neste solo novo...
Mas depois - e depois pode ser apenas alguns segundos depois - começa a se tornar algo tão interessante, deleitante, envolvente, que vai virando até dependência.
Uma vez que você é apresentado a um novo fenômeno, nunca mais quer viver de mesmices, nunca mais vai querer ficar na monotonia da vida segura e tranqüila.
Pouco vão lhe importar os riscos, o futuro, a forma com a qual acaba. Deixa! Pensar no perigo o priva das emoções, e aqui, nós estamos buscando novas emoções.
O novo até da um medinho, vamos assumir.
Mas uma vez que você é apresentado ao novo, vai buscando o novo a cada segundo.
Mata a sede na salina, foge do mundo em plena multidão, faz da tempestade um dia para tomar sol, e começa a pensar que o parélio nem é tão intrigante assim.
E vai buscando mil maneiras de sentir novas sensações e correr riscos, e virar tudo ao contrário, só para ver se é mais interessante calçar os anéis e colocar as luvas, ou beber do pão e comer do vinho, ou nadar nas nuvens e caminhar nas ondas... e tudo vai ficando tão diferente, e tão envolvente, e você vai entorpecendo, e já não sabe nem mais o que está dizendo, é só quer que o dia não acabe, porque ainda tem muito o que experimentar.
O novo atrai. E vicia. Você já não dorme, já não faz mais nada. Fica só na espera do que mais pode acontecer. E não importa como acaba. Deixa o fim para depois... O final é sempre igual... Não queremos o igual, queremos continuar experimentando todo esse novo êxtase de agora...
Poesia da Semana:
Canção do dia de sempre
(Mário Quintana)
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
O diferente atrai... O novo atrai... Atrai e muito!
A primeira vista, o que é estranho lhe causa um certo receio.
Pelo menos, a mim, precavida em excesso, o diferente é encarado a primeira vista com certa cautela.
Tenho mania de calcular tudo, do início ao fim. Principalmente a força da gravidade, pois quanto maior ela for, maior o impacto da queda (e eu realmente pretendo morrer sem jamais partir um osso).
E vou caminhando na ponta dos dedos, experimentando cada passo neste solo novo...
Mas depois - e depois pode ser apenas alguns segundos depois - começa a se tornar algo tão interessante, deleitante, envolvente, que vai virando até dependência.
Uma vez que você é apresentado a um novo fenômeno, nunca mais quer viver de mesmices, nunca mais vai querer ficar na monotonia da vida segura e tranqüila.
Pouco vão lhe importar os riscos, o futuro, a forma com a qual acaba. Deixa! Pensar no perigo o priva das emoções, e aqui, nós estamos buscando novas emoções.
O novo até da um medinho, vamos assumir.
Mas uma vez que você é apresentado ao novo, vai buscando o novo a cada segundo.
Mata a sede na salina, foge do mundo em plena multidão, faz da tempestade um dia para tomar sol, e começa a pensar que o parélio nem é tão intrigante assim.
E vai buscando mil maneiras de sentir novas sensações e correr riscos, e virar tudo ao contrário, só para ver se é mais interessante calçar os anéis e colocar as luvas, ou beber do pão e comer do vinho, ou nadar nas nuvens e caminhar nas ondas... e tudo vai ficando tão diferente, e tão envolvente, e você vai entorpecendo, e já não sabe nem mais o que está dizendo, é só quer que o dia não acabe, porque ainda tem muito o que experimentar.
O novo atrai. E vicia. Você já não dorme, já não faz mais nada. Fica só na espera do que mais pode acontecer. E não importa como acaba. Deixa o fim para depois... O final é sempre igual... Não queremos o igual, queremos continuar experimentando todo esse novo êxtase de agora...
Poesia da Semana:
Canção do dia de sempre
(Mário Quintana)
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
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