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dezembro 13, 2008

Números, apenas.

My Diary:

Il me semble que je n'ai pas importance à vous.
Il me semble que vous me faut plus que je vous faut.
Ce que je peux voir, c'est que je ne suis rien à vous. Moi, je suis seulement une pièce d'un de vos jouets.
Bien sûr... Je m'en vais.
Rencontrez quelq'un aussi interessée que moi.
Ou, restez sans personne.
Ça n'est pas un problème à vous, monsieur.



Crônica da Semana:

Quantos Idiomas Você Fala?
(Sandra Paes)

Parece uma pergunta comum feita na seleção de candidatos a emprego. Parece, mas se olharmos bem de perto, pode não ser.

Entre diversas propagandas pra eficientes cursos de inglês, difundidas por toda parte, me deparo com uma outra bem sutil: a propaganda da mais nova língua planetária. Onde quer que se vá, especialmente no ocidente, depara-se com um novo idioma instituído e adotado por toda a mídia: o economês.

Só se fala em números, em cifras, em gastos, investimentos, em produtividade, em salários, em poupança, em juros, prejuízos, regras mutantes do pode e não pode. Regras pouco claras sobre o controle de sua vida, de seus movimentos, de seu poder de viver até em nome da sua qualidade de vida.

Me pergunto quando foi que começou essa ditadura numérica e toda essa avalanche de sinais sempre articulados em função de onde vai o dinheiro e do jeito que querem que você assimile isso.

E toda a população tem que aprender de uma forma ou de outra a acompanhar o modismo dessa nova língua. E todo mundo controla a “vida” dos outros pelos significados dessa língua.

Você fala economês? Mais ou menos? Pois presta atenção. Se quando sair vai conversar sobre uma liquidação, especular sobre o preço de uma passagem pra viajar nas férias, soltar vez por outra que vai dar pra aproveitar a chance de reformar a casa, ou que esta pensando se vai dar para fazer um lift pro verão, você está matriculada no curso médio do economês.

Se você se pega fiscalizando a nota fiscal das compras do mercado pra medir se gastou mais do que o mês passado, está praticando um dever de casa na prática do idioma. E o que é mais indicador do seu nível de prática: se você justifica quase tudo em sua qualidade de viver usando argumentos citando a “crise” internacional, você foi promovida na escola existencial dos falantes dessa língua.

Eu tenho tido dores de cabeça. Tive que ouvir de uma amiga que seria preciso fazer um diagnostico pra arranjar o tratamento adequado. Mais uma jargão, de outra língua derivada do economês - o cuidado com a saúde, ou melhor, com os sintomas de doenças que nem sempre fazem parte de um quadro fixo da OMS - Organização Mundial de Saúde. Até isso!

Se sua cabeça vive ocupada com cálculos numéricos, tantos por cento disso, tantos por cento daquilo e sem dar dízima periódica, apenas números redondos ou vermelhos, o cérebro começa a dar um sinal de pane.

Quem vive debaixo da ditadura da manutenção do salário, com o medo de perder o emprego por conta da ameaça da crise internacional - essa nova peste que abala o mundo, segundo os doutores do economês -, você está debaixo de outras ameaças. Todas mexendo com a segurança existencial. Ter ou não onde dormir, ter ou não condições de andar de carro, ter ou não condições de sustentar energia pra manutenção do emprego e do salário. E sem esses, fica ameaçado o casamento, o natal, o ano novo, as tão esperadas férias e até, quem sabe, a chance de ter um filho.

A ditadura do economês é a mais avassaladora forca terrorista no mundo. Corrompe de dentro pra fora, mina a auto confiança, retira o poder de respirar e dormir em paz. E a mídia não poupa seu ouvido com todos os discursos falados nesse idioma. Todo rebuscado de estatísticas e dialetos próprios pra testar mesmo seu poder de compreensão e de submissão a essa doença crônica.

Sim, porque pra mim, e isso pode ser pessoal, basta olhar para a poluição de todas as cidades, com excesso de carros em todos os lugares, e num simples piscar de olhos, constatar a inviabilidade de uma sociedade como um todo. Primeira mostra que não faço parte do grupo que conjuga esse dialeto. Não faço parte do grupo que acredita e pensa que está tudo cuidado, por conta de jargões sobre primeiro mundo, desenvolvimento, produtividade, crescimento econômico - sem olhar todos os desastres naturais ou não, decorrentes da cata de impostos pra se produzir mais poluição e mais insegurança e violência.

Não conjugo o verbo consumir. E sou cobrada de forma direta e indireta por isso.
Se não se tem carteira assinada, declaração de Imposto de Renda, conta bancária, crediários em dia, casa própria ou em planos de ser adquirida, carro na porta ou no consórcio, prestações em dia, sonhos de consumo e inserção no mercado consumidor com possível garantia de êxito, você está seriamente doente e condenado ao isolamento. Você tem que saber economês pra sobreviver numa sociedade que só fala esse idioma, senão, seu analfabetismo lhe condena. Viver no ostracismo ou na exclusão social real tornou-se a mais seria ameaça plantada por esse império.

Você tem que fazer parte do contexto dos apavorados pela crise internacional, tem que sentar nos lugares e falar sobre isso, exaurir o espírito do medo que assola a todos e se incluir no projeto de cidadania também imposto. Está na hora de participar de mais esse programa, os poupadores de energia, os conversores de colaboração pra manutenção dos poderes políticos vigentes e tudo em nome do crescimento econômico, do PIB, resultado das linhas de produção, dos índices de consumo e de circulação de mercadorias, não importa se importantes, bio degradáveis, essenciais ou não.

Enquanto isso a vida passa e você ficando mais escravo do que nunca. Já conferiu seus números pra saber se sim ou se não? Como não? Se você não tem CPF, CEP, ID, CC, ISS, PIS, PASEP, FGTS, INPS, SUS, SS, CM, RG, CEL, você não existe! E como alguém pode viver se não existe? Como alguém pode estar incluso em uma cidadania se existir equivale a possuir todos esses códigos?

Estou querendo descobrir e viver sem eles, e não quero falar economês - já ouço demais, leio demais, mas daí só falar essa língua, está muito difícil. E nenhum médico vai me perguntar no consultório quantos idiomas eu falo, apenas pra saber se estou sofrendo de dificuldade crônica de fazer parte da tribo que fala, e conjuga essa língua - a mais falada em todo planeta. E não pensar em economês tem me dado muita dor de cabeça. Literalmente. Espero encontrar a cura.

novembro 15, 2008

Carta ao Sr. Godofredo Pinto

My Diary:

Não sei como vão as coisas aí na Lopes Trovão, caro Senhor Prefeito, mas posso informar ao senhor, como vão as coisas em todo o resto da cidade.
O sistema de trânsito está caótico. E não posso justificar isso como resultado do crescimento da cidade. Talvez um aumento da população... Mas tenho melhores justificativas.
Suponho que o caos do trânsito seja devido ao grande número de veículos privados que são usados no dia-dia.
E suponho ainda, que o grande número de veículos usados seja tão grande porque as pessoas evitam usar os meios de transporte públicos.
E direi ao senhor, o motivo do mesmo.
Não sei como são as coisas aí na Lopes Trovão, mas em todo o resto da cidade, tomar um ônibus é um risco à própria segurança. Talvez devido à falta de policiamento desta cidade, ou pela ineficiência da mesma. Talvez os dois. Não estou certa...
Mas o número de assaltos em ônibus está cada dia maior. E digo isso, caro senhor prefeito, porque talvez as coisas aí na Lopes Trovão sejam diferentes, e o senhor não esteja ciente da situação.
De repente, como as distâncias em nossa cidade são curtas, as pessoas poderiam se deslocar a pé. Principalmente, aquelas que tem o privilégio de morar ou trabalhar na orla da Baía da Guanabara. Apreciariam a linda vista do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor. Mas sabe senhor prefeito, diferente do que provavelmente acontece aí na Lopes Trovão, nós não podemos caminhar tranqüilamente pelas ruas apreciando a paisagem. Primeiro, porque aos poucos (na verdade, aos muitos) as paisagens estão sendo substituídas por favelas, e depois, porque caminhar nas ruas da nossa cidade (aquela que antigamente era conhecida como cidade sorriso) é também um risco à própria segurança. O número de assaltos, e à mão armada, está enorme.
Talvez o senhor não tenha percebido... Mas fazer um corredor viário, arrancando mais de 130 árvores não é uma solução para o caótico sistema viário de Niterói (o nome da nossa cidade). Também não é solução para os graves problemas de saneamento que a cidade enfrenta. Tampouco, solução para a questão da crescente violência aqui.
Mas talvez seja por falta de conhecimento. Por isso vim através desta carta mostrar ao senhor a situação de nossa cidade. Porque talvez, as coisas aí na Lopes Trovão sejam bem diferentes.



Crônica da Semana:

O que as mulheres fazem quando vão ao banheiro. Dos seus namorados.
(Tati Bernardi)

Ter camisinha na gaveta é normal, afinal, ele tinha uma vida antes de me conhecer. São oito camisinhas ao todo, se até a próxima sexta continuarem sendo oito, é porque ele não usou nenhuma com outra mulher. Comigo não precisa porque fizemos os exames e eu estou tomando pílula. Pelo no barbeador é normal, anormal seria um barbeador limpo, porque quem limpa gilete é mulher, depois de emprestar sem o namorado saber para deixar o desenho da piriquita bonitinho antes de ir para o quarto. Bom, se a gilete está suja, nenhuma piriquita designer passou por aqui.
Na portinha do espelho não tem espaço para outra escova de dente, o que significa que há muito tempo ele não divide tamanha intimidade com alguém, ou não sabe dividir espaço. Isso é bom ou ruim? Bom, de qualquer forma, eu estou aqui para mudá-lo. E vou comprar um porta-escovas que caibam duas escovas. Aliás, vou comprar uma escova nova para ele, essa aqui tá muito velha. Quantas vezes será que ele já escovou os dentes neste escova depois de transar com outra mulher? Eu odeio essa escova.
Clarice sente a primeira pontada no intestino: o melhor laxante do mundo era vasculhar o banheiro do namorado.
O misto de medo de ser descoberta com medo de descobrir alguma coisa lhe dava cólicas horríveis, o que não era um grande problema já que ela estava no lugar certo para isso.
Enquanto senta no vaso, Clarice aproveita para levantar a tampinha da lixeira, espiar embaixo do carpete e olhar calmamente para os cremes de cabelo no chão do box do chuveiro.
Cremes para cabelo? Mas o seu namorado da semana era quase careca, para que aqueles cremes?
Ué, ela pensa lendo o rótulo do creme e disposta a atirá-lo na parede em poucos minutos: o que o danado faz com creme para amansar os cachos se ele não tem o equivalente na cabeça nem para uma franja?
Clarice parte diretamente para o ralo, este velho amigo das mulheres. Se o ralo tiver um cabelo que precise ser amansado, é ela que vai precisar de remédio para se amansar.
Não, sem chances. De quatro espiando aquele ralo era muita humilhação. Clarice respira fundo, fecha os olhos, conta até três e busca o telefone.
Fernanda atende do outro lado e depois de chamar a amiga de louca, neurótica e mandá-la "sair desta vida", confessa que já fuçou no cesto de roupas sujas de um ex namorado, e para a sua surpresa: achou uma calcinha.
Silêncio no telefone.
Clarice, com o coração e um princípio de vômito na boca, só consegue gemer e desejar desligar o telefone o mais rápido possível, para poder voltar à busca.
–Aonde será que fica o cesto de roupas sujas deste sem vergonha?
–Espera, deixa eu concluir a história. Sabe de quem era a calcinha?
–Da empregada, da secretária, da estagiária, da Gisele, dele mesmo?
–Da mãe dele. A mãe dele era coroa cocota filha, usava umas calcinhas mais sexys do que a minha!
–E você não ficou com ciúmes?
–Da mãe dele. Ok, desligue este telefone agora e procure ajuda psiquiátrica.
E foi exatamente o que ela fez. Desligou o telefone e ligou para sua amiga Ane, que sempre filosofava tanto em cima de suas psicoses que fazia Clarice se sentir importante por ser maluca.
–Sim, claro que é normal você estar neste exato momento vomitando o café da manhã, com piriri e dor de cabeça porque ele tem um creme para cabelos cacheados no boxe do banheiro.
Anormal é você ter se esquecido que ele mora com a filha, que tem longos cabelos cacheados, não?

julho 19, 2008

Puritanismos

(Juro que o post da semana que vem vai estar coerente com o meu estado de espírito... Este é o último da época do Weblogger...)


My Diary:

Às vezes até admiro as pessoas dissimuladas, sabia? Imagino que tenha gente aqui, lendo este blog agora, que concorde comigo. Não que nós adoremos a falsidade, mas nós reconhecemos isto como uma arte.
Eu não sei ser outra senão eu. Sou autêntica do meu - 0,00 N.0. ao meu +1,64 N.A.
E por este exato motivo, não costumo me censurar por estar na presença de uma ou outra pessoa, não finjo ser outra para agradar ou para disfarçar algo.
E sinceramente vejo isto como um ponto positivo.
É melhor que você aceite isto. Foi assim que me leu pela primeira vez, e foi assim que continuou me lendo durante a última semana (e única semana de nossas vidas).
Deixo - e deixei - muitas coisas nas entrelinhas, mas são coisas que sinceramente, não fariam a menor diferença agora, assuma isto.
E não venha me culpar por nada ter dado certo.
A culpa foi sua. Pois se nada deu certo, foi porque tu não quiseste que desse certo de fato.
E por toda essa força na minha personalidade, é que não consigo fingir que está tudo bem.
Você pode até tentar, mas não vai convencer nem a mim nem a você.
Nunca fui tão maltratada na minha vida.
Me fizeste - quis mudar a pessoa, me permitam, às vezes me dou licença poética - sentir integrante do mais baixo escalão da sociedade. Em ser sub-humano.
E ainda queres que eu finja estar tudo bem?
Quanta hipocrisia, meu caro puritano!
Assumo que tudo o de ruim que me fizeste só machucou desta forma, porque tu tens um certo peso na minha vida, mas que aos poucos será aliviado, a custo de dieta e exercícios. Não com pouco sofrimento, mas de fato com êxito!
O pior, é que de um dia para o outro, fui de anjo à demônio da pior estirpe.
E a essa diminuição eu não aceito. Tu não tens idéia do que isso pode fazer com a auto-estima de alguém.
Te pinta de ouro, e ajoelha no chão. Não adianta. Não somos mais os mesmos, e mais nada vai funcionar.


E aos meus caros moralistas, tenho algumas palavras para vocês:
-Sadismo
-Orgia
-Pedofilia
-Mazoquismo
-Bissexualismo
-Voyerismo
-Suruba
-Necrofilia
-Incesto
-Orgasmo
-Swing
-Homosexualismo
-Masturbação
-Zoofilia
-Foda!


Bom fim de semana para todos!



Humor da Semana:

Mas o que é o glamour, então?
(Bibi da Piéve)

No início, até não me incomodava. Passava batido. Não prestava muita atenção, confesso. Aqui e ali, saía uma notinha onde alguém famoso dizia não ser "aquilo tudo" que imaginavam que ele fosse. Numa entrevista, um colega reafirmava a tese, o que é isso, amigos?, nós não passamos de pessoas comuns. Até aí, tudo bem. Ninguém passa, mesmo.
Mas a coisa foi crescendo de uma maneira estrondosa. E, a meu ver, descabida, inadequada e até desconfortante. Todos os dias, se formos um pouquinho atentos, vamos encontrar alguém, na televisão, se dizendo um sofredor. Pobres vítimas de uma dieta rigorosa, vejam vocês - só comemos frango grelhado com alface; são ossos do ofício. Pensa que é fácil manter esse corpinho de pop star?
Da dieta, passamos à malhação severa. Não é fácil, amigos leigos, ter um personal trainning no pé, todo o santo dia. Tem dia que a gente não quer, ora, não quer malhar! Está com vontade de chupar um picolé, sei lá, fazer essas coisas de gente comum. Mas não pode. O tirano não deixa, e somos obrigados a fazer seiscentos abdominais por dia! Pensam que é moleza?
Agora é a vez de falarmos sobre a nossa precária situação financeira. Todos pensam que, só porque trabalhamos na televisão, somos ricos. Mas não, essa idéia é muito errada! Acreditem se quiser, nós não temos as casas da Caras! Não moramos em castelos! Não, nós somos pessoas simples, que trabalhamos para viver, e ainda assim ganhamos muito pouco! Nós trabalhamos duro. Estão pensando que vida de artista é só glamour?
Chega. Esse papo já deu o que tinha que dar, e eu não sei quanto a vocês, mas eu não tolero mais um pio sobre esse assunto. Quando começou a moda da bandeira "nem tudo é glamour na vida dos artistas", eu não pensei que iríamos ter que aturar tanto. Francamente, esse discurso é um equívoco generalizado. É um desaforo. É mais uma piada.
Em primeiríssimo lugar, que negócio é esse de artista, agora? A palavra artista assumiu proporções escandalosamente grandes, e, estou certa, não a avisaram. Todo mundo é artista. Minto: todo mundo que aparece na televisão o é.
A começar por aí, a piada já é de rolar de rir. Não queiram que eu compartilhe da idéia distorcida de que tudo o que reluz é arte, porque não é. Os holofotes podem iluminar o que quiserem, mas não engula, estimado leitor, aliás, cuspa em cima, se for possível, dessa ignorante concepção de que tudo o que a mídia mostra é, de um modo ou de outro, manifestação artística. Ainda temos discernimento, estou certa? Ainda bem.
O segundo equívoco da fila, se me permitem assim organizar, é justamente a idéia de ser vítima por ter que trabalhar demais. Os "artistas" andam dizendo, entre beicinhos de sofrimento e flashes das câmeras, que "a nossa vida não é um mar de rosas; a gente trabalha muito." Não tenho palavras, e eu sinto muito, porque minha tarefa é justamente tê-las, mas me faltam recursos verbais para traduzir tamanha indignação acerca desse discurso. Ora, se trabalham muito, então que ótimo!
Meu Deus, atirem-me pedras virtuais se eu estiver errada, mas não posso crer que, num país onde a miséria tem dimensões assustadoras, e onde o desemprego bate recordes e mais recordes todos os meses, as pessoas vão até a televisão para reclamar que trabalham muito! E se sentem seriamente injustiçadas por isso! Mas o que é o glamour, afinal?
O glamour é o trabalho; é evidente! O glamour brasileiro não é a casa da Caras, não é poder comer torta de chocolate com nozes todos os dias, não é viver com o papo para o ar. Vamos ter noção da realidade; vamos pisar na areia imunda de Copacabana e ouvir os gritos de quem está vendendo sanduíche, cortando o pé com caco de vidro ou sendo assaltado. Isso sim, todos os dias. O que são seiscentos abdominais, então? São puro glamour, sim.
Não estou aqui querendo dizer que as pessoas devam discursar, na televisão ou nos jornais, enumerando as vantagens das próprias vidas. Ao contrário; não me interessa o que têm ou deixam de ter. Mas não consigo, por mais que tente, levar a sério uma pessoa que realmente queira convencer um país inteiro, através das câmeras, que é uma pobre vítima de uma dieta baseada em frango grelhado, legumes e ricota. Isso é o paradoxo mais descabido de todos, é o terceiro equívoco da fila dessa imensa baboseira verbal: é reclamar da fome proposital - a fome que é mãe da estética -, enquanto os filhos da verdadeira fome - a fome assassina e involuntária - estão morrendo nas calçadas. Irônico e trágico.
Quando eu era pequena, olhava os "artistas" na televisão, e pensava que eles moravam dentro daquela caixinha eletrônica. Hoje, muito tempo depois, estou sendo levada a pensar que aquilo tinha um fundo de verdade: alguns deles, justamente aos quais me referi neste texto, devem mesmo viver encaixotados em algum lugar muito distante daqui. No planeta deles, come-se ricota, faz-se abdominais, e chora-se muito. De mentirinha. Aqui, come-se o que houver, abraça-se o primeiro "trampo" que pintar, e dá-se graças a Deus. De verdadinha.

abril 12, 2008

Odeio o Weblogger!

(no Welogger - o falecido - sábado, 12 de abril de 2008)

My Diary:

AAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!
Quem entende????
Não agüento este servidor que escolhi para hospedar meu pobre e inocente blog.
Depois de quase 3 (três) semanas fora do ar, meses de estagnação da página principal, resultando na desatualização dos últimos blogs postados, agora este maldito servidor que atende pelo nome de "Weblogger" não quer atualizar meu template.
Pensei um mudar de servidor. Para qualquer um que funcione bem e atenda as minhas necessidades - e que tenha um endereço bonitinho... hihi! Mas fico com dó de perder meu histórico. Tem lá suas tosquices, mas pelo menos posso ver se aprendi a escrever ao longo do tempo.
Vamos fazer um abaixo assinado, pedir "Diretas Já", exigir um impeachment... Quelque chose!
O pior é que este raio de site não tem nem um depósito (depósito mesmo, nós sabemos) de reclamação... nem um fórum, nem um "faça sua sugestão".
A quem se deve recorrer? Ao procom?
Website deveria ter SAC!



Poesia da Semana:

Viagem
(Cecília Meireles)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

fevereiro 17, 2008

À m@$#&*!

(no Weblogger - o falecido - domingo, 17 de fevereiro de 2008)

My Diary:

Todo têm problemas. Todos têm de resolvê-los.
E nem por isso, todos envolvem todo mundo no seu mundinho de problemas! (Há não ser aqueles que estão intimamente relacionados a eles).
Agora, não desconte sua fúria incontrolada nas pobres e inocentes pessoas envolta. Não tente usá-los de saco de pancada! Ninguém tem absolutamente NADA haver com isso. Ninguém tem culpa de p**** nenhuma!
Combinemos: seus problemas são só seus, ok? E eles tem o tamanho que você quiser dar a eles.
Já ouvi dizer que problemas se proliferam com facilidade em meio à fúria. Portanto, esfrie a cabeça! E não desconte no mundo o que está acontecendo.
Se vier pra cima de mim cheio de raiva dando ataque histérico, não vou ter opção senão mandar VOCÊ E OS SEUS PROBLEMAS PARA A PUTA QUE O PARIU!!!!



Humor da semana:

Vendo Ka 99
(Henrique Szklo)

Meus queridos e desconhecidos amigos, a vaca foi para o brejo. E aparentemente só comprou bilhete de ida. Quem me acompanha sabe que faz um tempinho que estou à beira da falência. Pois é, gente, mergulhei nela de cabeça. Estou perdendo o controle de minhas finanças mais vou vender caro esta derrota. Minha última alternativa, minha derradeira esperança é tentar vender algumas coisas que eu tenho (e outras que não tenho) para fazer algum caixa enquanto não sou inexoravelmente arremessado para debaixo de alguma ponte. Por isso, além do carro, fiz uma lista daquilo o que eu tenho disponível para vender e espero, sinceramente, que vocês ponham a mão na consciência e depois no bolso para me ajudar. Não querendo ser indelicado, seria bom vocês se darem conta de que já faz tempo que vocês riem de graça às minhas custas. Chegou a hora de retribuir. Propostas sérias podem ser feitas através do meu e-mail, localizado no final desta coluna. Brincadeirinhas, ironias, sarcasmos e comentários inúteis em geral eu estou dispensando no momento, obrigado. Vamos falar de businness, senhores.

Para começar acho que tenho de vender o que dói menos. Vou vender minha alma ao diabo. Quer dizer, para falar a verdade eu não tenho bem certeza de já não ter feito isso antes. Tudo bem, vai, tem tanta gente que vende um imóvel duas vezes e vai pro céu, não sou eu que vou ter de pagar o pato. Até porque não tenho dinheiro para pagar nada. Muito menos um pato.

Outra coisa que vou vender é o almoço para comprar a janta. E conforme a proposta, posso também vender a janta para comprar o café da manhã do dia seguinte e assim por diante. O que me conforta é saber que o Lula tem feito de tudo para que eu tenha três refeições por dia. Enquanto isso, quem quer comprar dois pedaços de pizza de calabresa?

Vou vender meus LPs do Roberto Carlos da época da Jovem Guarda, minha coleção de bonecos do Topo Gigio, 10 times de botão um pouco desfalcados e um kit faroeste completo, composto de dois revólveres de espoleta, cartucheira e estrela de xerife.

Eu estava pensando até em vender saúde, mas já que não está em muito bom estado eu não teria coragem de oferecer para um amigo. Por outro lado posso fracionar o lote. Dividir em partes, ou seja, posso vender alguns órgãos. Tenho tantos. E provavelmente não uso todos ou os uso de forma exagerada e com desperdício. Tenho certeza de que com um pouco de disciplina e uma boa dose de bom senso posso perfeitamentamente aprender a conviver com a ausência de algum ou alguns deles. Além de ser circuncidado, já me separei uma vez, por isso tenho uma certa experiência em mutilações em geral.

Quem aí quer comprar este espaço no Blônicas? Até agora não ganhei nada para escrever aqui, mas tenho certeza que pode render milhões a alguém que saiba o que fazer com ele. Tem uns pequenos problemas, mas quem não os tem? Não posso colocar imagens no meu texto, acho o template muito sem graça e às vezes recebo críticas muito ofensivas. Mesmo assim acho que posso conseguir um bom preço por ele. Gente sem critério é o que não falta neste mundo.

Para vender sangue eu sei que rola um sanduichinho, mas e vender esperma, será que dá dinheiro? É, mas não adianta. Eu jamais poderia fazer uma coisa destas. Não por recriminação, ao contrário: recolheria o material com todo o prazer (sic). Mas ando falhando tanto ultimamente que uma vez broxei me masturbando. Me deu tanta vergonha que fiquei uma semana sem conseguir olhar para a minha mão direita. Já o Max, meu cachorro, está em plena forma. Me disseram, inclusive, que na raça dele uma trepadinha custa uns mil reais. Nada mal para um cara que acabou de sair dos coeiros, se é que cachorro usa coeiros.

Entre objetos de uso pessoal tenho uma arvorezinha meio enferrujada do Prêmio Abril que uso como peso de porta, uma agenda de 2002 (na caixa), mais de cem camisas da Ópera Bufa (quem se lembra?), 25 pares de óculos com pequenos defeitos e um pente com pouco uso.

Estou também em negociações avançadas para me vender aos interesses estrangeiros e praticamente já acertei a venda da minha consciência aos inescrupulosos agentes do capitalismo selvagem.

Meu último bastião, coisa que eu vou detestar fazer, apesar de inevitável, será vender a minha querida e adorável mãe. Excelente estado, único dono, toda original. Peça de colecionador. E, ao contrário do que diz a piada, eu entrego sim. Se não chover.