Gosto de olhar para a sua foto no Facebook e imaginar que a bolinha verde é um aviso de que você está me observando, com os dedos imóveis acima do teclado, levemente envergonhado, esperando o momento e as palavras ideais para me dar um oi. Assim como eu estava há cinco minuto atrás.
...
Apesar de ter um monte de palavras emboladas entre a cabeça, a garganta e a boca, esse texto vai acabar aqui. E nem é porque não deu para organizar essa coisa que eu estou sentido e não entendo, mas para eu poder mudar a aba do navegador e continuar te olhando em silêncio, corada e meio risonha.
Mostrando postagens com marcador Paixão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paixão. Mostrar todas as postagens
novembro 08, 2016
setembro 25, 2016
Danos
Mas que desagrado este hábito de me ancorar aos lugares dos problemas difíceis de resolver
das atenções roubadas,
do foco perdido,
do descaminho.
Estar sempre sendo seduzida pela desvirtuação de planos e com ânsias de perder a sanidade e ter de agarrar-me
- desgostosamente -
a um segundo de lúcida descoragem para fugir dos vícios deletérios.
das atenções roubadas,
do foco perdido,
do descaminho.
Estar sempre sendo seduzida pela desvirtuação de planos e com ânsias de perder a sanidade e ter de agarrar-me
- desgostosamente -
a um segundo de lúcida descoragem para fugir dos vícios deletérios.
agosto 31, 2015
Partes
Eu me apaixono por partes.
Às vezes por mãos. Às vezes por olhos. Vez ou outra pelo som da voz.
Pode acontecer de me apaixonar pela forma como o suor escorre, ou pelo hálito alcoólico que escapa ao falar. Pelo jeito de caminhar.
Me apaixono pelas ausências, ou pelas loucuras.
Por ideias. E pelas ideias que invento.
Me apaixono por cenas que crio ao ouvir músicas. Os pelos até arrepiam...
E depois desapaixono.
Memórias me apaixonam. E uma única memória pode me apaixonar várias vezes.
Mentiras me apaixonam. Sorrisos me apaixonam.
Detalhes e sutilezas de apreço são paixão certa.
Me apaixono por imperfeições. Ou por medos. Ou por coragem.
Cada momento, ou detalhe pequenininho pode ser a centelha de um segundo de paixão intensa.
Por você me eu apaixono sempre. Cada vez por um motivo novo.
Agora estou apaixonada por saber que não é meu.
Às vezes por mãos. Às vezes por olhos. Vez ou outra pelo som da voz.
Pode acontecer de me apaixonar pela forma como o suor escorre, ou pelo hálito alcoólico que escapa ao falar. Pelo jeito de caminhar.
Me apaixono pelas ausências, ou pelas loucuras.
Por ideias. E pelas ideias que invento.
Me apaixono por cenas que crio ao ouvir músicas. Os pelos até arrepiam...
E depois desapaixono.
Memórias me apaixonam. E uma única memória pode me apaixonar várias vezes.
Mentiras me apaixonam. Sorrisos me apaixonam.
Detalhes e sutilezas de apreço são paixão certa.
Me apaixono por imperfeições. Ou por medos. Ou por coragem.
Cada momento, ou detalhe pequenininho pode ser a centelha de um segundo de paixão intensa.
Por você me eu apaixono sempre. Cada vez por um motivo novo.
Agora estou apaixonada por saber que não é meu.
agosto 17, 2015
Mas voltemos à nossa programação.
Fiquei com as pernas formigando por conta da ansiedade que me atacou. Como é que eu posso estar apaixonada por ninguém e ainda assim, me sentir tão fascinada?
Como é possível fechar os olhos e ter certeza de que quero me aconchegar no meio do colo de alguém que não existe, não conheço e que eu ainda não tive tempo de inventar?
No meio de uma noite dedicada a produção acadêmica me vi impedida de traduzir minhas inquietudes porque meu riso me distraiu.
E assim me asseguro de que a vida fica mais interessante quanto menor for o seu sentido.
Como é possível fechar os olhos e ter certeza de que quero me aconchegar no meio do colo de alguém que não existe, não conheço e que eu ainda não tive tempo de inventar?
No meio de uma noite dedicada a produção acadêmica me vi impedida de traduzir minhas inquietudes porque meu riso me distraiu.
E assim me asseguro de que a vida fica mais interessante quanto menor for o seu sentido.
junho 22, 2015
Armas desfeitas
Ele chegou e seu cheiro desequilibrou a conversa que se desenrolava. A concentração se perdeu com o que invadiu as narinas e tudo o que havia se tornou coadjuvante daquela inebriante performance de existir. A velocidade diminuiu. Cores e sons se abafaram.
Perdi-me no seu olhar penetrante voltado para um qualquer lugar que não meus olhos, enquanto delirava com o cheiro de cigarro e álcool que ele deixava ao passar. Falava em versos e eu, muda, ouvia.
Apática. Estática. Estanque.
Falhava na tentativa de permanecer imune àquele clichê de artista. Falhei, francamente, na fútil tentativa de ser forte.
As ondas das notas esbravejadas da sua garganta, alimentadas de cachaça e cuspidas junto a baforadas de fumaça, decidiam o ritmo dos corpos - todos - de lá. Mas das suas palavras, febris, apoderei-me, como se fossem compostas para mim. Algo em toda aquela cena precisava ser só meu.
A contorção de corpo revelava quem se entrega ao gozo ou à agonia intensamente.
Contração nas cordas. Força no diafragma. Cabo encarnado entre os dedos. Cada cuidadoso detalhe da performance: hipnose.
Letárgica, embriaguei-me.
Perdi-me no seu olhar penetrante voltado para um qualquer lugar que não meus olhos, enquanto delirava com o cheiro de cigarro e álcool que ele deixava ao passar. Falava em versos e eu, muda, ouvia.
Apática. Estática. Estanque.
Falhava na tentativa de permanecer imune àquele clichê de artista. Falhei, francamente, na fútil tentativa de ser forte.
As ondas das notas esbravejadas da sua garganta, alimentadas de cachaça e cuspidas junto a baforadas de fumaça, decidiam o ritmo dos corpos - todos - de lá. Mas das suas palavras, febris, apoderei-me, como se fossem compostas para mim. Algo em toda aquela cena precisava ser só meu.
A contorção de corpo revelava quem se entrega ao gozo ou à agonia intensamente.
Contração nas cordas. Força no diafragma. Cabo encarnado entre os dedos. Cada cuidadoso detalhe da performance: hipnose.
Letárgica, embriaguei-me.
maio 28, 2014
Tempestade
O tempo virou e eu mal pude perceber o processo. Num piscar o clima quente virou cheiro de umidade, frio e escuridão. De repente... correr para fechar as janelas e garantir que cada coisa permaneça no seu lugar: lá fora, o céu caindo, o vento, os relâmpagos. Cá, meu exílio.
Tempestade não se contém, não se mantém do lado de fora... invade o quarto.
A última dessas foi palco para nossa lascívia. Os relâmpagos eram nossa luz. Éramos nós, hora ocultos, ora revelados, expondo gosto, gozo e despudor.
Foi noutra noite dessas, com tempestade de correr para fechar as janelas, que suas mãos estavam percorrendo trilhas certeiras de êxtase, transformando em espasmos tudo o que eu não podia expressar.
Cada luz que ocupa meu quarto me lembra de cada minúsculo detalhe do nosso tempo. Do quanto você era meu. Eu, obviamente, ainda sou muito sua. A mesma a quem você perturbou com suas mãos e lábios. A mesma que você amou desvairadamente. Aquela que te ama. Desmedidamente.
Tudo como naquela vez... de janelas barulhentas estremecendo com o vento. Em que não se pôde perceber o frio que fazia. Noite de chuva invadindo o quarto enquanto os pelos eriçavam. Dentes, unhas, e puxões de cabelo. Com pele se tocando, se querendo. Noite em que nos consumíamos, tremíamos, suávamos.
Há já tanto tempo, e eu ainda sinto saudade da sua língua na minha orelha, da mão no final da coxa, de sentir sua pele exposta tocando a minha.
Ainda sinto, precisamente, sua respiração, aqui... pelo pescoço, perto do queixo.
Não posso saber quanto tempo esse frio vai cortar meu rosto. Nem quanto tempo vai durar toda essa chuva, que está densa. Não sei se seus dedos fazem a outro corpo neste momento o mesmo que fazia a mim, em outras tempestades. Você deixou rastros e vazios. E um monte de incertezas.
Não sei por quanto tempo você será protagonista das minhas fantasias.
Mas mas me inteiro de certeza de que vou conviver com a memória do seu suor percorrendo meu corpo tanto tempo quanto durar esta tempestade. E as próximas.
Tempestade não se contém, não se mantém do lado de fora... invade o quarto.
A última dessas foi palco para nossa lascívia. Os relâmpagos eram nossa luz. Éramos nós, hora ocultos, ora revelados, expondo gosto, gozo e despudor.
Foi noutra noite dessas, com tempestade de correr para fechar as janelas, que suas mãos estavam percorrendo trilhas certeiras de êxtase, transformando em espasmos tudo o que eu não podia expressar.
Cada luz que ocupa meu quarto me lembra de cada minúsculo detalhe do nosso tempo. Do quanto você era meu. Eu, obviamente, ainda sou muito sua. A mesma a quem você perturbou com suas mãos e lábios. A mesma que você amou desvairadamente. Aquela que te ama. Desmedidamente.
Tudo como naquela vez... de janelas barulhentas estremecendo com o vento. Em que não se pôde perceber o frio que fazia. Noite de chuva invadindo o quarto enquanto os pelos eriçavam. Dentes, unhas, e puxões de cabelo. Com pele se tocando, se querendo. Noite em que nos consumíamos, tremíamos, suávamos.
Há já tanto tempo, e eu ainda sinto saudade da sua língua na minha orelha, da mão no final da coxa, de sentir sua pele exposta tocando a minha.
Ainda sinto, precisamente, sua respiração, aqui... pelo pescoço, perto do queixo.
Não posso saber quanto tempo esse frio vai cortar meu rosto. Nem quanto tempo vai durar toda essa chuva, que está densa. Não sei se seus dedos fazem a outro corpo neste momento o mesmo que fazia a mim, em outras tempestades. Você deixou rastros e vazios. E um monte de incertezas.
Não sei por quanto tempo você será protagonista das minhas fantasias.
Mas mas me inteiro de certeza de que vou conviver com a memória do seu suor percorrendo meu corpo tanto tempo quanto durar esta tempestade. E as próximas.
Marcadores:
Desejo,
Dia de chuva,
Lascívia,
Paixão,
Saudade
maio 30, 2013
O que não faz um par de brincos na orelha direita
Passando batom. Rímel. Blush. E todas essas "feminilidades" que usamos para nos sentirmos melhores do que achamos que somos. Hoje saí armada de cosméticos e promessas de sedução e pele perfeita, e, não é por nada não, mas essa besteirada toda é muito interessante.
Sai toda acreditando-me, caminhando com fulgor até o momento em que olhei o reflexo do retrovisor de um carro, estacionado ao meu caminho, enquanto esperava apara atravessar a rua. Que curioso, o que eu vi.
Naquele reflexo estava eu.
Encontrei ali, muito além de uma máquina de fazer operações matemáticas ou digitar caracteres por segundo. Tinha gente viva ali dentro.
Então tomei meu pulso. Havia pulso aqui, dentro de mim.
Fui percebendo o trabalho de cada um dos meus órgãos e das minhas células. As trocas gasosas nos alvéolos pulmonares, os pulsos elétricos percorrendo todos os meus nervos, os poros se abrindo, minhas mitocôndrias consumindo glicose indiscriminadamente. A temperatura do corpo mudando discretamente. Os músculos da face se articulando com a surpresa das descobertas.
Tão de repente. Tanta certeza de que eu existo de verdade. Tanta coisa que estava perdida e escondida por detrás de uma cortina de razões e preocupações estupidas.
Até que ventou. E eu senti meus cabelos balançarem enquanto fechava meus olhos para deixar o mundo acarinhar minhas têmporas.
Então reacordei do meu mergulho interno e olhei em volta. Perdi o tempo de atravessar a rua. Agora, mais um minuto de espera para chegar ao meu destino.
Pára. Escuta.
Havia tanta gente também.
Gente viva como eu.
Batom. De novo.
Sorriso.
Senti o cheiro da leveza. E sorri de novo. Outra vez, de maneira furtiva.
Estou toda furtiva, tão de repente. Nem vi, e já estava existindo.
Minha dança volta acontecer. Quer ver?
Agora tenho trilha sonora nova.
Se ficar olhando vai me ver dançar.
Música:
(Eu to toda me querendo, toda me sentindo. E a música é vazia demais para dispor a letra de maneira escrita. E não acompanha bem o post. Mas ela é relevante o bastante para aparecer aqui, em algum momento. E me permitam, sou carioca! ;)
Música para ilustrar: Show das Poderosas - Mc Anitta
Marcadores:
Aleatoriedades,
Arredia,
Áudio,
Bem-Estar,
Capricho,
Entusiasmo,
Música,
Paixão
maio 14, 2012
Carta sem destinatário
É fácil escrever sobre você. Eu nunca te esqueço.
Os olhos, o jeito de falar exatamente o que eu quero ouvir. As risadas. O sorriso manso. Os elogios eternos. E sem fundamento, diga-se de passagem. Uma sedução deleitosa e infinita.
Você vai sempre fazer parte de mim e eu definitivamente nunca te esquecerei. Vou guardar eternamente tudo o que vivemos e, sobretudo, aquilo tudo que não vivemos. O que ficou nas entrelinhas. O que ficou na insegurança. Na boca dos outros. No medo adolescente, que não cresce nunca, de agir errado e te perder para sempre. Ou de sequer ter-nos alguma vez.
Engraçado como estivemos sempre exatamente no mesmo lugar, distando apenas alguns metros, sentindo o perfume um do outro, mas, ainda assim, tão invisíveis. E mesmo invisíveis nunca perdermo-nos de vista.
Como você podia estar sempre tão perto, ao alcance dos meus dedos, e eu nunca tê-lo tocado assim, com entusiasmo, como quem toca o presente mais desejado? Por que os toques foram tão superficiais?
Por que nossos segundos passaram tão depressa?
Discorrer estas palavras, estes verbos e todo este melodrama é excessivamente fácil. Está tudo perdido entre fios de cabelo e carinhos nas pontas dos dedos. É só procurar e colar aqui, detalhe por detalhe.
Nossas peculiaridades foram preservadas tão cuidadosamente pelos dois que são fáceis de achar. Estão ali, ao alcance das mãos, para serem trazidas à realidade sempre que precisarmos. Só não mostramos para ninguém. Estiveram sempre lá, sempre sendo revistas. Mas estranhamente, sempre guardadas como um segredo.
Eu nunca saberei por que nos escondemos. E eu nunca te esqueço.
Todas as histórias do passado que não existiu e do futuro que não aconteceu. E inexplicavelmente, depois de todos estes anos, isto está incomodando de forma significativa agora.
Nós nunca tivemos um ao outro, e eu não sei dizer por que.
Por que sempre fui tão sua sem saber.
E por que achei que era tão meu.
Por que ficou tudo perdido entre bolas, balas, sol e álcool. E em poucos segundos de felicidade, diluídos em anos de história compartilhada.
De verdade, é mais difícil do que eu pensei.
Está sendo muito difícil perder-te finalmente, sem nunca te ter tido.
Às vezes acho que te amo. Mas nunca saberemos realmente.
maio 17, 2009
Me enfeita num beijo
My Diary:
Agora tudo vai se apagando e se tornando negro e a pele arrepia com o frio que vem da janela entreaberta e chuva fina que é trazida pelo uivo constante do vento traz imagens para o meu quarto.
Turvas e em cores quentes. Quentes - tão quentes - que se derretem e se misturam. E se separam. E se desenham e se apagam.
E o ar deste lugar vai ficando escasso e denso. Úmido. Quente como as cores que não param de se fundir.
E agora eu é que me derreto. A começar pelos meus olhos que escorrem em preto até no canto da minha boca com o gosto daquela salina. E todo o rosto branco e cálido que tive se torna verde.
Um mergulho num mar límpido e verde, de onde eu não quero sair jamais.
Me afogo e me salvo. Milhões de vezes em segundos até voltar à terra firme.
Nas minhas mãos, tenho a alma e o coração que já não cabiam no corpo disforme e que tenho que segurar firme para que não me escape e se misture à confusão de formas que eu tenho na minha frente.
Tudo se apaga novamente e, num último instinto, inspiro aquele ar pesado.
Mas sem alma eu não respiro.
Não tenho ar.
Não tenho ar.
Não tenho...
E depois de segundos desacordada, o sol atinge duas esmeraldas que cegam a minha visão.
Tudo luz verde ao meu redor.
E agora estou salva. Com minha alma e coração de volta ao peito. A respiração regular. E eu toda não mais disforme.
Eu toda.
Crônica da Semana
Vou não vou
(Nelson Botter Jr.)
- te devoraria tal caetano a leonardo di caprio
- isso é música, é?
- é, mas também é o que eu sinto quando cruzo olhares contigo
- obrigada, mas não quero não
- é, eu sei
- mas nem esquenta, caê, tem mais quinhentas por aí que seriam o seu leonardo di caprio num estalar de dedos
- é, eu sei
- então...
- ...
- ai, menino, tudo menos silêncio, acho desesperador, constrangedor, sei lá
- não tenho nada pra dizer, além do que já disse
- ah, sabe o que é... espero que você entenda, é que não me envolvo com garotos solteiros
- hein?
- não me envolvo com garotos solteiros
- mas quem falou em envolvimento?
- ah, que fosse uma noite e nada mais, pra mim já é um tipo de envolvimento, sabe... sou reservadona, sensível, moro no alto da torre do castelo, qualquer pele com pele já é um tipo de violação pra mim, quer dizer, envolvimento, coisa sagrada, sabe, eu sou assim, fazer o quê? espero que você entenda
- é, você sempre espera que eu entenda
- isso
- mas mesmo que role um carinho, qual o problema? não quer dizer que vai ficar apaixonadona e que vai sofrer por minha causa, é só uma amizade que rola algo a mais, uns beijinhos de vez em quando, um sexo gostoso...
- hahaha, garoto convencido, se liga, apaixonada eu? mesmo se eu sentisse alguma coisinha a mais de especial por você não desceria do salto, você nunca saberia, nem uma dica sequer, sou clássica, e essa coisa de amizade com sexo não rola, são princípios da minha vovó, tradição é tradição, sublimo com sorvete e seriados na tv a cabo
- e qual o problema de demonstrar algum afeto, baixar um pouco a guarda?
- eu não, vai que você me convence...
- se tem medo de ser convencida é porque quer que role, só não tem coragem... não?
- ihh, quer saber, você faz muitas perguntas, me irrita, me atrapalha... tinha de ser solteiro, né? quando bati o olho na sua mão e não vi aliança já sabia que era confusão à vista
- mas o que você tem contra solteiros?
- ué, não gosto de sofrer não
- sofrer?
- isso, a possibilidade de compromisso me arrepia, sabe, eu sou assim mesmo, prefiro homens casados ou que namoram, eles sabem os limites, não ficam atrás de você esperando algo a mais, querem ir direto ao ponto e fim de papo, solteiros não, procuram relacionamento, uma nova mãe, eu tô fora, já tenho um hamster que me consome muita atenção, cruzes!
- mas sou um solteiro diferente, ajo feito casado ou compromissado, fico na minha, nem vou querer algo mais sério depois, a amizade continua normal, apenas a cumplicidade aumenta
- não vai mesmo querer algo mais sério depois?
- não!
- e por que não? você não me acha bonita o suficiente? não sou boa o suficiente pra ser sua namorada?
- eu não disse isso
- então disse o quê? acha que sou bobinha? que não entendo nas entrelinhas? tudo bem, tudo bem, eu consigo superar... seu grosso
- mas você mesma disse que...
- não precisa ficar se explicando, tudo bem, eu sou assim mesmo, espero que você entenda
- eu realmente não estou entendendo mais nada
- pois é, homens, todos iguais, nunca entendem nada, depois nós é que somos complicadas
- olha aqui pra mim, pára de chorar, por favor, vai
- tá tudo bem, vou ficar bem
- eu não quis dizer aquilo que... que disse
- me leva pra casa?
- mas...
- eu sabia que você seria dor de cabeça na certa
- tô quieto
- você tem chocolate aí?
- chocolate???
- é, cacau, açúcar...
- eu tô aqui falando sério e você com esse papo de doce?
- ai ai ai, vamos embora, vai
- ...
- vamos, cafa
- hmm...
- esse seu olhar me mata, menino
- esquece o certo e o errado, vamos aproveitar enquanto existe vida
- dramático
- sou
- xavequeiro
- sou
- charmoso
- sou?
- tentador
- sou?
- ai ai
- quê?
- vamos, meu caetaninho, vamos
- pra onde?
- demorou...
- hmmm
- é, caê, menino abusado, vamos
- pois não, madame di caprio, e vamos pra minha ou pra sua casa?
- melhor pra sua, né... se formos pra minha acho que meu marido não vai gostar
- isso é música, é?
- é, mas também é o que eu sinto quando cruzo olhares contigo
- obrigada, mas não quero não
- é, eu sei
- mas nem esquenta, caê, tem mais quinhentas por aí que seriam o seu leonardo di caprio num estalar de dedos
- é, eu sei
- então...
- ...
- ai, menino, tudo menos silêncio, acho desesperador, constrangedor, sei lá
- não tenho nada pra dizer, além do que já disse
- ah, sabe o que é... espero que você entenda, é que não me envolvo com garotos solteiros
- hein?
- não me envolvo com garotos solteiros
- mas quem falou em envolvimento?
- ah, que fosse uma noite e nada mais, pra mim já é um tipo de envolvimento, sabe... sou reservadona, sensível, moro no alto da torre do castelo, qualquer pele com pele já é um tipo de violação pra mim, quer dizer, envolvimento, coisa sagrada, sabe, eu sou assim, fazer o quê? espero que você entenda
- é, você sempre espera que eu entenda
- isso
- mas mesmo que role um carinho, qual o problema? não quer dizer que vai ficar apaixonadona e que vai sofrer por minha causa, é só uma amizade que rola algo a mais, uns beijinhos de vez em quando, um sexo gostoso...
- hahaha, garoto convencido, se liga, apaixonada eu? mesmo se eu sentisse alguma coisinha a mais de especial por você não desceria do salto, você nunca saberia, nem uma dica sequer, sou clássica, e essa coisa de amizade com sexo não rola, são princípios da minha vovó, tradição é tradição, sublimo com sorvete e seriados na tv a cabo
- e qual o problema de demonstrar algum afeto, baixar um pouco a guarda?
- eu não, vai que você me convence...
- se tem medo de ser convencida é porque quer que role, só não tem coragem... não?
- ihh, quer saber, você faz muitas perguntas, me irrita, me atrapalha... tinha de ser solteiro, né? quando bati o olho na sua mão e não vi aliança já sabia que era confusão à vista
- mas o que você tem contra solteiros?
- ué, não gosto de sofrer não
- sofrer?
- isso, a possibilidade de compromisso me arrepia, sabe, eu sou assim mesmo, prefiro homens casados ou que namoram, eles sabem os limites, não ficam atrás de você esperando algo a mais, querem ir direto ao ponto e fim de papo, solteiros não, procuram relacionamento, uma nova mãe, eu tô fora, já tenho um hamster que me consome muita atenção, cruzes!
- mas sou um solteiro diferente, ajo feito casado ou compromissado, fico na minha, nem vou querer algo mais sério depois, a amizade continua normal, apenas a cumplicidade aumenta
- não vai mesmo querer algo mais sério depois?
- não!
- e por que não? você não me acha bonita o suficiente? não sou boa o suficiente pra ser sua namorada?
- eu não disse isso
- então disse o quê? acha que sou bobinha? que não entendo nas entrelinhas? tudo bem, tudo bem, eu consigo superar... seu grosso
- mas você mesma disse que...
- não precisa ficar se explicando, tudo bem, eu sou assim mesmo, espero que você entenda
- eu realmente não estou entendendo mais nada
- pois é, homens, todos iguais, nunca entendem nada, depois nós é que somos complicadas
- olha aqui pra mim, pára de chorar, por favor, vai
- tá tudo bem, vou ficar bem
- eu não quis dizer aquilo que... que disse
- me leva pra casa?
- mas...
- eu sabia que você seria dor de cabeça na certa
- tô quieto
- você tem chocolate aí?
- chocolate???
- é, cacau, açúcar...
- eu tô aqui falando sério e você com esse papo de doce?
- ai ai ai, vamos embora, vai
- ...
- vamos, cafa
- hmm...
- esse seu olhar me mata, menino
- esquece o certo e o errado, vamos aproveitar enquanto existe vida
- dramático
- sou
- xavequeiro
- sou
- charmoso
- sou?
- tentador
- sou?
- ai ai
- quê?
- vamos, meu caetaninho, vamos
- pra onde?
- demorou...
- hmmm
- é, caê, menino abusado, vamos
- pois não, madame di caprio, e vamos pra minha ou pra sua casa?
- melhor pra sua, né... se formos pra minha acho que meu marido não vai gostar
Marcadores:
Crônica,
Desejo,
Lascívia,
Nelson Botter Jr.,
Paixão
novembro 01, 2008
Estrela D'alva
My Diary:
Alguém pode me dizer onde estou?
Estou geograficamente perdida. E não há pontos cardeais que me ajudem.
Nenhum sol nascente, ou estrela no céu.
Minha noção de latitude e longitude também se perderam pelo espaço.
-----------------------------------------
Fugindo ao tema agora...
Obrigada Juh! Adorei o reconhecimento!!
Obrigada Juh! Adorei o reconhecimento!!
Prêmio Dardos
Com o Prêmio Dardos se reconhece os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc, que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.
Regras:
1 - Aceitar exibir a imagem.
2 - Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.
3 - Escolher 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos
Estou indicando: Oh my god, Tuta Medeiros, Sakitama, Mundo nem sempre real, Dr Pepper, Soc Tum Paf, Deglutinação de pensamentos, Jardim de Venus, Jesus me chicoteia!, Anna Gabriela, Manual do cafajeste, Bebendo fumaça, Dois cigarros e um café, Maça Mordida, Risadas.
Aqui estão. Alguns nem sabem que eu existo. Mas são bons.
Crônica da Semana:
Se você quisesse saber
(Tati Bernardi)
Eu tenho vontade de te contar tantas coisas. Mas você não sabe como dói e como é solitário ser gente. Gente tem mais é que guardar esses absurdos. Ontem, por exemplo, eu estava no avião, indo pra tal da palestra que eu te contei que tinha em Porto Alegre, e o medo voltou. Sabe o que eu fiz? Peguei um caderninho que sempre levo comigo e anotei tudo o que o medo queria me dizer. Fiquei besta de ver que se ele queria me dizer alguma coisa, ele não era exatamente eu. Era só o medo. Olhei o Rivotril que minha mãe colocou na minha bolsa e aquilo não me pareceu nenhuma solução. Eram apenas duas coisinhas brancas e pequenas num recortinho de embalagem. Duas coisinhas que jamais terão o tamanho de tudo isso que tem aqui dentro. Eu senti meus pés tão fortes e meu rosto tão corado. Eu gostei de mim e da vida como não gostava há muito tempo. A vida soprou no meu ouvido para eu parar com essa coisa de não me dar comida e não me dar confiança. E isso é idiota mas quis muito que você fosse o único a saber.
Queria te contar, também, que na hora da palestra me deu tanto medo de desmaiar no meio da fala que tomei dois copos inteiros de guaraná. Mas na hora mesmo, de falar, eu lembrei de você me dizendo que ansiar ou sentir assim a vida pode fazer as palavras assumirem um poder mais mágico e, acho que porque gostei do que você falou ou simplesmente porque gosto de você, consegui não tremer o microfone e até fiz algumas pessoas rirem de alguma piada. Foi bom. Gostei da vida de novo. E de mim. E nossa. Só Deus, aquele que você não acredita que existe, sabe o quanto eu quis te contar tudo isso.
Você não imagina como dói e como é solitário ser gente. Você nem sonha. Gente não pode ligar pro moço que conhece há dias e perguntar que raio ele ta fazendo que não liga, não pergunta, não continua apertando o play. Gente não pode fazer isso. Mas então que merda eu sou se gente não pode fazer isso? Sou menos ou mais que gente? Eu só queria que você soubesse que hoje ouvi a tal da música da Nina Simone que diz que o baby Just cares for me e fiquei rindo que nem besta. Uma senhora achou graça. Um homem bocejou. Uma criança cabeçuda além da conta se escondeu. O mundo sabe do que é essa minha cara, mas nem por isso está preocupado em me dar os pêsames ou os parabéns. Gostar de alguém, de novo, deveria ser algo como um enterro ou um nascimento. Mas gente acha só que é mais uma perda de tempo. E eu, que sei lá que merda sou, queria muito que não fosse.
Queria te contar que descobri porque te tratei mal da última vez. É que o raio da blusa cinza furada te deixa tão bonito e eu tenho mania de chorar quando acho alguma coisa muito bonita. E pra não chorar eu trato mal. A vida me emociona o tempo todo mas se eu ficasse chorando, quem ia pagar minhas contas e quem ia me querer cheia de olheiras? Então eu corro. Me dá de novo a vontade de ir embora. Eu to sempre indo embora mas aí vai um super clichê...: é de tanto que eu só queria ficar. E queria que você não achasse que sou sempre louca, ainda que eu seja.
Queria te dizer que foi mesmo ridículo quando você disse que gostava da sua aula de francês porque era mais divertida do que qualquer outra coisa e eu comparei isso com minha aula de personal de musculação. Agora me diz como eu posso falar tanta besteira só por causa de uma blusa cinza? Isso não é engraçado? Seria engraçado, se ser gente não fosse tão trágico e dizer essas coisas tão absurdo. Ser gente é um saco, um porre, uma coisa entravada no peito. Mas o que eu queria mesmo te dizer é que, só porque talvez você queira saber, nem gente mais eu ando conseguindo ser.
Queria te contar, também, que na hora da palestra me deu tanto medo de desmaiar no meio da fala que tomei dois copos inteiros de guaraná. Mas na hora mesmo, de falar, eu lembrei de você me dizendo que ansiar ou sentir assim a vida pode fazer as palavras assumirem um poder mais mágico e, acho que porque gostei do que você falou ou simplesmente porque gosto de você, consegui não tremer o microfone e até fiz algumas pessoas rirem de alguma piada. Foi bom. Gostei da vida de novo. E de mim. E nossa. Só Deus, aquele que você não acredita que existe, sabe o quanto eu quis te contar tudo isso.
Você não imagina como dói e como é solitário ser gente. Você nem sonha. Gente não pode ligar pro moço que conhece há dias e perguntar que raio ele ta fazendo que não liga, não pergunta, não continua apertando o play. Gente não pode fazer isso. Mas então que merda eu sou se gente não pode fazer isso? Sou menos ou mais que gente? Eu só queria que você soubesse que hoje ouvi a tal da música da Nina Simone que diz que o baby Just cares for me e fiquei rindo que nem besta. Uma senhora achou graça. Um homem bocejou. Uma criança cabeçuda além da conta se escondeu. O mundo sabe do que é essa minha cara, mas nem por isso está preocupado em me dar os pêsames ou os parabéns. Gostar de alguém, de novo, deveria ser algo como um enterro ou um nascimento. Mas gente acha só que é mais uma perda de tempo. E eu, que sei lá que merda sou, queria muito que não fosse.
Queria te contar que descobri porque te tratei mal da última vez. É que o raio da blusa cinza furada te deixa tão bonito e eu tenho mania de chorar quando acho alguma coisa muito bonita. E pra não chorar eu trato mal. A vida me emociona o tempo todo mas se eu ficasse chorando, quem ia pagar minhas contas e quem ia me querer cheia de olheiras? Então eu corro. Me dá de novo a vontade de ir embora. Eu to sempre indo embora mas aí vai um super clichê...: é de tanto que eu só queria ficar. E queria que você não achasse que sou sempre louca, ainda que eu seja.
Queria te dizer que foi mesmo ridículo quando você disse que gostava da sua aula de francês porque era mais divertida do que qualquer outra coisa e eu comparei isso com minha aula de personal de musculação. Agora me diz como eu posso falar tanta besteira só por causa de uma blusa cinza? Isso não é engraçado? Seria engraçado, se ser gente não fosse tão trágico e dizer essas coisas tão absurdo. Ser gente é um saco, um porre, uma coisa entravada no peito. Mas o que eu queria mesmo te dizer é que, só porque talvez você queira saber, nem gente mais eu ando conseguindo ser.
Marcadores:
Blogger,
Crônica,
Desorientação,
Meme,
Paixão,
Prêmio,
Tag,
Tati Bernardi
setembro 06, 2008
Pá furada
My Diary:
Quanta bobeira...
É bobeira, eu ter uma possibilidade, um caminho que poderia ser seguido e a cada vez que eu vou chegando perto dele, dou um jeito de desviar o rumo. De fugir.
E eu sempre fujo.
E eu sempre fujo, sem exceção.
Mas por que eu fujo? Porque eu me escondo de mim mesma?
Acho que esse blog é a única maneira que eu tenho de tentar ser sincera comigo.
Eu tenho que me esperar cismar de escrever, para eu me ler e descobrir o que eu estou escondendo de mim.
Por que tanta dificuldade de me assumir o que eu penso e sinto?
Porque tanto medo de seguir o caminho que se abriu a minha frente?
Aí eu fico com essa vontade entalada aqui. Me consumindo e me tentando.
Uma ânsia de saber o que aconteceria se eu me deixasse levar, pelo menos por um minuto.
Sabe quando fica aquela coisa presa dentro de você, com uma vontade de escapar?
Mas que eu não deixo escapar nunca.
E apesar de saber que é isso que me faz ir perdendo as partes pelo caminho, eu continuo não deixando escapar.
Mesmo sabendo que a angústia que carrego fosse se esvair se eu confessasse.
Eu tenho certeza absoluta que este nó que está em mim iria se desfazer. Mas simplesmente, escondo.
Quanta bobeira...
Meu Deus, quanta bobeira...
Será que eu ainda não aprendi que eu só perdi todas as vezes que eu tentei me esconder de mim... E de outros?
Mas dá uma vontade...
Vai, dancer! Deixa de se esconder!
Assume, que o pior que pode acontecer, é nada mudar... É ficar estagnada.
Piorar as coisas não podem.
Ou podem?
É por esse risco que eu me guardo. E me consumo.
É claro que eu tenho glândulas lacrimais... E é claro que eu também amo. Só que nem todo mundo precisa saber disso...
Crônica da Semana:
Vendo Ka 99
(De Henrique Szklo)
Meus queridos e desconhecidos amigos, a vaca foi para o brejo. E aparentemente só comprou bilhete de ida. Quem me acompanha sabe que faz um tempinho que estou à beira da falência. Pois é, gente, mergulhei nela de cabeça. Estou perdendo o controle de minhas finanças mais vou vender caro esta derrota. Minha última alternativa, minha derradeira esperança é tentar vender algumas coisas que eu tenho (e outras que não tenho) para fazer algum caixa enquanto não sou inexoravelmente arremessado para debaixo de alguma ponte. Por isso, além do carro, fiz uma lista daquilo o que eu tenho disponível para vender e espero, sinceramente, que vocês ponham a mão na consciência e depois no bolso para me ajudar. Não querendo ser indelicado, seria bom vocês se darem conta de que já faz tempo que vocês riem de graça às minhas custas. Chegou a hora de retribuir. Propostas sérias podem ser feitas através do meu e-mail, localizado no final desta coluna. Brincadeirinhas, ironias, sarcasmos e comentários inúteis em geral eu estou dispensando no momento, obrigado. Vamos falar de businness, senhores.
Para começar acho que tenho de vender o que dói menos. Vou vender minha alma ao diabo. Quer dizer, para falar a verdade eu não tenho bem certeza de já não ter feito isso antes. Tudo bem, vai, tem tanta gente que vende um imóvel duas vezes e vai pro céu, não sou eu que vou ter de pagar o pato. Até porque não tenho dinheiro para pagar nada. Muito menos um pato.
Outra coisa que vou vender é o almoço para comprar a janta. E conforme a proposta, posso também vender a janta para comprar o café da manhã do dia seguinte e assim por diante. O que me conforta é saber que o Lula tem feito de tudo para que eu tenha três refeições por dia. Enquanto isso, quem quer comprar dois pedaços de pizza de calabresa?
Vou vender meus LPs do Roberto Carlos da época da Jovem Guarda, minha coleção de bonecos do Topo Gigio, 10 times de botão um pouco desfalcados e um kit faroeste completo, composto de dois revólveres de espoleta, cartucheira e estrela de xerife.
Eu estava pensando até em vender saúde, mas já que não está em muito bom estado eu não teria coragem de oferecer para um amigo. Por outro lado posso fracionar o lote. Dividir em partes, ou seja, posso vender alguns órgãos. Tenho tantos. E provavelmente não uso todos ou os uso de forma exagerada e com desperdício. Tenho certeza de que com um pouco de disciplina e uma boa dose de bom senso posso perfeitamentamente aprender a conviver com a ausência de algum ou alguns deles. Além de ser circuncidado, já me separei uma vez, por isso tenho uma certa experiência em mutilações em geral.
Quem aí quer comprar este espaço no Blônicas? Até agora não ganhei nada para escrever aqui, mas tenho certeza que pode render milhões a alguém que saiba o que fazer com ele. Tem uns pequenos problemas, mas quem não os tem? Não posso colocar imagens no meu texto, acho o template muito sem graça e às vezes recebo críticas muito ofensivas. Mesmo assim acho que posso conseguir um bom preço por ele. Gente sem critério é o que não falta neste mundo.
Para vender sangue eu sei que rola um sanduichinho, mas e vender esperma, será que dá dinheiro? É, mas não adianta. Eu jamais poderia fazer uma coisa destas. Não por recriminação, ao contrário: recolheria o material com todo o prazer (sic). Mas ando falhando tanto ultimamente que uma vez broxei me masturbando. Me deu tanta vergonha que fiquei uma semana sem conseguir olhar para a minha mão direita. Já o Max, meu cachorro, está em plena forma. Me disseram, inclusive, que na raça dele uma trepadinha custa uns mil reais. Nada mal para um cara que acabou de sair dos coeiros, se é que cachorro usa coeiros.
Entre objetos de uso pessoal tenho uma arvorezinha meio enferrujada do Prêmio Abril que uso como peso de porta, uma agenda de 2002 (na caixa), mais de cem camisas da Ópera Bufa (quem se lembra?), 25 pares de óculos com pequenos defeitos e um pente com pouco uso.
Estou também em negociações avançadas para me vender aos interesses estrangeiros e praticamente já acertei a venda da minha consciência aos inescrupulosos agentes do capitalismo selvagem.
Meu último bastião, coisa que eu vou detestar fazer, apesar de inevitável, será vender a minha querida e adorável mãe. Excelente estado, único dono, toda original. Peça de colecionador. E, ao contrário do que diz a piada, eu entrego sim. Se não chover.
agosto 16, 2008
Lavadeira
My Diary:
Como será a vida de um corpo celeste? Por exemplo... Um satélite natural?
Pensemos no nosso único satélite natural: Nossa Lua.
Bela, incomparável, gigante e linda.
Maravilhoso contemplá-la, e, invariavelmente, alguém já a contemplou, se encantou e torna a fazê-lo alguma outra vez.
Apesar de não tomar conta da noite sozinha, é quem tem o brilho mais intenso. E quem mais chama atenção - provavelmente porque é a mais alcançável.
Sempre imagino que se a Lua fosse um ser animado (e sabe que eu não duvido disso?), talvez ela adorasse toda essa paixão.
Mas tenho parado para pensar... Entre nossos principais corpos celestes (Sol e Lua), ela é a desnecessária. Todos podem sobreviver sem ela; é esquecida quando vem o dia; apagada pela luz; e todo mundo sempre a faz lembrar de que ela não tem brilho próprio.
Se torna algo apenas de contemplação momentânea. E momentânea mesmo, porque nem sempre as pessoas lembram dela.
Só quando não tem mais nada com maior brilho para ocupar sua mente.
Aí lembram da Lua.
De repende, ela começa a detestar essa contemplação.
Ninguém gosta de ser prazer momentâneo. Ocupação para o tempo ocioso.
Posia da Semana:
Eu tô que tô (Trecho)
(Kleiton e Kledir)
(...)
Vem cá minha compoteira
Balança essa pasmaceira
Me bate com a cabideira
Me chama de lavadeira...
Não grita, não dá bandeira
Periga marcar bobeira
Quebrei o pé da cadeira
Cuidado com a cristaleira...
Segura, me deu gagueira
Eu juro que é verdadeira
Disfarça e chama a enfermeira
Tá dando uma tremedeira
Mamãe, viva o Zé Pereira!
Cadê meu advogado?...
Eu Tô Que tô! Eu Tô Que Tô!
Eu Tô Que tô! Eu Tô Que Tô!
La luz a la media boca
Besame mucho loca
Não, isso não
Me dá coceira...
(...)
Como será a vida de um corpo celeste? Por exemplo... Um satélite natural?
Pensemos no nosso único satélite natural: Nossa Lua.
Bela, incomparável, gigante e linda.
Maravilhoso contemplá-la, e, invariavelmente, alguém já a contemplou, se encantou e torna a fazê-lo alguma outra vez.
Apesar de não tomar conta da noite sozinha, é quem tem o brilho mais intenso. E quem mais chama atenção - provavelmente porque é a mais alcançável.
Sempre imagino que se a Lua fosse um ser animado (e sabe que eu não duvido disso?), talvez ela adorasse toda essa paixão.
Mas tenho parado para pensar... Entre nossos principais corpos celestes (Sol e Lua), ela é a desnecessária. Todos podem sobreviver sem ela; é esquecida quando vem o dia; apagada pela luz; e todo mundo sempre a faz lembrar de que ela não tem brilho próprio.
Se torna algo apenas de contemplação momentânea. E momentânea mesmo, porque nem sempre as pessoas lembram dela.
Só quando não tem mais nada com maior brilho para ocupar sua mente.
Aí lembram da Lua.
De repende, ela começa a detestar essa contemplação.
Ninguém gosta de ser prazer momentâneo. Ocupação para o tempo ocioso.
Posia da Semana:
Eu tô que tô (Trecho)
(Kleiton e Kledir)
(...)
Vem cá minha compoteira
Balança essa pasmaceira
Me bate com a cabideira
Me chama de lavadeira...
Não grita, não dá bandeira
Periga marcar bobeira
Quebrei o pé da cadeira
Cuidado com a cristaleira...
Segura, me deu gagueira
Eu juro que é verdadeira
Disfarça e chama a enfermeira
Tá dando uma tremedeira
Mamãe, viva o Zé Pereira!
Cadê meu advogado?...
Eu Tô Que tô! Eu Tô Que Tô!
Eu Tô Que tô! Eu Tô Que Tô!
La luz a la media boca
Besame mucho loca
Não, isso não
Me dá coceira...
(...)
agosto 06, 2008
Intimista
My Diary:
Não há a menor necessidade de falar sobre as internas da minha vida.
Muito curto e direto este início de texto, mas só representa uma verdade. Não há necessidade de falar sobre seus sentimentos. Não há mesmo. É um desgaste inútil.
As pessoas não querem realmente saber o que se passa na sua mente. De verdade, elas não querem saber.
O interesse todo é uma questão de ego. É para saber se ela faz ou não parte das coisas que lhe consomem ou que são importantes na sua vida. É por pura auto-afirmação. Ainda que muito disfarçada até para elas mesmas.
Eu não falo de mim. Pelo menos, não da parte de mim que é invisível aos olhos humanos. Tudo pode ser guardado, escondido, estocado, trancado. E não falo nada por motivos óbvios: tudo dá errado, quando você começa a ser muito claro.
Deixar algo - ou muitos algos - nas entrelinhas se faz extremamente importante. Mas às vezes - e bem às vezes - até mesmo eu tenho vontade de me expressar. Juro que isso acontece. E é para isso que eu tenho este espaço aqui.
Não escrevo para leitores, até porque, estes são muito raros.
Escrevo para meu blog. Como se ele passasse a ser um ser animado, no lugar de apenas um amontoado de códigos HTML e XML.
Escrevo como se ele estivesse me ouvindo (ou lendo, como queiram!) e se importasse de verdade com o que lhe é passado. Meu blog deixa de ser um hospedeiro, e passa a ser um interlocutor.
Mas acaba que por conseqüência, o íntimo da minha vida se torna público. E isso é o que dá medo.
Quem será que me lê? Será que aqueles à quem meus textos seriam relevantes (na minha cabeça, é claro, porque a eles de fato não são!) estão me lendo?
Será que posso ser interpretada?
Claro que posso. Mas juro que me esmero para fazer disso uma tarefa difícil.
Tornar as internas da minha vida um domínio público realmente me assusta. Mas eu não posso deixar de me expor aqui. Até eu preciso fazer isto as vezes. E o que foi escrito, é para ser lido.
Mas não por todo mundo.
Não foi só por falta de tempo que o post atrasou. Foi por falta de vontade, estímulo e inspiração. Perdoem-me.
Crônica da Semana:
Virilha Cavada
(Autor desconhecido)
"Tenta sim. Vai ficar lindo."
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.
Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
-Cavada mesmo.
- Amanhã, às... Deixa eu ver... 13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que cegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.
Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- .é... é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.
De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.
Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia.
Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá?
Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.
Queria comprar o domínio http://www.preserveasbucetaspeludas.com.br/
Não há a menor necessidade de falar sobre as internas da minha vida.
Muito curto e direto este início de texto, mas só representa uma verdade. Não há necessidade de falar sobre seus sentimentos. Não há mesmo. É um desgaste inútil.
As pessoas não querem realmente saber o que se passa na sua mente. De verdade, elas não querem saber.
O interesse todo é uma questão de ego. É para saber se ela faz ou não parte das coisas que lhe consomem ou que são importantes na sua vida. É por pura auto-afirmação. Ainda que muito disfarçada até para elas mesmas.
Eu não falo de mim. Pelo menos, não da parte de mim que é invisível aos olhos humanos. Tudo pode ser guardado, escondido, estocado, trancado. E não falo nada por motivos óbvios: tudo dá errado, quando você começa a ser muito claro.
Deixar algo - ou muitos algos - nas entrelinhas se faz extremamente importante. Mas às vezes - e bem às vezes - até mesmo eu tenho vontade de me expressar. Juro que isso acontece. E é para isso que eu tenho este espaço aqui.
Não escrevo para leitores, até porque, estes são muito raros.
Escrevo para meu blog. Como se ele passasse a ser um ser animado, no lugar de apenas um amontoado de códigos HTML e XML.
Escrevo como se ele estivesse me ouvindo (ou lendo, como queiram!) e se importasse de verdade com o que lhe é passado. Meu blog deixa de ser um hospedeiro, e passa a ser um interlocutor.
Mas acaba que por conseqüência, o íntimo da minha vida se torna público. E isso é o que dá medo.
Quem será que me lê? Será que aqueles à quem meus textos seriam relevantes (na minha cabeça, é claro, porque a eles de fato não são!) estão me lendo?
Será que posso ser interpretada?
Claro que posso. Mas juro que me esmero para fazer disso uma tarefa difícil.
Tornar as internas da minha vida um domínio público realmente me assusta. Mas eu não posso deixar de me expor aqui. Até eu preciso fazer isto as vezes. E o que foi escrito, é para ser lido.
Mas não por todo mundo.
Não foi só por falta de tempo que o post atrasou. Foi por falta de vontade, estímulo e inspiração. Perdoem-me.
Crônica da Semana:
Virilha Cavada
(Autor desconhecido)
"Tenta sim. Vai ficar lindo."
Foi assim que decidi, por livre e espontânea pressão de amigas, me render à depilação na virilha. Falaram que eu ia me sentir dez quilos mais leve.
Mas acho que pentelho não pesa tanto assim. Disseram que meu namorado ia amar, que eu nunca mais ia querer outra coisa. Eu imaginava que ia doer, porque elas ao menos me avisaram que isso aconteceria. Mas não esperava que por trás disso, e bota por trás nisso, havia toda uma indústria pornô-ginecológica-estética.
- Oi, queria marcar depilação com a Penélope.
- Vai depilar o quê?
- Virilha.
- Normal ou cavada?
Parei aí. Eu lá sabia o que seria uma virilha cavada. Mas já que era pra fazer, quis fazer direito.
-Cavada mesmo.
- Amanhã, às... Deixa eu ver... 13h?
- Ok. Marcado.
Chegou o dia em que perderia dez quilos. Almocei coisas leves, porque sabia lá o que me esperava, coloquei roupas bonitas, assim, pra ficar chique. Escolhi uma calcinha apresentável. E lá fui. Assim que cheguei, Penélope estava esperando. Moça alta, mulata, bonitona. Oba, vou ficar que nem ela, legal. Pediu que eu a seguisse até o local onde o ritual seria realizado. Saímos da sala de espera e logo entrei num longo corredor. De um lado a parede e do outro, várias cortinas brancas. Por trás delas ouvia gemidos, gritos, conversas. Uma mistura de Calígula com O Albergue. Já senti um frio na barriga ali mesmo, sem desabotoar nem um botão. Eis que cegamos ao nosso cantinho: uma maca, cercada de cortinas.
- Querida, pode deitar.
Tirei a calça e, timidamente, fiquei lá estirada de calcinha na maca.
Mas a Penélope mal olhou pra mim. Virou de costas e ficou de frente pra uma mesinha. Ali estavam os aparelhos de tortura. Vi coisas estranhas. Uma panela, uma máquina de cortar cabelo, uma pinça. Meu Deus, era O Albergue mesmo. De repente ela vem com um barbante na mão. Fingi que era natural e sabia o que ela faria com aquilo, mas fiquei surpresa quando ela passou a cordinha pelas laterais da calcinha e a amarrou bem forte.
- Quer bem cavada?
- .é... é, isso.
Penélope então deixou a calcinha tampando apenas uma fina faixa da Abigail, nome carinhoso de meu órgão, esqueci de apresentar antes.
- Os pêlos estão altos demais. Vou cortar um pouco senão vai doer mais ainda.
- Ah, sim, claro.
Claro nada, não entendia porra nenhuma do que ela fazia. Mas confiei.
De repente, ela volta da mesinha de tortura com uma espátula melada de um líquido viscoso e quente (via pela fumaça).
- Pode abrir as pernas.
- Assim?
- Não, querida. Que nem borboleta, sabe? Dobra os joelhos e depois joga cada perna pra um lado.
- Arreganhada, né?
Ela riu. Que situação. E então, Pê passou a primeira camada de cera quente em minha virilha Virgem. Gostoso, quentinho, agradável. Até a hora de puxar.
Foi rápido e fatal. Achei que toda a pele de meu corpo tivesse saído, que apenas minha ossada havia sobrado na maca. Não tive coragem de olhar.
Achei que havia sangue jorrando até o teto. Até procurei minha bolsa com os olhos, já cogitando a possibilidade de ligar para o Samu. Tudo isso buscando me concentrar em minha expressão, para fingir que era tudo supernatural.
Penélope perguntou se estava tudo bem quando me notou roxa. Eu havia esquecido de respirar. Tinha medo de que doesse mais.
- Tudo ótimo. E você?
Ela riu de novo como quem pensa. Mas deve ter aprendido a ser simpática para manter clientes.
O processo medieval continuou. A cada puxada eu tinha vontade de espancar Penélope. Lembrava de minhas amigas recomendando a depilação e imaginava que era tudo uma grande sacanagem, só pra me fazer sofrer. Todas recomendam a todos porque se cansam de sofrer sozinhas.
- Quer que tire dos lábios?
- Não, eu quero só virilha, bigode não.
- Não, querida, os lábios dela aqui ó.
Não, não, pára tudo. Depilar os tais grandes lábios? Putz, que idéia.
Mas topei. Quem está na maca tem que se fuder mesmo.
- Ah, arranca aí. Faz isso valer a pena, por favor.
Não bastasse minha condição, a depiladora do lado invade o cafofinho de Penélope e dá uma conferida na Abigail.
- Olha, tá ficando linda essa depilação.
- Menina, mas tá cheio de encravado aqui. Olha de perto.
Se tivesse sobrado algum pentelhinho, ele teria balançado com a respiração das duas. Estavam bem perto dali. Cerrei os olhos e pedi que fosse um pesadelo. "Me leva daqui, Deus, me teletransporta". Só voltei à terra quando entre uns blábláblás ouvi a palavra pinça.
- Vou dar uma pinçada aqui porque ficaram um pelinhos, tá?
- Pode pinçar, tá tudo dormente mesmo, tô sentindo nada.
Estava enganada. Senti cada picadinha daquela pinça filha da mãe arrancar cabelinhos resistentes da pele já dolorida. E quis matá-la. Mas mal sabia que o motivo para isso ainda estava por vir.
- Vamos ficar de lado agora?
- Hein?
- Deitar de lado pra fazer a parte cavada.
Pior não podia ficar. Obedeci à Penélope. Deitei de ladinho e fiquei esperando novas ordens.
- Segura sua bunda aqui?
- Hein?
- Essa banda aqui de cima, puxa ela pra afastar da outra banda.
Tive vontade de chorar. Eu não podia ver o que Pê via. Mas ela estava de cara para ele, o olho que nada vê. Quantos haviam visto, à luz do dia, aquela cena? Nem minha ginecologista. Quis chorar, gritar, peidar na cara dela, como se pudesse envenená-la. Fiquei pensando nela acordando à noite com um pesadelo. O marido perguntaria:
- Tudo bem, Pê?
- Sim... sonhei de novo com o cu de uma cliente.
Mas de repente fui novamente trazida para a realidade. Senti o aconchego falso da cera quente besuntando meu Twin Peaks. Não sabia se ficava com mais medo da puxada ou com vergonha da situação. Sei que ela deve ver mil cus por dia. Aliás, isso até alivia minha situação. Por que ela lembraria justamente do meu entre tantos? E aí me veio o pensamento: peraí, mas tem cabelo lá?
Fui impedida de desfiar o questionamento. Pê puxou a cera. Achei que a bunda tivesse ido toda embora. Num puxão só, Pê arrancou qualquer coisa que tivesse ali. Com certeza não havia nem uma preguinha pra contar a história mais. Mordia o travesseiro e grunhia ao mesmo tempo. Sons guturais, xingamentos, preces, tudo junto.
- Vira agora do outro lado.
Porra.. por que não arrancou tudo de uma vez? Virei e segurei novamente a bandinha. E então, piora. A broaca da salinha do lado novamente abre a cortina.
- Penélope, empresta um chumaço de algodão?
Apenas uma lágrima solitária escorreu de meus olhos. Era dor demais, vergonha demais. Aquilo não fazia sentido. Estava me depilando pra quem?
Ninguém ia ver o tobinha tão de perto daquele jeito. Só mesmo Penélope. E agora a vizinha inconveniente.
- Terminamos. Pode virar que vou passar maquininha.
- Máquina de quê?!
- Pra deixar ela com o pêlo baixinho, que nem campo de futebol.
- Dói?
- Dói nada.
- Tá, passa essa merda...
- Baixa a calcinha, por favor.
Foram dois segundos de choque extremo. Baixe a calcinha, como alguém fala isso sem antes pegar no peitinho? Mas o choque foi substituído por uma total redenção. Ela viu tudo, da perereca ao cu. O que seria baixar a calcinha? E essa parte não doeu mesmo, foi até bem agradável.
- Prontinha. Posso passar um talco?
- Pode, vai lá, deixa a bicha grisalha.
- Tá linda! Pode namorar muito agora.
Namorar...namorar... eu estava com sede de vingança. Admito que o resultado é bonito, lisinho, sedoso. Mas doía e incomodava demais. Queria matar minhas amigas. Queria virar feminista, morrer peluda, protestar contra isso. Queria fazer passeatas, criar uma lei antidepilação cavada.
Queria comprar o domínio http://www.preserveasbucetaspeludas.com.br/
Marcadores:
Crônica,
Desconhecido,
Medo,
Paixão
julho 27, 2008
Halo Solar
My Diary:
O diferente atrai... O novo atrai... Atrai e muito!
A primeira vista, o que é estranho lhe causa um certo receio.
Pelo menos, a mim, precavida em excesso, o diferente é encarado a primeira vista com certa cautela.
Tenho mania de calcular tudo, do início ao fim. Principalmente a força da gravidade, pois quanto maior ela for, maior o impacto da queda (e eu realmente pretendo morrer sem jamais partir um osso).
E vou caminhando na ponta dos dedos, experimentando cada passo neste solo novo...
Mas depois - e depois pode ser apenas alguns segundos depois - começa a se tornar algo tão interessante, deleitante, envolvente, que vai virando até dependência.
Uma vez que você é apresentado a um novo fenômeno, nunca mais quer viver de mesmices, nunca mais vai querer ficar na monotonia da vida segura e tranqüila.
Pouco vão lhe importar os riscos, o futuro, a forma com a qual acaba. Deixa! Pensar no perigo o priva das emoções, e aqui, nós estamos buscando novas emoções.
O novo até da um medinho, vamos assumir.
Mas uma vez que você é apresentado ao novo, vai buscando o novo a cada segundo.
Mata a sede na salina, foge do mundo em plena multidão, faz da tempestade um dia para tomar sol, e começa a pensar que o parélio nem é tão intrigante assim.
E vai buscando mil maneiras de sentir novas sensações e correr riscos, e virar tudo ao contrário, só para ver se é mais interessante calçar os anéis e colocar as luvas, ou beber do pão e comer do vinho, ou nadar nas nuvens e caminhar nas ondas... e tudo vai ficando tão diferente, e tão envolvente, e você vai entorpecendo, e já não sabe nem mais o que está dizendo, é só quer que o dia não acabe, porque ainda tem muito o que experimentar.
O novo atrai. E vicia. Você já não dorme, já não faz mais nada. Fica só na espera do que mais pode acontecer. E não importa como acaba. Deixa o fim para depois... O final é sempre igual... Não queremos o igual, queremos continuar experimentando todo esse novo êxtase de agora...
Poesia da Semana:
Canção do dia de sempre
(Mário Quintana)
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
O diferente atrai... O novo atrai... Atrai e muito!
A primeira vista, o que é estranho lhe causa um certo receio.
Pelo menos, a mim, precavida em excesso, o diferente é encarado a primeira vista com certa cautela.
Tenho mania de calcular tudo, do início ao fim. Principalmente a força da gravidade, pois quanto maior ela for, maior o impacto da queda (e eu realmente pretendo morrer sem jamais partir um osso).
E vou caminhando na ponta dos dedos, experimentando cada passo neste solo novo...
Mas depois - e depois pode ser apenas alguns segundos depois - começa a se tornar algo tão interessante, deleitante, envolvente, que vai virando até dependência.
Uma vez que você é apresentado a um novo fenômeno, nunca mais quer viver de mesmices, nunca mais vai querer ficar na monotonia da vida segura e tranqüila.
Pouco vão lhe importar os riscos, o futuro, a forma com a qual acaba. Deixa! Pensar no perigo o priva das emoções, e aqui, nós estamos buscando novas emoções.
O novo até da um medinho, vamos assumir.
Mas uma vez que você é apresentado ao novo, vai buscando o novo a cada segundo.
Mata a sede na salina, foge do mundo em plena multidão, faz da tempestade um dia para tomar sol, e começa a pensar que o parélio nem é tão intrigante assim.
E vai buscando mil maneiras de sentir novas sensações e correr riscos, e virar tudo ao contrário, só para ver se é mais interessante calçar os anéis e colocar as luvas, ou beber do pão e comer do vinho, ou nadar nas nuvens e caminhar nas ondas... e tudo vai ficando tão diferente, e tão envolvente, e você vai entorpecendo, e já não sabe nem mais o que está dizendo, é só quer que o dia não acabe, porque ainda tem muito o que experimentar.
O novo atrai. E vicia. Você já não dorme, já não faz mais nada. Fica só na espera do que mais pode acontecer. E não importa como acaba. Deixa o fim para depois... O final é sempre igual... Não queremos o igual, queremos continuar experimentando todo esse novo êxtase de agora...
Poesia da Semana:
Canção do dia de sempre
(Mário Quintana)
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Marcadores:
Entusiasmo,
Êxtase,
Mário Quintana,
Medo,
Paixão,
Poesia
julho 19, 2008
Puritanismos
(Juro que o post da semana que vem vai estar coerente com o meu estado de espírito... Este é o último da época do Weblogger...)
My Diary:
Às vezes até admiro as pessoas dissimuladas, sabia? Imagino que tenha gente aqui, lendo este blog agora, que concorde comigo. Não que nós adoremos a falsidade, mas nós reconhecemos isto como uma arte.
Eu não sei ser outra senão eu. Sou autêntica do meu - 0,00 N.0. ao meu +1,64 N.A.
E por este exato motivo, não costumo me censurar por estar na presença de uma ou outra pessoa, não finjo ser outra para agradar ou para disfarçar algo.
E sinceramente vejo isto como um ponto positivo.
É melhor que você aceite isto. Foi assim que me leu pela primeira vez, e foi assim que continuou me lendo durante a última semana (e única semana de nossas vidas).
Deixo - e deixei - muitas coisas nas entrelinhas, mas são coisas que sinceramente, não fariam a menor diferença agora, assuma isto.
E não venha me culpar por nada ter dado certo.
A culpa foi sua. Pois se nada deu certo, foi porque tu não quiseste que desse certo de fato.
E por toda essa força na minha personalidade, é que não consigo fingir que está tudo bem.
Você pode até tentar, mas não vai convencer nem a mim nem a você.
Nunca fui tão maltratada na minha vida.
Me fizeste - quis mudar a pessoa, me permitam, às vezes me dou licença poética - sentir integrante do mais baixo escalão da sociedade. Em ser sub-humano.
E ainda queres que eu finja estar tudo bem?
Quanta hipocrisia, meu caro puritano!
Assumo que tudo o de ruim que me fizeste só machucou desta forma, porque tu tens um certo peso na minha vida, mas que aos poucos será aliviado, a custo de dieta e exercícios. Não com pouco sofrimento, mas de fato com êxito!
O pior, é que de um dia para o outro, fui de anjo à demônio da pior estirpe.
E a essa diminuição eu não aceito. Tu não tens idéia do que isso pode fazer com a auto-estima de alguém.
Te pinta de ouro, e ajoelha no chão. Não adianta. Não somos mais os mesmos, e mais nada vai funcionar.
E aos meus caros moralistas, tenho algumas palavras para vocês:
-Sadismo
-Orgia
-Pedofilia
-Mazoquismo
-Bissexualismo
-Voyerismo
-Suruba
-Necrofilia
-Incesto
-Orgasmo
-Swing
-Homosexualismo
-Masturbação
-Zoofilia
-Foda!
Bom fim de semana para todos!
Humor da Semana:
Mas o que é o glamour, então?
(Bibi da Piéve)
No início, até não me incomodava. Passava batido. Não prestava muita atenção, confesso. Aqui e ali, saía uma notinha onde alguém famoso dizia não ser "aquilo tudo" que imaginavam que ele fosse. Numa entrevista, um colega reafirmava a tese, o que é isso, amigos?, nós não passamos de pessoas comuns. Até aí, tudo bem. Ninguém passa, mesmo.
Mas a coisa foi crescendo de uma maneira estrondosa. E, a meu ver, descabida, inadequada e até desconfortante. Todos os dias, se formos um pouquinho atentos, vamos encontrar alguém, na televisão, se dizendo um sofredor. Pobres vítimas de uma dieta rigorosa, vejam vocês - só comemos frango grelhado com alface; são ossos do ofício. Pensa que é fácil manter esse corpinho de pop star?
Da dieta, passamos à malhação severa. Não é fácil, amigos leigos, ter um personal trainning no pé, todo o santo dia. Tem dia que a gente não quer, ora, não quer malhar! Está com vontade de chupar um picolé, sei lá, fazer essas coisas de gente comum. Mas não pode. O tirano não deixa, e somos obrigados a fazer seiscentos abdominais por dia! Pensam que é moleza?
Agora é a vez de falarmos sobre a nossa precária situação financeira. Todos pensam que, só porque trabalhamos na televisão, somos ricos. Mas não, essa idéia é muito errada! Acreditem se quiser, nós não temos as casas da Caras! Não moramos em castelos! Não, nós somos pessoas simples, que trabalhamos para viver, e ainda assim ganhamos muito pouco! Nós trabalhamos duro. Estão pensando que vida de artista é só glamour?
Chega. Esse papo já deu o que tinha que dar, e eu não sei quanto a vocês, mas eu não tolero mais um pio sobre esse assunto. Quando começou a moda da bandeira "nem tudo é glamour na vida dos artistas", eu não pensei que iríamos ter que aturar tanto. Francamente, esse discurso é um equívoco generalizado. É um desaforo. É mais uma piada.
Em primeiríssimo lugar, que negócio é esse de artista, agora? A palavra artista assumiu proporções escandalosamente grandes, e, estou certa, não a avisaram. Todo mundo é artista. Minto: todo mundo que aparece na televisão o é.
A começar por aí, a piada já é de rolar de rir. Não queiram que eu compartilhe da idéia distorcida de que tudo o que reluz é arte, porque não é. Os holofotes podem iluminar o que quiserem, mas não engula, estimado leitor, aliás, cuspa em cima, se for possível, dessa ignorante concepção de que tudo o que a mídia mostra é, de um modo ou de outro, manifestação artística. Ainda temos discernimento, estou certa? Ainda bem.
O segundo equívoco da fila, se me permitem assim organizar, é justamente a idéia de ser vítima por ter que trabalhar demais. Os "artistas" andam dizendo, entre beicinhos de sofrimento e flashes das câmeras, que "a nossa vida não é um mar de rosas; a gente trabalha muito." Não tenho palavras, e eu sinto muito, porque minha tarefa é justamente tê-las, mas me faltam recursos verbais para traduzir tamanha indignação acerca desse discurso. Ora, se trabalham muito, então que ótimo!
Meu Deus, atirem-me pedras virtuais se eu estiver errada, mas não posso crer que, num país onde a miséria tem dimensões assustadoras, e onde o desemprego bate recordes e mais recordes todos os meses, as pessoas vão até a televisão para reclamar que trabalham muito! E se sentem seriamente injustiçadas por isso! Mas o que é o glamour, afinal?
O glamour é o trabalho; é evidente! O glamour brasileiro não é a casa da Caras, não é poder comer torta de chocolate com nozes todos os dias, não é viver com o papo para o ar. Vamos ter noção da realidade; vamos pisar na areia imunda de Copacabana e ouvir os gritos de quem está vendendo sanduíche, cortando o pé com caco de vidro ou sendo assaltado. Isso sim, todos os dias. O que são seiscentos abdominais, então? São puro glamour, sim.
Não estou aqui querendo dizer que as pessoas devam discursar, na televisão ou nos jornais, enumerando as vantagens das próprias vidas. Ao contrário; não me interessa o que têm ou deixam de ter. Mas não consigo, por mais que tente, levar a sério uma pessoa que realmente queira convencer um país inteiro, através das câmeras, que é uma pobre vítima de uma dieta baseada em frango grelhado, legumes e ricota. Isso é o paradoxo mais descabido de todos, é o terceiro equívoco da fila dessa imensa baboseira verbal: é reclamar da fome proposital - a fome que é mãe da estética -, enquanto os filhos da verdadeira fome - a fome assassina e involuntária - estão morrendo nas calçadas. Irônico e trágico.
Quando eu era pequena, olhava os "artistas" na televisão, e pensava que eles moravam dentro daquela caixinha eletrônica. Hoje, muito tempo depois, estou sendo levada a pensar que aquilo tinha um fundo de verdade: alguns deles, justamente aos quais me referi neste texto, devem mesmo viver encaixotados em algum lugar muito distante daqui. No planeta deles, come-se ricota, faz-se abdominais, e chora-se muito. De mentirinha. Aqui, come-se o que houver, abraça-se o primeiro "trampo" que pintar, e dá-se graças a Deus. De verdadinha.
Mas a coisa foi crescendo de uma maneira estrondosa. E, a meu ver, descabida, inadequada e até desconfortante. Todos os dias, se formos um pouquinho atentos, vamos encontrar alguém, na televisão, se dizendo um sofredor. Pobres vítimas de uma dieta rigorosa, vejam vocês - só comemos frango grelhado com alface; são ossos do ofício. Pensa que é fácil manter esse corpinho de pop star?
Da dieta, passamos à malhação severa. Não é fácil, amigos leigos, ter um personal trainning no pé, todo o santo dia. Tem dia que a gente não quer, ora, não quer malhar! Está com vontade de chupar um picolé, sei lá, fazer essas coisas de gente comum. Mas não pode. O tirano não deixa, e somos obrigados a fazer seiscentos abdominais por dia! Pensam que é moleza?
Agora é a vez de falarmos sobre a nossa precária situação financeira. Todos pensam que, só porque trabalhamos na televisão, somos ricos. Mas não, essa idéia é muito errada! Acreditem se quiser, nós não temos as casas da Caras! Não moramos em castelos! Não, nós somos pessoas simples, que trabalhamos para viver, e ainda assim ganhamos muito pouco! Nós trabalhamos duro. Estão pensando que vida de artista é só glamour?
Chega. Esse papo já deu o que tinha que dar, e eu não sei quanto a vocês, mas eu não tolero mais um pio sobre esse assunto. Quando começou a moda da bandeira "nem tudo é glamour na vida dos artistas", eu não pensei que iríamos ter que aturar tanto. Francamente, esse discurso é um equívoco generalizado. É um desaforo. É mais uma piada.
Em primeiríssimo lugar, que negócio é esse de artista, agora? A palavra artista assumiu proporções escandalosamente grandes, e, estou certa, não a avisaram. Todo mundo é artista. Minto: todo mundo que aparece na televisão o é.
A começar por aí, a piada já é de rolar de rir. Não queiram que eu compartilhe da idéia distorcida de que tudo o que reluz é arte, porque não é. Os holofotes podem iluminar o que quiserem, mas não engula, estimado leitor, aliás, cuspa em cima, se for possível, dessa ignorante concepção de que tudo o que a mídia mostra é, de um modo ou de outro, manifestação artística. Ainda temos discernimento, estou certa? Ainda bem.
O segundo equívoco da fila, se me permitem assim organizar, é justamente a idéia de ser vítima por ter que trabalhar demais. Os "artistas" andam dizendo, entre beicinhos de sofrimento e flashes das câmeras, que "a nossa vida não é um mar de rosas; a gente trabalha muito." Não tenho palavras, e eu sinto muito, porque minha tarefa é justamente tê-las, mas me faltam recursos verbais para traduzir tamanha indignação acerca desse discurso. Ora, se trabalham muito, então que ótimo!
Meu Deus, atirem-me pedras virtuais se eu estiver errada, mas não posso crer que, num país onde a miséria tem dimensões assustadoras, e onde o desemprego bate recordes e mais recordes todos os meses, as pessoas vão até a televisão para reclamar que trabalham muito! E se sentem seriamente injustiçadas por isso! Mas o que é o glamour, afinal?
O glamour é o trabalho; é evidente! O glamour brasileiro não é a casa da Caras, não é poder comer torta de chocolate com nozes todos os dias, não é viver com o papo para o ar. Vamos ter noção da realidade; vamos pisar na areia imunda de Copacabana e ouvir os gritos de quem está vendendo sanduíche, cortando o pé com caco de vidro ou sendo assaltado. Isso sim, todos os dias. O que são seiscentos abdominais, então? São puro glamour, sim.
Não estou aqui querendo dizer que as pessoas devam discursar, na televisão ou nos jornais, enumerando as vantagens das próprias vidas. Ao contrário; não me interessa o que têm ou deixam de ter. Mas não consigo, por mais que tente, levar a sério uma pessoa que realmente queira convencer um país inteiro, através das câmeras, que é uma pobre vítima de uma dieta baseada em frango grelhado, legumes e ricota. Isso é o paradoxo mais descabido de todos, é o terceiro equívoco da fila dessa imensa baboseira verbal: é reclamar da fome proposital - a fome que é mãe da estética -, enquanto os filhos da verdadeira fome - a fome assassina e involuntária - estão morrendo nas calçadas. Irônico e trágico.
Quando eu era pequena, olhava os "artistas" na televisão, e pensava que eles moravam dentro daquela caixinha eletrônica. Hoje, muito tempo depois, estou sendo levada a pensar que aquilo tinha um fundo de verdade: alguns deles, justamente aos quais me referi neste texto, devem mesmo viver encaixotados em algum lugar muito distante daqui. No planeta deles, come-se ricota, faz-se abdominais, e chora-se muito. De mentirinha. Aqui, come-se o que houver, abraça-se o primeiro "trampo" que pintar, e dá-se graças a Deus. De verdadinha.
Marcadores:
Bibi da Piève,
Crônica,
Paixão,
Raiva,
Weblogger
julho 13, 2008
Passional...
My Diary:
Mais um texto fora de sessão e fora de momento. Meus pensamentos e vontades já não condizem mais em nada - ou quase nada - com o que está escrito aqui. Mas como minha vida está em ordem cronológica, meu blog também estará. E se tudo correr bem, ele vai estar em ordem em termos de época, porque minha utopia me faz pensar que o weblogger não vai mais me boicotar e vai virar em servidor que preste! E que me permita publicar o texto no dia em que for escrito! Servidor de merda!
Não posso ser culpada pelos exageros.
Está na minha vida.
Ou é minha origem gaúcha, que me faz ter poesia no sangue, e não ter outra maneira de falar senão declamando, ou é minha alma cigana, que me faz passional desta maneira e me faz entregar de corpo e alma a tudo, e dar toda a minha paixão por um só segundo.
Ou ainda, seja essa minha vida balzaquiana. De alguém que vive entre machados-de-assises e cartolas, entre rosas-que-não-falam, codinomes-beija-flores, e capitus.
Ah! Sobre isso tu não sabias?
Parecia menina em demasia. Talvez até seja, o que não me faz boba nem imatura.
Não me faz ser menor que ninguém, apesar da pouca idade.
Não quero ser também tratada como menina, uma vez que isso significa, fazer de mim uma tola.
Ter amor e ciúmes não é tolice.
Mas apesar de toda a minha paixão - e minha alma cigana aflora toda quando falo nisto, porque sou carne só no revestimento (no interior, sou puro sentimento) - não há de ver sequer uma lágrima aqui nestes olhos. Não há de ver.
Ninguém verá, porque todo meu amor e minha dor, são só meus!
O que não me impede de te amar profundamente. Às escondidas, mas profundamente.
E o que não me impede de sentir ainda mais amargura e agonia de saber que tu me tens em tuas mãos, e fará de mim sempre o que quiser.
Acho que sou mesmo boba.
Mas tu jamais saberás disto.
Porque tenho fugido de ti até em pensamentos, pois até neles tu me dominas.
E me dominas porque te amo.
Poesia da Semana:
Eu preciso dizer que te amo
(Cazuza)
Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo
Tanto
E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo, tanto
Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira
Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo, tanto
Não posso ser culpada pelos exageros.
Está na minha vida.
Ou é minha origem gaúcha, que me faz ter poesia no sangue, e não ter outra maneira de falar senão declamando, ou é minha alma cigana, que me faz passional desta maneira e me faz entregar de corpo e alma a tudo, e dar toda a minha paixão por um só segundo.
Ou ainda, seja essa minha vida balzaquiana. De alguém que vive entre machados-de-assises e cartolas, entre rosas-que-não-falam, codinomes-beija-flores, e capitus.
Ah! Sobre isso tu não sabias?
Parecia menina em demasia. Talvez até seja, o que não me faz boba nem imatura.
Não me faz ser menor que ninguém, apesar da pouca idade.
Não quero ser também tratada como menina, uma vez que isso significa, fazer de mim uma tola.
Ter amor e ciúmes não é tolice.
Mas apesar de toda a minha paixão - e minha alma cigana aflora toda quando falo nisto, porque sou carne só no revestimento (no interior, sou puro sentimento) - não há de ver sequer uma lágrima aqui nestes olhos. Não há de ver.
Ninguém verá, porque todo meu amor e minha dor, são só meus!
O que não me impede de te amar profundamente. Às escondidas, mas profundamente.
E o que não me impede de sentir ainda mais amargura e agonia de saber que tu me tens em tuas mãos, e fará de mim sempre o que quiser.
Acho que sou mesmo boba.
Mas tu jamais saberás disto.
Porque tenho fugido de ti até em pensamentos, pois até neles tu me dominas.
E me dominas porque te amo.
Poesia da Semana:
Eu preciso dizer que te amo
(Cazuza)
Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo
Tanto
E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo
É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
É, eu preciso dizer que eu te amo, tanto
Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando em cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira
Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo, tanto
julho 06, 2008
Bem sei que não queres voltar
My Diary:
Post este que já não condiz com meu atual estado de espírito nem com a vontade de escrever. Mas já estava pronto, e o Webloger estava fora do ar. Não podia deixar de postá-lo. E por isso, veio tão fora do dia!
Só não dói mais, porque não me deixo fazer doer, porque neste exato momento, estou com uma ância inigualável de te ver...
E esta música, esta lua e esta cachaça só pioram.
Mas apesar desta dor, te perdôo tudo.
Te perdôo teres me enganado. Embora não seja tão ingênua para ser enganada. Te perdôo então, teres tentado me enganar.
Te perdôo também, por me ter escondido certas coisas. Mas isso não te deixa na obrigação de pedir perdão. Só deves pedir perdão se de fato te arrependeres.
Te perdôo ainda, mas desta vez com certa dificuldade, por teres alguém a quem amar. Não por tê-la, mas por mantê-la às escondidas. Por me teres feito de amante, sem que eu sequer tivesse esta escolha. Sem que eu sequer tivesse consciência disto.
E mais uma vez, isto não te obriga a pedir perdão. Aliás, prefiro que não peças, pois sei que quanto a isto não te arrependes.
Todos sempre buscam verdades.
Mas às vezes, verdades magoam muito.
Ainda assim, eu prefiro as verdades. Mentiras às vezes magoam muito mais.
Não minta pra mim. Principalmente agora que me tens nua e desarmada.
Podes ver, olha bem pra cá: Não tenho como me defender.
Tenho o coração na mão, porque ele não está cabendo no peito agora.
Mas não tenho lágrimas nos olhos. Não por insensibilidade, mas porque não as possuo.
Pelo menos não para ti. Não há de ser tu, quem irá me ver chorar.
Muito embora, a vontade seja enorme.
De repente, mas só de repente, se eu fosse menos introspectiva, alguma coisa ainda estaria funcionando.
Não tentes me adivinhar. Não sabes nada da minha vida. Não sabes do quanto de medo que guardo de qualquer coisa. De tudo o que me parece novo. até do que me parece bom.
Às vezes odeio ter este confessionário, me obriga a confessar meus sentimentos mais inconfessáveis. E me faz ficar dependente disto.
E o pior, é que pode ser lido. Por qualquer um. Até mesmo por ti. E isso piora bastante as coisas. Porque é sempre à quem é mais relevante, que eu escondo tudo sobre mim.
Mas sinceramente, já não me preocupa quem está lendo.
Foi escrito, é para ser lido.
E não venha. Não sou adulta o suficiente, nem madura o suficiente para te ver e só te abraçar. Para te abraçar e fingir que isso me sacia. Sentir teu perfume e fingir que não gosto e que não me traz nenhuma sensação. Não posso ser tua amiga, só porque não posso deixar de sentir saudades da tua pele. Pelo menos, por agora, não me obrigue a ser imparcial, porque somente a sua voz me pedindo isso, já seria o suficiente para que eu não o fosse.
Ai... e essa música só piora tudo. Preciso de uma cachaça. De repente ela apaga esta minha vontade de ti. E me faz até te esquecer. De repente, mas não mais que de repente... Ela me faz até ser menos intensa na vida.
Poesia da Semana:
Perfeita para uma balzaquiana de 19 anos...
As rosas não falam
(Cartola)
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
por fim
Post este que já não condiz com meu atual estado de espírito nem com a vontade de escrever. Mas já estava pronto, e o Webloger estava fora do ar. Não podia deixar de postá-lo. E por isso, veio tão fora do dia!
Só não dói mais, porque não me deixo fazer doer, porque neste exato momento, estou com uma ância inigualável de te ver...
E esta música, esta lua e esta cachaça só pioram.
Mas apesar desta dor, te perdôo tudo.
Te perdôo teres me enganado. Embora não seja tão ingênua para ser enganada. Te perdôo então, teres tentado me enganar.
Te perdôo também, por me ter escondido certas coisas. Mas isso não te deixa na obrigação de pedir perdão. Só deves pedir perdão se de fato te arrependeres.
Te perdôo ainda, mas desta vez com certa dificuldade, por teres alguém a quem amar. Não por tê-la, mas por mantê-la às escondidas. Por me teres feito de amante, sem que eu sequer tivesse esta escolha. Sem que eu sequer tivesse consciência disto.
E mais uma vez, isto não te obriga a pedir perdão. Aliás, prefiro que não peças, pois sei que quanto a isto não te arrependes.
Todos sempre buscam verdades.
Mas às vezes, verdades magoam muito.
Ainda assim, eu prefiro as verdades. Mentiras às vezes magoam muito mais.
Não minta pra mim. Principalmente agora que me tens nua e desarmada.
Podes ver, olha bem pra cá: Não tenho como me defender.
Tenho o coração na mão, porque ele não está cabendo no peito agora.
Mas não tenho lágrimas nos olhos. Não por insensibilidade, mas porque não as possuo.
Pelo menos não para ti. Não há de ser tu, quem irá me ver chorar.
Muito embora, a vontade seja enorme.
De repente, mas só de repente, se eu fosse menos introspectiva, alguma coisa ainda estaria funcionando.
Não tentes me adivinhar. Não sabes nada da minha vida. Não sabes do quanto de medo que guardo de qualquer coisa. De tudo o que me parece novo. até do que me parece bom.
Às vezes odeio ter este confessionário, me obriga a confessar meus sentimentos mais inconfessáveis. E me faz ficar dependente disto.
E o pior, é que pode ser lido. Por qualquer um. Até mesmo por ti. E isso piora bastante as coisas. Porque é sempre à quem é mais relevante, que eu escondo tudo sobre mim.
Mas sinceramente, já não me preocupa quem está lendo.
Foi escrito, é para ser lido.
E não venha. Não sou adulta o suficiente, nem madura o suficiente para te ver e só te abraçar. Para te abraçar e fingir que isso me sacia. Sentir teu perfume e fingir que não gosto e que não me traz nenhuma sensação. Não posso ser tua amiga, só porque não posso deixar de sentir saudades da tua pele. Pelo menos, por agora, não me obrigue a ser imparcial, porque somente a sua voz me pedindo isso, já seria o suficiente para que eu não o fosse.
Ai... e essa música só piora tudo. Preciso de uma cachaça. De repente ela apaga esta minha vontade de ti. E me faz até te esquecer. De repente, mas não mais que de repente... Ela me faz até ser menos intensa na vida.
Poesia da Semana:
Perfeita para uma balzaquiana de 19 anos...
As rosas não falam
(Cartola)
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
por fim
dezembro 14, 2007
Eu te amo!
(no Weblogger - o falecido - sexta-feira, 14 de dezembro de 2007)
My diary:
Eu te amo! E não finja que não percebeu, pois até o vento já me olha diferente. Até o vento já percebe que te amo!
Um dia sem vê-lo é mais um dia perdido. Sinto-me definhar a cada segundo em que não cruzo com seus olhos e não sinto o seu perfume - não propriamente um perfume, mas o cheiro da sua pele. E sinto que vou morrer em cada fuga de pensamento em que me vem a possibilidade de ele estar com alguém. E sinto que não sobrevivo se nem ao menos sonhar com ele antes de dormir.
Mas seus cheiro está tão distante...
Quero chorar, quero correr, quero gritar... Mas acima de tudo, quero ser sua! E quero que seja meu! Preciso dele para sobreviver.
Preciso dele.
Ou vou definhar como uma folha seca.
Poesia da Semana:
Antialética
(Camila Quevedo)
É claro que sinto dor
E que minha melancolia, é indízível
É claro que te acho linda
Em você vejo a beleza e a perfeição
É claro que a vida é bela
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que te amo
E que minha melancolia, é indízível
É claro que te acho linda
Em você vejo a beleza e a perfeição
É claro que a vida é bela
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que te amo
dezembro 01, 2007
Doendo
(no Weblogger - o falecido - sábado, 1 de dezembro de 2007)
My Diary:
Ainda que eu fuja, e apesar do remorso que isso me cause, não consegui ainda desviar minha atenção da sua íris...
Ai... Quantos minutos será que gastei esta semana tentando me desvencilhar do seu olhar enquanto me perdia tentando decifrar o que passava pela sua mente?
Nossa... está sendo difícil fugir dele a todo tempo... Achei que fosse capaz de me esconder, mas cada vez que fujo para dentro de mim mesma, ele aparece na minha frente para tirar meu sono e me lembrar que já estou totalmente entorpecida!
E cada vez que me convenço que não vale a pena e que só tenho tudo a perder, ele se entranha nas minhas narinas só para me fazer sentir vontade de me entregar de vez...
Só porque tenho medo de tudo isso,
só porque já tenho o amor com que sonhei a vida inteira,
só porque tenho o homem com quem quero envelhecer,
às vezes penso em desistir de tudo isso só para tê-lo...
Queria que fosse só às vezes...
Poesia da semana:
Amar
(Mario Quintana)
Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...
O amor é quando a gente mora um no outro.
Marcadores:
Dor,
Mário Quintana,
Paixão,
Poesia,
Weblogger
novembro 12, 2007
Paixão
(no Weblogger - o falecido - segunda-feira, 12 de novembro de 2007)
My diary:
Agora estou bem... mas como minha semana foi um tanto complicada, e aqui são tratados fatos de toda uma semana....
*A propósito, aproveitando para pedir desculpas pelo atraso no post...
Nossa! Tamanha dor que senti durante esta semana... Tanta confusão... Tanta vontade de jogar tudo para o alto...
Senti meu coração quase sair pela boca de ansiedade, de saudade e por fim... de vontade!
Aquela agonia e angústia juntas... Mãos suadas... irritação... curiosidade... Amor!
E que ruim é assimilar esta palavra... Neste exato momento, estou procurando desligá-la de qualquer outra associação que não seja o meu companheiro...
Por quase toda essa semana que terminou neste sábado, estive dividida entre aventura e segurança, entre paixão e amor, vontade e... nem sei mais! Não me sinto completamente apta para descrever a grande sorti de loucuras que se passaram na minha cabeça durante sete dias. Sete míseros dias! Como pode isso ser o suficiente para eu quase ter pirado de vez?
Ai que dor! Porque pensamos nas maiores loucuras do mundo quando justamente não precisamos dela??
Poesia da Semana:
Paixão
(Kleiton e Kledir)
Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo que se quer
Ah! Esse maldito fecho eclair
De repente a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Do que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo que se quer
Ah! Esse maldito fecho eclair
De repente a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Do que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou
Assinar:
Postagens (Atom)
