Mostrando postagens com marcador Áudio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Áudio. Mostrar todas as postagens

agosto 27, 2013

Pra quê?


Música para acompanhar: Tempo Perdido - Legião Urbana
Tempo Perdido by Legião Urbana on Grooveshark


Desde a hora em que eu acordei estou procurando algo além dos caracteres espalhados pela world wide web, mas não sei mais existir fora da luz azulada do monitor. São muito anos assim, perdida e inerte, e já não sei mais procurar caminhos ou entretenimento. Acabo caracozando, procurando gastar as horas nas redes sociais, sem perceber o tempo passar, como se o dia fosse um qualquer coisa de torturante e ruim, que você torce para que acabe logo.
Me ver agora é como despertar de um sonho, quando a realidade e a fantasia estão ainda misturadas e confusas, é são necessários vários minutos esfregando os olhos antes distingui-las e levantar da cama.

Aí que eu acordei, mas ainda não pus os pés no chão. Esqueci como caminhar. Esqueci como viver sem limites e sem amarras. Me parece que gostava das podas. Eu sabia quem eu era, o que devia fazer, quais eram minhas funções. Quais eram os meus limites.
Então de repente eu tenho de me descobrir nos mais profundos detalhes.

O que eu gosto de comer?
O que eu gosto de fazer?
Quem sou eu?
Pra quê eu sirvo?

Pra quem eu sirvo?

E tudo não passa de perguntas sem resposta, que amplificam significativamente a sensação vazia que me acomete. Descubro que difícil também é não ter alguém que te responda tudo, mesmo que você já conheça todas as respostas.
É realmente estranho e custoso caminhar sozinha. Sobretudo, quando não se é treinada para isso. Sobretudo quando você tem de começar depois de cansada e enrugada.

Pra que eu sirvo?

No fim das contas, acho que só queria encontrar uma qualidade em mim, para ter um ponto de partida para o recomeço da existência solo. Um foco próprio para direcionar os próximos passos e um sorriso de orgulho de si.

junho 12, 2013

Foi quase


Música para acompanhar: Emotion - Destiny's Child
Emotion by Destiny child on Grooveshark


Nós quase fomos aquele casal de comercial de margarina. Daqueles bem felizes que acordam sorrindo com roupas brancas e fazem gracejos logo pela manhã, sem sono, sem remela e com os dentes brancos. Só que com o sono e a remela. E sem as roupas.
Quase fomos daqueles que os amigos usam como exemplo de cumplicidade. Daqueles que não fazem nada no dia dos namorados. Daqueles que se surpreendem num começo de noite, de um meio de mês qualquer, com um churro bagunçado de açúcar e canela.
Quase fomos a dupla que ninguém nunca vê discutir. Não que a gente não discorde. Mas isso é coisa nossa. E tão pequena que eu sempre fiquei na dúvida se eram verídicas ou se eram meras gozações inconscientes, só para a vida não cair na monotonia da perfeição.
E foram muitos quases. Quase nos arrancamos a carne de tanto tesão até gastar os dentes. Quase nos afogamos no próprio gozo. Quase viramos clientes preferenciais daquele restaurante étnico. Quase nos casamos no outono. Quase tivemos filhos loirinhos e melindrosos. Quase fomos tão legais, mas tão legais, que todo mundo queria ser nosso filho, nosso irmão, tio, parente, conhecido, amigo distante...
Mas foi quase.
Foi por um triz. Bem pequenininho.
Mas mesmo pequenininho, não deu para estar aqui agora, te esperando com strogonoff no fogão.
Esse seu tão pequenininho quase, tão perto de nada, mudou o nosso futuro brilhante. E matou nós dois.



Tentei catar uma poesia para os amores vivos e os amantes desvairados do dia dos namorados, mas preciso de poetas novos. Ficou tudo muito clichê.

maio 30, 2013

O que não faz um par de brincos na orelha direita


Passando batom. Rímel. Blush. E todas essas "feminilidades" que usamos para nos sentirmos melhores do que achamos que somos. Hoje saí armada de cosméticos e promessas de sedução e pele perfeita, e, não é por nada não, mas essa besteirada toda é muito interessante.
Sai toda acreditando-me, caminhando com fulgor até o momento em que olhei o reflexo do retrovisor de um carro, estacionado ao meu caminho, enquanto esperava apara atravessar a rua. Que curioso, o que eu vi.
Naquele reflexo estava eu.
Encontrei ali, muito além de uma máquina de fazer operações matemáticas ou digitar caracteres por segundo. Tinha gente viva ali dentro.
Então tomei meu pulso. Havia pulso aqui, dentro de mim.
Fui percebendo o trabalho de cada um dos meus órgãos e das minhas células. As trocas gasosas nos alvéolos pulmonares, os pulsos elétricos percorrendo todos os meus nervos, os poros se abrindo, minhas mitocôndrias consumindo glicose indiscriminadamente. A temperatura do corpo mudando discretamente. Os músculos da face se articulando com a surpresa das descobertas.
Tão de repente. Tanta certeza de que eu existo de verdade. Tanta coisa que estava perdida e escondida por detrás de uma cortina de razões e preocupações estupidas.
Até que ventou. E eu senti meus cabelos balançarem enquanto fechava meus olhos para deixar o mundo acarinhar minhas têmporas.
Então reacordei do meu mergulho interno e olhei em volta. Perdi o tempo de atravessar a rua. Agora, mais um minuto de espera para chegar ao meu destino.
Pára. Escuta.
Havia tanta gente também.
Gente viva como eu.
Batom. De novo.
Sorriso.
Senti o cheiro da leveza. E sorri de novo. Outra vez, de maneira furtiva.
Estou toda furtiva, tão de repente. Nem vi, e já estava existindo.
Minha dança volta acontecer. Quer ver?

Agora tenho trilha sonora nova.
Se ficar olhando vai me ver dançar.


Música:
(Eu to toda me querendo, toda me sentindo. E a música é vazia demais para dispor a letra de maneira escrita. E não acompanha bem o post. Mas ela é relevante o bastante para aparecer aqui, em algum momento. E me permitam, sou carioca! ;)



Música para ilustrar: Show das Poderosas - Mc Anitta
Mc Anitta - Show Das Poderosas by Va - www.musicasparabaixar.org on Grooveshark



abril 18, 2013

Eu estou pensando em você


Música para acompanhar: Eu Estou Pensando Em Você - Paulinho Moska
paulinho moska - eu estou pensando em voce by Brasileros on Grooveshark


Não voltamos ao ponto de partida.
Enfim chegamos a uma conclusão.
Percebemos.
Decidimos.
Olhamos.
Enxergamos.
Que é impossível querer se livrar daquilo que, ainda sem saber - mesmo sem perceber - intencionalmente colocamos nos pormenores dos detalhes dos segundos dos dias que nem vimos passar.
Culpamos a vida. Deus. O universo. Mas fomos nós. Eu. E você. Sem livrar ninguém de responsabilidades. Fomos nós que nos fizemos tão cuidadosamente perfeitos um para o outro, e criamos essa vida de braços infinitos que nos envolvem e nos embolam e nos embaraçam e nos impedem de escapar disso tudo.

O que inventamos não tem mais conserto.
Nem tamanho.
Só existência.
Arrebatadora, incontestável, imensurável, indiscutível, insubstituível. Insensata.
Infinita.

Não existo mais sem você.


E agora?



dezembro 29, 2012

Já rompeu a aurora


Música para acompanhar: O Vento - Los Hermanos
O Vento by Los Hermanos on Grooveshark


É em meio ao pôr-do-sol, ao sussurro gaiato das folhas namoradas pelo vento, em meio aos pássaros desoprimidos e solfejantes, que me despeço calmamente do ano que passou sem calma alguma. Que correu em velocidade intangível, ofegante, robusto, mas com força de brisa. Com significado de brisa. Tão marcante quanto mais um pôr-do-sol consegue ser.
Só mais um.
Só mais um ano.

Vou dando adeus, plácida, e me alimentando de esperanças de uma vida mais leve com sorrisos furtivos e peito ansioso, que não caiba em si. Quero começar um ano que viva além da melancolia vespertina e das certezas.
Estou ansiosamente desejando um ano cheio de alvoradas, e com bem menos crepúsculos saudosistas, Cheirando a carro novo. Em cada segundo.

Encerro o ano com as mesmas ondas decididas com as quais ele começou.
Desejando e deixando bons fluídos para os que acompanham minhas maresias.
Até.


junho 21, 2012

Fêmea delta


Música para acompanhar: The Ballad of Monalisa - Panic! At the Disco



Sinto muito, mas não sou a mulher que você espera. Desculpe decepcionar-te.
Nada tenho a te oferecer de habitual numa conversa macho/fêmea. Nada de voz sedutora, de jogos corporais, de flertes. Nenhum papo fingidamente desinteressado, travestido de conversa casual. Sem etilismo.
Aqui você não vai encontrar aquela conquista fácil, resultante de joguinhos de sedução baratos, que se pratica em noites de tédio.
Não. Não aqui.

Nada disso posso te oferecer. O máximo que consegue extrair de mim será minha timidez. Constante e indisfarçável.
Sou boba e fácil de seduzir, confesso. Mas não tenho receita. De repente: gostei ou não gostei! Não há regras ou manual de instruções.
Também não adianta discorrer elogios, porque não acredito neles. Não sou bonita, estou fora de forma e tenho chulé se fico muito tempo com sapato fechado sem meia. Eu não atraio visualmente, então, o máximo que vou poder te dar em retorno pelos galanteios é meu sorriso amarelo.
Ser seu tipo de mulher provavelmente seria muito mais fácil e efetivo. Mas não...

Eu falo olhando fixamente nos olhos, o que pode parecer ameaçador às vezes.
É a única forma que sei me comunicar, até que algo me faça perder a compostura e eu seja obrigada a evadir para meus pés.
Desde a mocidade tenho tanta certeza de mim, que usar meu espelho para baixar minha guarda não é possível. Tenho dedos magros, expressiva flacidez nadegueira, cabelos rebeldes e lido muito bem tudo com isso. Não me causam insegurança – ainda que não me causem satisfação.
Aquela solicitação gratuita de elogios nunca parte daqui - ou quase nunca. Eu gosto do reconhecimento pelo que conquistei e não o camuflo com falsa modéstia.

Devo ser o avesso daquilo que lhe atrai.
Sou um leão que brinca de ser bailarina de vez em quando. Daqueles que não se abalam por nada aparentemente.
Não estou sempre penteada, nem tenho as unhas bem feitas. Mas garanto que minhas mãos te acarinham o rosto com delicadeza que você nunca conheceu.
Enaltecimento excessivo me cansa. Não sou fêmea de pavão.
Gosto do retrato sincero. Quaisquer dos seus métodos de sedução típicos não funcionarão. Desculpe castrá-lo. Não era minha intenção. Mas pelo jeito, nasci rebelde.

Sussurros pela nuca não me eriçam, pelo contrário, me causam asco. Mas a honestidade... Essa pode me derrubar.
Eu tento a todo custo disfarçar atração e anseio. Mas se você estiver diante dos meus olhos neste momento, vai perceber bem rápido apesar do meu empenho.
Divido as contas, bebo whisky, assumo minha miopia e amo batom vermelho.

Eu sei que sou o avesso de tudo o que você já viu.
Mas também sou o que está te tirando o sono agora.

março 15, 2012

Então... [3]





Amanheceu e uma impressão incômoda tomou conta de tudo o que havia. Fiquei muito tempo de olhos cerrados com medo de descobrir o que a vida me guardava de desagradável.
Não demorou para se revelar, apenas voltei à realidade perdida durante o sono e notei, não sem desconforto, que aquele era um dia seu. Daqueles em que você está presente em cada pormenor.
Começou errado, muito errado, porque abri meus olhos e não esbarrei com os seus: sonolentos, intensos e verdes.
Acho que não esquecerei a sensação do dia de hoje de, depois de tanto tempo vivendo este quarto vazio, despertar e perceber tão nitidamente que você realmente não estava ali.
O dia começou absolutamente errado. E permaneceu assim durante todos os seus infinitos segundos.
Estava tudo ali. A sala muito organizada, as torradas de pão de forma, a pressa. Não tinha suas meias espalhadas por toda a casa. Não tinha qualquer vestígio de atividade humana para me trazer irritação.

O sol escorria pelas janelas e anunciava a manhã que vinha preguiçosa e clara. Queimava meus olhos lambendo meu sono e eu lembro, nessa exata e deliciosa hora, do seu beijo de despedida.
E depois você estava lá do meu lado, guiando minha vida na segurança das suas grandes mãos firmes. Com o vento trazendo para as minhas narinas o perfume do seu cabelo com shampoo.
Veja só. Mesmo o vento que me acompanhava trazia sua presença.
O telefone tocou diversas vezes e aqui, neste pequeno mundinho reservado, eu reconheci rapidamente os números do identificador de chamadas sofri o típico formigar das mãos e a repentina falta de ar ao atendê-lo. Só que não.
É uma sequencia de sensações que sei que não terei nunca mais.
E de novo encontrei com você pelo caminho, durante o almoço e durante o happy hour. Nos casais que de súbito surgiram no meu dia, sorrido sem compostura. Na cerveja que um garçom servia para outro casal, também se rindo com os dentes assanhados. Você estava ali numa mulher solta em meio à multidão com o olhar perdido. E verde.
Durante todo este longo e minucioso dia houve tanta paz. Teve até fotos suas.
Tinha flores de jambo pelo chão. Teve trabalho, almoço.
Mas estava tudo errado. Esteve tudo errado porque nada foi absolutamente real.
Faltou você ali.
Faltou você aqui. Faltou seu tempero na minha cozinha e nas minhas torradas de pão de forma. Faltou seu perfume nas minhas roupas. Faltou você trazendo realidade e verdade para estas 24h perfeitas demais sem suas imperfeições planejadas, de cabelos despenteados e meias espalhadas.
E mesmo sem saber por quê, depois de tanto tempo vivendo este mundo solitário, eu percebi muito nitidamente que você não estava ali.
Faltou você. De verdade.




Sem textos alheios por hoje.

janeiro 26, 2012

Recomeço


Música para acompanhar: Kiss From A Rose - Seal



A nossa vida termina a cada trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas aproximadamente. E recomeça quando se atinge essa fatídica sexta hora.
E por um súbito abrimos os olhos cansados e temos certeza de que os passos serão mais lentos e firmes a partir deste momento surgido das cinzas, que as palavras terão mais fluidez e que o riso será mais fácil. E enganando o espírito nos deixamos esquecer que não se findou e iniciou uma nova vida, mas que é apenas o primeiro minuto chegado depois da vigésima quarta hora do dia anterior, amargurado, desesperançado e despedaçado.
No âmago, sempre sabemos que se trata de cada vez mais lutas contra predadores e presas para alimentar-se e para dormir com o mínimo de paz que um coração acelerado consegue ter.
Então o que o corpo - a vida - pede é amor.
Amor o bastante para aquietar os ânimos já muito exaltados e aliviar as feridas abertas no peito sem clemência ou anestesia. Que lhe permita aquele segundo de eternidade quando você acorda e sente cheiro de pele limpa antes de regressar ao sono. Para olhar as contas do mês com serenidade e ir comer pipoca doce.
A vida nunca será fácil e as lágrimas virão atormentar-(m)te com uma freqüência maçante. Mas talvez o coração um dia esteja calmo e são.
Vai chover muito em Março, e muitos lares se abalarão. O esgotamento físico já estará crítico em Junho. Haverá frio e solidão excessivas em agosto.
Mas o que se pode esperar para os dias que virão, do ano que está ainda em formação - mas que já carrega o fardo das dores e experiências do que passou - senão o amor?



Poesia

Esperemos
(Pablo Neruda)

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.