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janeiro 12, 2013

Vento do mundo

Eu ainda posso me sentir só. Ainda me encontro cheia de dúvidas, com um meio mundo de películas ferozes sendo rodadas num grande espaço complexo e mal habitado dos meus pensamentos.
Fico outra vez me perguntando qual caminho seguir, e tentando descobrir por que, até neste exato momento, eu me enxia de certezas tão fugazes.
Aqui você me escapa o tempo todo e eu não sei quando tornarei a te aprisionar sob meus cabelos.
De repente o mundo sopra dentro do meu peito, e me lembra do enorme espaço que há aqui dentro.



Poesia:

Água Viva
(Clarice Lispector)

Desconfortável. Não me sinto bem. Não sei o que é que há.
Mas alguma coisa está errada e dá mal-estar.
Mas no entanto estou sendo franca e meu jogo é limpo.
Abro o jogo. Só não conto os fatos de minha vida: sou secreta por natureza.

julho 21, 2012

Agora


Só consigo refletir sobre a incrível dualidade emocional pela qual ando passando. Sobre a sua enorme capacidade de despertar em mim os piores e os melhores sentimentos perceptíveis pela espécie humana. E sobre o quanto eu me encontro parada olhando para o mundo sem saber qual direção escolher para apontar meus pés.
I fuckin' love you! Mas não tenho ideia do que fazer com esta informação.

Estou tão cansada que não sou capaz de escrever grande coisa, embora haja muito para ser destilado por aqui. Compenso com um texto de uma escritora de verdade.



Poesia:

Terracota
(Roseana Murray)

Da terra retiro
sua gama de cores:
ocre, vermelho, ferrugem,
terracota, outono,
o sol.
E pinto a alma em pinceladas
grossas, camada sobre camada,
para aguentar o peso do céu.

janeiro 26, 2012

Recomeço


Música para acompanhar: Kiss From A Rose - Seal



A nossa vida termina a cada trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas aproximadamente. E recomeça quando se atinge essa fatídica sexta hora.
E por um súbito abrimos os olhos cansados e temos certeza de que os passos serão mais lentos e firmes a partir deste momento surgido das cinzas, que as palavras terão mais fluidez e que o riso será mais fácil. E enganando o espírito nos deixamos esquecer que não se findou e iniciou uma nova vida, mas que é apenas o primeiro minuto chegado depois da vigésima quarta hora do dia anterior, amargurado, desesperançado e despedaçado.
No âmago, sempre sabemos que se trata de cada vez mais lutas contra predadores e presas para alimentar-se e para dormir com o mínimo de paz que um coração acelerado consegue ter.
Então o que o corpo - a vida - pede é amor.
Amor o bastante para aquietar os ânimos já muito exaltados e aliviar as feridas abertas no peito sem clemência ou anestesia. Que lhe permita aquele segundo de eternidade quando você acorda e sente cheiro de pele limpa antes de regressar ao sono. Para olhar as contas do mês com serenidade e ir comer pipoca doce.
A vida nunca será fácil e as lágrimas virão atormentar-(m)te com uma freqüência maçante. Mas talvez o coração um dia esteja calmo e são.
Vai chover muito em Março, e muitos lares se abalarão. O esgotamento físico já estará crítico em Junho. Haverá frio e solidão excessivas em agosto.
Mas o que se pode esperar para os dias que virão, do ano que está ainda em formação - mas que já carrega o fardo das dores e experiências do que passou - senão o amor?



Poesia

Esperemos
(Pablo Neruda)

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

dezembro 19, 2011

Agora nada

Agora acabou. E eu fiquei esperando o que acontece depois, como quem assiste aos créditos finais. Com um silencio crescendo ao meu redor e a perfeita sensação de nada estava acontecendo.
Até perceber que tenho que começar a escrever para que haja história a ser contada.
Silêncio mais uma vez.
Então olho para a janela... Provavelmente ainda na esperaça de que haja algo depois do fim, mas não há.
Não há gente, não há som, nem nada para acontecer sem que eu tenha de tomar o primeiro passo.
Mas há chuva.
Então vou começar por aí. Abrir a janela e sentir a chuva. Deixar ela lavar e levar de mim tudo isso que não existe, e trazer nem que seja o frio.
Com licença, vou lá escrever uma história.



Poesia:

Mas há a vida
(Clarice Lispector)

Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.

setembro 12, 2011

Aí então...


Aí que eu vou saindo de você. Aos poucos. Às vezes. E outras vezes, muito depressa. E você vai notando que não sou mais que uma boa brisa perto dos espetáculos que estava acostumado a viver. E agora você vê, são sempre mais fortes que minhas melodias. Então eu fico só na lembrança de uma época pouco distante. Mas boa. Reconhecemos. Aí que daqui a pouco, já não tenho nenhuma parte dentro de ti, e nem espaço para forçar minha presença. Aí que meu corpo não passa de uma lembrança distante. E meu nome se torna só mais um nome. Então não causo mais nenhum furor. Ou qualquer emoção. Aí que vou deixando de ser lembrança. Aí que descubro que fui vida, fui sopro, fui frio. Fui. Já nem existo mais. Aí que descubro que tudo passa.



Poesia


(Caio Fernando Abreu)

Te desejo uma fé enorme.
Em qualquer coisa, não importa o quê.
Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
As coisas vão dar certo.
Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma.
Certo, muitas ilusões dançaram.
Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.
Que 2011 seja doce. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Que seja bom o que vier, pra você.

fevereiro 10, 2011

Sentítulo

E sei que não sou tão clara quando a poeira presa na minha janela, às vezes invísivel dependendo dos raios de sol que nela incidem, porque as barreiras entre meus cérebro e o mundo são espessas e resistentes demais, quase como concreto. É o forte que me livra dos ataques invasores. Nada sai assim como ninguém é capaz de entrar, e de lá pode-se prever os movimentos hostis.
Às vezes há uma quase fuga de emoções, um quase segundo que sou fácil de compreender e um quase triz de dizer tudo o que sempre quero, mas que neste quase, tudo fica, graças às minhas barreiras (aquelas tão espessas quanto concreto). Há sempre um triz de quase (mais) fragilidade que não se concretiza mas que deixa seu cheiro no ar. Enfim, não sou clara.
Mas sou tão transparente que minha sinceridade chega perto do óbvio. Está no meu entorno, exibindo-se numa áurea, como um cartaz no meu pescoço que diz: confie em mim.
Não é honestidade demais, é só a honestidade necessária para que eu seja tola o suficiente de crer existir mais alguém assim e sentir um soco na boca do estômago sempre que descubro que me enganei.
E pelas minhas barreiras - ou pela falta momentânea de ar que o punho me causa - meu grito fica: aqui.
Tão silencioso que nem os vizinhos podem ouvir. Eu quase não o escuto.
Me encontro com os olhos arregalados, sangue na boca e muita dor. Mas nenhuma voz.



Poesia:

Árvores in Rios da alegria
(Roseanna Murray)

Se pudéssemos plantar palavras,
como se planta uma árvore,
tantos frutos invisíveis
contido sem seu silêncio,
tanta sombra ao meio-dia
em seu futuro,
palavras simples e quentes,
amor, pão, mel, encontro,
as sementes seriam aladas,
e o vento varreria o jardim,
então, pouco a pouco,
atravessando montanhas,
mares, cidades,
a paz cobriria o mundo

agosto 06, 2010

Sobre verdades e dores


Eu estou com um vazio se dissipando dentro de mim, me enchendo de nada. Perdi o solo e o rumo. A cor e o rubor da minha pele ao fechar os olhos e sentir o último adeus. O fim. No fim, no final de tudo, não é o fim que machuca. De forma alguma, o que dói é não ter visto quando o fim chegou. Quando foi que a vida desandou. E desde quando há todo este engano.
No fim... Este fim que para mim não chega tamanho o amor e posso guardar. Tanto me que escapa pelos dedos, pelos pêlos, pelos poros, consome-me. Escapa-me pelos olhos.
Mas como disse, não dói perder-te. Dói é não ter sabido quando te perdi, e ter acreditado em meias verdades durante um tempo excessivamente longo e bom. Eu posso perder-te, claro que posso. Tudo posso para manter seu sorriso aberto, porque meu amor precisa ver fluidez e leveza na sua vida. Meu amor é pra você, e não para mim. Não para a minha felicidade.
Dói de verdade, numa intensidade que eu jamais poderia descrever - ou compreender - é saber que dói só em mim, que pesa só em mim, que só eu percebo a dor dessa ausência. Que você sequer notou que estou definhando, porque aparentemente - e só eu  não tinha visto - já não havia eu em você, e em nada teu.
Mas em mim... Está todo você em mim, e neste maldito e fiel amor, que nunca acaba, e que te assiste de longe. Que abriu mão de você para te ter para sempre. Só para poder ver, mais uma vez, que fez tudo o que pode, com o esforço maior que o corpo pode ter. Que por você deu tudo o que tinha para que só para te garantir felicidade eterna.
No final, sou sempre eu que te ponho no colo e seco o seu suor.
Mas quando foi que o fim chegou? Quando foi que você parou de percerberque não há mais sopro vida em mim, porque todo ele eu te entreguei, sem pensar duas vezes?
Quando foi, me responda qualquer um, eu eu perdi meu alicerce?
Enxergue que jamais alguém desfaz suas escolhas e abandona a própria vontade. Que ninguém no mundo ama pelo outro, mas ama por si, para seu gozo. Mas eu...
Mesmo você não soube isso. E você não me mostrou quando parou de existir o nosso plural. Antes me tivesse feito ver. Magoa muito ter acreditado numa solidez inexistente e não ter visto esse singular na minha - nossa -  história.
Mesmo assim no fim, está lá o meu amor. Fiel e infinito. Guiando-te, guardando-te, sempre à espera. Sempre pronto como a sua webcam.


Você sabe que eu gosto de ter letras e lágrimas enquanto as escrevo. Mas nunca isso foi resultado de um nada que faz até eco dentro de mim. Mesmo assim, não reluto. Adeus.



Poesia da Semana:

Soneto de Fidelidade
(Vinicius de Moraes) (dããã)

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

agosto 24, 2009

Fênix?

My Diary:

Ao longo do que se alcança a plenitute as palavras vão ficando mais escassas. Não por falta de sentimento, mas pela falta da dor que inspira a confissão.
Dia após dia, se choram poemas e solidão, mas para mim, não há como não falar daquele céu esverdeado que vejo ao abrir a janela em toda manhã de sábado, que exala de si uma quimera doce e refrescante, que me cega os olhos e preenche meus pulmões.
Impossivel não falar dos dias vazios, mas as horas plenas que tenho, de cor e suor, e cheiro de jasmin, seria um sacrilégio deixar subentendida.
E mais impossível ainda não falar dos lábios que me põem para dormir.



Poesia da Semana:

Victor Hugo
(Os Cantos do Crepúsculo)

Desde que eu meu lábio levei ao copo plenamente cheio, Desde que eu minhas mãos coloquei em minha fronte pálida,
Desde que eu respirei às vezes o sopro suave
De tua alma, perfume de tua sombra enterrada,
Desde que me era dado ouvir um ao outro me chamar
As palavras que se derramam no coração misterioso,
Desde que eu vi chorar , desde que eu vi sorrir
Sua boca em minha boca e seus olhos em meus olhos;
Desde que eu vi brilhar em minha cabeça encantada
Um raio de tua estrela, ai! sempre escondida,
Desde que eu vi desabar nas ondas de minha vida
Uma folha de rosa arrancou os teus dias,
Eu me coloco agora a contar os rápidos anos:
- Passam! Passam sempre! Eu não tenho mais a idade!
Vou partir para que tuas flores desbotem todas;
Eu tenho na alma uma flor que ninguém pode colher!
Suas asas batendo não farão que nada se derrame
Do vaso d’água que bebo e que eu bem enchi
Minha alma não tem mais fogo do que vós possuis em cinzas!
Meu coração não tem mais amor do que vós possuis esquecimento!

junho 13, 2009

Aiai

My Diary:

Antigamente eu escrevia toda semana.
Mas isso era antigamente.
Na época em que as palavras não ficavam a um triz de fugir da minha boca e eu tinha a cabeça pouco menos ocupada do que está agora.
E sabe-se lá porque, apesar de não estar com os nervos à flor da pele e os sentimentos todos escapando pelos poros, àquela época me vinham coisas a escrever.



Quero ouvir, quero falar,quero sentir sabores e odores. Quero tantas coisas e tantas coisas distantes das minhas mãos.
E só o que eu penso é no quanto meus batimentos aceleram repentinamente. E o quanto são gostosos os meus suspiros inesperados.
Ao mesmo tempo que não me deixo cair, também não me deixo no chão. E é onde eu me perco. Mas porque se perder tem de ser necessariamente ruim?

É tudo tão confuso que minhas palavras perderam a coesão. Não estou apta a escrever. Não mesmo.
Muito menos a perceber o que estou pensando ou sentindo.
Acho que na verdade, estou estática. O mais estático que o meu corpo pode se manter.
Com os batimentos a 200 por minuto. Em repouso. Não quero saber como estão eles durante atividades físicas.
Não posso pensar na palavra "físicas" agora.
Ela me levaria a horas de escritos sem sentido...



Poesia da semana:

Panorama Além
(Cecília Meireles)

Não sei que tempo faz, nem se é noite ou se é dia.
Não sinto onde é que estou, nem se estou. Não sei de nada.
Nem de ódio, nem amor. Tédio? Melancolia.
-Existência parada. Existência acabada.

Nem se pode saber do que outrora existia.
A cegueira no olhar. Toda a noite calada
no ouvido. Presa a voz. Gesto vão. Boca fria.
A alma, um deserto branco: -o luar triste na geada...

Silêncio. Eternidade. Infinito. Segredo.
Onde, as almas irmãs? Onde, Deus? Que degredo!
Ninguém.... O ermo atrás do ermo: - é a paisagem daqui.

Tudo opaco... E sem luz... E sem treva... O ar absorto...
Tudo em paz... Tudo só... Tudo irreal... Tudo morto...
Por que foi que eu morri? Quando foi que eu morri?

abril 18, 2009

Mata-borrão

My Diary:

Vontade de me dar asas e me lançar ao céu. Que vontade!
E por várias vezes fiquei à apenas alguns segundos de me arriscar e sentir o vento batendo no meu rosto e secando o meu suor. O corpo fica balançando que nem joão-bobo, como um pêndulo, tomando coragem e hesitando. Sempre por um triz de me sentir livre.
Um próprio mata-borrão.
Mas como a vida é tão assustadora e cada lugar novo que se conhece é sempre um risco à saúde (física e mental) fico só nessa oscilação.
Vou à beirinha do precipício, olho para a cidade lá embaixo e para a névoa que atrapalha um pouco a minha visão. Fico imaginando como pode ser boa a sensação de voar. Tenho meu ímpeto, e volto.
Volto para o meu solo firme e caminho nas pontas dos pés. Sempre experimentando cada passo, para não correr o risco de tropeçar.
Afinal, sabe-se lá, se aquela cidade que eu vejo turvamente, pouco encoberta pela neblina, é tão bela quanto ela parece ser.
A vista de cima é sempre mais bonita do que a realidade.



Poesia da Semana

(Pablo Neruda)

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e por vezes ela também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.

Ela amou-me, por vezes eu também a amava.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.

Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.

Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
A minha alma não se contenta com havê-la perdido.
Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.
O meu coração procura-a, ela não está comigo.

A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.
Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.
Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.
Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.

Porque em noites como esta tive-a em meus braços,
a minha alma não se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor que ela me causa,
e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo.

fevereiro 26, 2009

Já devia ter postado antes...

My Diary:

Sou um cavalo xucro, que não aceita rédeas.
Sou como uma tempestade devastadora.
Não se me pode deter... E nem sequer evitar meus desastres.
Não tenho fios presos às minhas mãos e pés... Não sou um marionete manipulável.
Tenho alma e vida própria.
Ganhei no sopro de vida que Deus me deu.
E depois disso, sou eu quem desenvolvo meu caminhar.
E o meu caminho escolho eu.
Sou tempestuosa e indomável.
E ameaçadora que você nem sabe.
Não tenho alavancas, nem roubo as sombras de ninguém.
Os calos nas minhas mãos mostram que escalei só e com dificuldade.
Eu sou a Lua adorada que não pertence a ninguém.
E a melancolia do pôr-do-Sol que muitos querem apagar.
Mas não adiantam os desejos... Só vou embora quando eu cismar.
Eu sou o vendaval e o cão sem dono.
E sou vacinada contra a dor.
Nunca procurei Oz. E nem acredito em anedotas.
Eu controlo minha cabeça.
E no meu coração, mando eu!



Poesia da Semana:

Ausência
(Vinicius de Moraes)

Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

fevereiro 05, 2009

Mais solitário que um paulistano

My Diary:

Eu sabia que não iria demorar a aparecer uma confissão. Sou inconstante demais pra permanecer plenamente calma durante muito tempo.
Hoje... Hoje eu estou só. Sozinha demais. Esquecida demais. Vazia demais.
E a cada minuto este vazio se enche em mim, e fica aquela angústia presa. Aquela vontade de ser qualquer um neste mundo, menos eu.
Sensação de que todo mundo está sorrindo neste momento, mas o meu, só o meu sorriso não se abre.
Sensação de que tudo o que todo mundo não precisa agora, sou eu.
Hoje, eu estou mais sem graça que a top model magrela na passarela.



Poesia da Semana:

Despedida
(Cecília Meireles)

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)

Quero solidão.

dezembro 24, 2008

Toda à flor da pele

My Diary:

Dia incomum para escrever.
Mas está sendo um tanto difícil passar tanto tempo sem colocar pra fora as angústias que - por mais que eu tente esconder - existem em mim.
E já está na hora de assumir - não pra mim, porque eu já sei disso - que eu sou toda sentimento.
Que não sou pedra nem morta. Mas sou amor e intensidade em cada célula minha.
Que choro e me desespero. Que amo, e amo em demasia.
A verdade, é que em nada na minha vida, não vejo beleza e poesia.
Em tudo há amor e sofrimento. E sofrimento de amor.
E angústia. E dúvidas.
E medo.

Um medo de criança.
Que em mim eu tenho tanta meninice. E eu nem sabia que tinha tanta.
Eu cresci cedo demais.
Mas minha meninice ia aparecer em algum momento...
Se não a tivesse guardado, ela não teria aparecido em hora tão inoportuna.

Tem dias que eu não durmo bem. Que não como bem.
Eu só espero as horas passarem.
Espero que a noite chegue e chegue logo.
E quando ela acaba, eu torço para que a próxima noite chegue logo também.
Meu dias andam perdidos. E já sem importância.
Eu só quero que a noite chegue logo.
E quando ela chega, tudo em mim pára. E eu nem preciso fechar os olhos para ouvir a minha pulsação.

A verdade, é que tudo em mim é amor.
E eu nem sei por que finjo não ser assim.



Poesia da Semana:
Quis poesia de novo. O problema é todo meu.

(Pablo Neruda)

Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

dezembro 19, 2008

Te amo. Desculpe.

My Diary:

Vou contar um segredo agora. Um segredo dos mais inconfessáveis, então, não saia espalhando ele por aí.
Eu choro. E eu juro que isso é verdade.
Por mais que eu tente fingir que não sou assim. Eu choro e choro muito.
Por mais que eu guarde quase tudo só pra mim, eu sou muito emocional. E muito intensa também. Só que ninguém nunca sabe.
E não me pergunte por que eu escondo tudo, pois eu não sei responder.
Mas eu estou começando a acreditar, que perdi muita coisa nesta história de guardar meus sentimentos só pra mim.
Sabe, eu choro. E este ano chorei mais do que devia.
Chorei por quatro pessoas diferentes. Nossa... Que estatística alta - e desnecessária, por sinal.
Sabe, estou chorando agora. Se não estivesse chorando, não estaria confessando isso.
Sabe, estou amando agora. Mas este segredo é ainda mais inconfessável do que o outro.
Este eu sei porque. É porque eu não sei o que acontece se eu confessar este.
O que mais será que eu perderia?
Sabe, estou amando agora.
Mas não conta pra ninguém tá?



Poesia da Semana:

A Liberdade Que Devemos Ter
(Tuany Medeiros)

Não quero que o assunto morra,
não quero falar do assunto.
Se assunto virar novela, eu viro novela junto.
Não gosto de ouvir disso,
não gosto de ter ouvidos para ter que ouvir,
mas eu prefiro te-los do que você mentir.
Não tentei disfarçar o sentimento,
mas acabei tendo que disfarçar,
Mas o amor que eu tenho dentro não me deixou enganar.
Não posso ficar falando,
não queria ter comentado,
mas eu prefiro ter dito tudo, do que ter sofrido calado.
Eu não suporto saber das mulheres,
as mulheres que tem no mundo,
Que sempre estarão ao seu redor, que quando penso me levam ao fundo.
Eu odeio ter que dividir o que eu mais amo,
eu queria ter de você, tudo.
E é dificil, mas é melhor que você não fique mudo.
Eu sei que você me ama,
eu te amo muito também,
Só que eu não consigo pensar em você sendo de mais alguém.
'Te amo ainda mais calado, do que em prosa e verso.'

dezembro 06, 2008

Apreensão

My Diary:

Está tudo calmo demais.
Um calmo calado de medo, sabe? Aquele silêncio de criança aprontando.
Aquela colheita muito boa que precede a geada. Ando a passos cautelosos, experimentando o solo, porque meu íntimo, ele está apitando. Me avisando que há perigo à vista.
Tenho radar. Posso prever que algo ruim vai acontecer.
Só não posso prever quando.
O jeito é continuar seguindo com o coração apertado, os passos medrosos e o sono leve.
Peut être le fin du monde?
Quel monde?
Le mien?????



Poesia da Semana:

Ontem à noite (Hier au soir)
(Victor Hugo - Tradução de Casimiro de Abreu)

Ontem - sozinhos - eu e tu, sentados,
Nos contemplamos quando a noite veio:
Queixosa e mansa a viração dos prados
Beijava o rosto e te afagava o seio,
Que palpitava como ao longe o mar...
E lá no céu esses rubis pregados
Brilhavam menos que teu vivo olhar!

Co'a mão nas minhas, no silêncio augusto,
Tu me falavas sem mentido susto,
E nunca a virgem que a paixão revela,
Passou-me em sonhos tão formosa assim!
Vendo essa noite pura, e a ti tâo bela,
Eu disse aos astros: - dai o céu a ela!
Disse a teus olhos: - dai amor p'ra mim!

novembro 22, 2008

Confissão do esgotamento total

My Diary:

Esgotamento é quando sua cabeça não quer mais pensar as coisas que ela deve ou está pensando.
É quando seu corpo não quer mais fazer as coisas que ele deve ou está fazendo.
É quando seu coração não quer mais sentir as coisas que ele deve ou está sentindo.
O esgotamento é aquilo que te faz se perguntar porquê você está se perguntando tanto.
E te faz não quer perguntar mais nada, porque as respostas já te cansaram.
E o raciocínio lógico também. É quando chorar não faz mais efeito. E o sorriso também não quer mais aparecer.
E quando pensar em chorar já dá cansaço nas articulações.
É quando a dor é tanta, mas é tão banal que você nem mais sente. E também não tem mais vontade de tomar remédio.
Este esgotamento é o que te faz ser infeliz e nem querer buscar o motivo disto.
Te tira a fome, a sede. Mas também não te deixa saciado.
Te dá a certeza de que tudo estagnou. Mas você nem percebe que tem esta certeza. Porque você não sabe que há certeza de alguma coisa.
A vida anda parada. Os sons demoram a chegar. Seu ouvido demora a percebê-los.
Quando o esgotamento chega, você sequer pensa em buscar a felicidade. Você só quer dormir e não acordar mais.
Você só quer desistir.
O esgotamento é o que te faz querer abdicar. Fugir! Gritar!

I GIVE UP!!!!







E você grita... O som ecoa...
Nada acontece...



E eu estou a um triz de desistir desta vida.



Poesia da Semana:

Receita para dias de chuva
(Roseana Murray)

Dia de chuva é para viajar
na neblina e no vento
para dentro para dentro.

um livro fechado espera
que se abram as suas portas
com as chaves do pensamento.

novembro 07, 2008

Poesia Repetida (Perdoem-me)

My Diary:

Apesar de todo o meu ceticismo, tenho que acabar aceitando muitas coisas.
Aceito agora que alguma lei rege o universo. Que muitos chamam de acaso. Outros de destino.
Eu não chamaria de nada, porque meu ceticismo não me deixiaa acreditar na sua existência. Mas está difícil me manter cética.
O que mais me dói, é aceitar que algo sempre vai dar errado.
Em todos os meus planos. E confesso pra mim mesma agora, que, na verdade, muitas coisas dão errado nos meus planos.
E eu só venho perdendo.
E tenho perdido pecinhas importantes do quebra cabeça da minha vida.
Que antes era Monet.
Agora...
Dá raiva ter de me ajoelhar ao universo e aceitar suas regras. E não poder brigar contra elas.
Saber que as peças que eu perdi são irrecuperáveis.
E aceitar que eu estou sujeita a perder mais e mais partes da minha vida.
E tentando adaptar minha vida a tantas perdas, o Monet está virando Picasso...



Poesia da Semana:

Lágrimas
(Camila Quevedo)

E no auge da minha dor
revelo meu segredo
num mero pedaço de papel
já que eu, de tão medíocre
não poderia divulgar meu afeto.
E sentimento tão puro,
sem luxo, tão pobre
e carente de qualquer valor,
simples e só
não precisa ser posto aos olhos
da criatura de minha inspiração
a quem não valeria o conhecer...
E quando as palavras escritas são
a única forma de deixar meu manifesto,
mostro o meu amor
mudo e escondido,
para que ao menos este papel
possa compartilhar as minhas
lágrimas.

outubro 25, 2008

Pas du tout

My Diary:

Não estude arquitetura.
Não trabalhe por pouco.
Melhor, não trabalhe.
Não se relacione sem compromisso.
Não deixe de dormir.
Não gaste seus fins de semana na Internet.
Nunca se deprima por não entregar seu trabalho no prazo.
Não espere nada de ninguém.
Não hesite em chorar se der vontade.
Não seja intenso demais.
Nem intimista demais.
Não se apaixone nunca, nunca!
Não tenha espinhas.
Não tenha moral.
E seja feliz.



Poesia da Semana:

Timidez
(Cecília Meireles)

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…
e um dia me acabarei.

outubro 05, 2008

Turned off

My Diary:

Hum...
Acho que vou fazer compras...
Não tenho nada em específico que queira comprar. Mas como não tenho mais nada de útil que fazer da minha vida, então vou gastar. Vou consumir até não ter mais como carregar.
De repente compro uma regatinha básica na Cantão. Branca. Já tenho 17 delas. Mas nunca é demais né?
Vou anular meu voto. Não tenho nenhuma opinião política mesmo!
Não, melhor: vou viajar pra qualquer lugar e justificar meu voto. Esse negócio de votar é realmente uma palhaçada.
Uma perda do meu Domingo.
Hum...
Desisti do vestibular.
Papai já falou que me paga uma facul qualquer aí.
Mas também nem sei se vou fazer faculdade. Meu pai vai de dar mesada até morrer mesmo. Não preciso de emprego. (E nem quero um!)
Mentira... Tem cada gatinho universitário... Vou fazer facul sim.
Mas de quê?
Estou sabendo que a galera de adm faz uns churras maneiros! Acho que vou fazer adm então!
Ah! Chega de pensar nessas coisas!
Vou comer alguma coisa e me preparar pra balada de mais tarde.
É só o que posso fazer mesmo, já que não tenho em que contribuir para o mundo.
Meu intelecto já está decrépito mesmo!



Poesia da Semana:

Desencanto
(Manuel Bandeira)

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.

setembro 20, 2008

Reticências

My Diary:

O risco maior de quando não se tem assunto. O risco maior de quando não se tem inspiração. O perigo de não se saber o que se quer. O que acontece quando seu blog fica sem conteúdo:
A inércia.


(...)


Stop. A vida parou!


(...)


Que medo de tudo ficar parado.
Horrível essa tal de Inércia.
Ela se apega quando chega.
E o que se faz?
Dorme. E espera que a inércia acorde.
Vamos esperar o sonho despertar, pra agir de novo.
Quem sabe, em uma semana, já se tenha algo para se escrever neste blog?

Perdoem-me...



Poesia da Semana:

(Carlos Drummond de Andrade)

stop
a vida parou
ou foi o automóvel?