Desde que nosso mundo começou a ruir eu nunca mais consegui ser feliz.
Nunca mais respirei ou comi. Ou vivi.
Tive a crença de que tudo voltaria ao normal depois que toda matéria terminasse de se decompor, mas eu nunca mais tive uma noite tranquila.
São muitas horas acordada.
Muitas lágrimas perdidas.
E uma paz que nunca mais vi.
Continuo procurando um abraço que faça o mundo parar e leve meus medos embora. Assim como eram os seus.
Mas parece que nunca mais conseguirei dormir.
Nem me lembro da última vez que dormi.
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setembro 10, 2014
novembro 07, 2013
Das etapas
De repente você percebe o quanto as paredes são brancas, grossas e silenciosas. O quanto o ar pode ser opressor. Um torturador delicado. Você percebe o quanto as coisas são volúveis. Você percebe a casa ficar vazia por tempo demais.
É um oco suave que entra no seu corpo através dos seus ouvidos e te percorre por inteiro, circulando junto com o seu sangue. E você o vê a todo instante desde o dia em que notou o tempo passar.
São os amigos que se mudam, os velhos que morrem, os primos e irmãos que se casam.
A sala vai esvaziando. O burburinho diminui gradativamente, significativamente. Tudo pára de fazer sentido.
Encerrar etapas não é fácil.
Seu tempo livre é só seu. O diploma está em sua posse agora. O seu currículo cresceu. Agora inclui o tempo que passa depressa demais e a percepção de que não foi usado tanto quanto deveria.
O relógio já superou o correr tradicional. As horas se tornaram almas apressadas e a maior parte delas é acompanhada da solidão, das obrigações e de certo desconforto. Do trabalho que não é exatamente o que você queria, mas que dá graças por existir. Labutar lutando contra os minutos tictaqueados - entre uma xícara de café e outra, até a redenção de voltar para seu ninho de isolamento – é, agora, o que preenche sua rotina.
Daqueles amigos de todo dia, ficaram dois, que se tornam visita quinzenal. Se der sorte. Se tudo der certo. Se não chover. E a casa... A casa fica vazia demais. Tempo demais.
A casa perde o sentido.
A cidade toda perde o sentido, mas você continua lutando nela (contra ela) porque voltar faria ainda menos sentido. Embora, um pouco de calor familiar pareça sempre muito conveniente.
A refeição é para um. A comida é industrializada demais, silenciosa e apressada. Pressa sem razão. Pressa do hábito. O hábito de saber que os dias são curtos.
E tão brusca quanto sempre, a noite chega com o silencio da cidade grande: cheia de sons. Só a luz azulada do monitor existe além da sua própria presença, e ela invade despudoradamente os espaços livres do seu quarto. E nunca se desliga. É sua ilusão de estar vivo. É a hora do sorriso tímido sincero. Tímido mas sincero, finalmente. É a sua companhia.
Você sabe que cresceu, mas, aparentemente, o mundo cresceu mais ainda, mais forte e te engoliu. E Sobrou tanto espaço em volta, que a casa ficou vazia demais.
outubro 07, 2010
Relatos de uma madrugada
Silêncio.
E estalar dos dedos, e correr do vento. Contando as horas com ansiedade.
Junto com as pernas balançando rápidas penduradas na cadeira, um medo cheio de vontade de ser vida. Que cresce pesado sob meus ombros e causam um desconforto ensurdecedor de desejo de sair do lugar.
Aí, percorro minhas mãos pelo meu colo e pescoço. Quero esganar-me. Fecho e abro os olhos, mordo os lábios. Mas não adianta, o relógio não corre na velocidade que deveria.
Silêncio.
Mudo e denso e pesado.
E a cada lento e árduo segundo, ainda mais pesado. Mais peso nas costas e dor nas juntas. Essa respiração difícil está atrapalhando meus pensamentos.
Quer me escapar pelos poros, ouvidos e boca essa sensação que não sabe se é angústia ou espera à qualquer custo. Asfixia-me e não sai, só se fortalece, enquanto eu fico aqui esperando o dia voltar a seguir...
Silêncio.
Nada pior que este silêncio.
E nenhum movimento ao meu redor. Debato-me e lanço-me ao chão, débil, estuporada. Mas quando me olho estou ainda na mesma cadeira, olhando para o mesmo monitor, à espera...
Rasgo as roupas sufocantes. Acender e apagar a luz. Grito!
Meus passos, minha respiração, moedas caindo ao chão, piscar dos olhos, noite. E eu só consigo ouvir este silêncio.
Este maldito e ensurdecedor silêncio.
Poesia da Semana:
Por lembrar de um tempo em que havia alma dentro deste corpo.
Dejá Vu
(Pitty)
Nenhuma verdade me machuca
Nenhum motivo me corrói
Até se eu ficar só na vontade, já não dói
Nenhuma doutrina me convence
Nenhuma resposta me satisfaz
Nem mesmo o tédio me surpreende mais
Nenhum motivo me corrói
Até se eu ficar só na vontade, já não dói
Nenhuma doutrina me convence
Nenhuma resposta me satisfaz
Nem mesmo o tédio me surpreende mais
Mas eu sinto que eu tô viva a cada banho de chuva que chega molhando meu corpo nu
Nenhum sofrimento me comove
Nenhum programa me distrai
Eu ouvi promessas e isso não me atrai
E não há razão que me governe
Nenhuma lei prá me guiar
Eu tô exatamente aonde eu queria estar
Nenhum programa me distrai
Eu ouvi promessas e isso não me atrai
E não há razão que me governe
Nenhuma lei prá me guiar
Eu tô exatamente aonde eu queria estar
Mas eu sinto que eu tô viva a cada banho de chuva que chega molhando meu corpo...
A minha alma nem me lembro mais
em que esquina se perdeu
ou em que mundo se enfiou
em que esquina se perdeu
ou em que mundo se enfiou
Mas já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Faz algum tempo...
Já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Faz algum tempo...
A minha alma nem me lembro mais
Em que esquina se perdeu
ou em que mundo se enfiou
Em que esquina se perdeu
ou em que mundo se enfiou
Mas eu não tenho pressa
Já não tenho pressa
Eu não tenho pressa
Não tenho pressa
Já não tenho pressa
Eu não tenho pressa
Não tenho pressa
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Aleatoriedades,
Angústia,
Cansaço,
Irritação,
Música
setembro 06, 2008
Pá furada
My Diary:
Quanta bobeira...
É bobeira, eu ter uma possibilidade, um caminho que poderia ser seguido e a cada vez que eu vou chegando perto dele, dou um jeito de desviar o rumo. De fugir.
E eu sempre fujo.
E eu sempre fujo, sem exceção.
Mas por que eu fujo? Porque eu me escondo de mim mesma?
Acho que esse blog é a única maneira que eu tenho de tentar ser sincera comigo.
Eu tenho que me esperar cismar de escrever, para eu me ler e descobrir o que eu estou escondendo de mim.
Por que tanta dificuldade de me assumir o que eu penso e sinto?
Porque tanto medo de seguir o caminho que se abriu a minha frente?
Aí eu fico com essa vontade entalada aqui. Me consumindo e me tentando.
Uma ânsia de saber o que aconteceria se eu me deixasse levar, pelo menos por um minuto.
Sabe quando fica aquela coisa presa dentro de você, com uma vontade de escapar?
Mas que eu não deixo escapar nunca.
E apesar de saber que é isso que me faz ir perdendo as partes pelo caminho, eu continuo não deixando escapar.
Mesmo sabendo que a angústia que carrego fosse se esvair se eu confessasse.
Eu tenho certeza absoluta que este nó que está em mim iria se desfazer. Mas simplesmente, escondo.
Quanta bobeira...
Meu Deus, quanta bobeira...
Será que eu ainda não aprendi que eu só perdi todas as vezes que eu tentei me esconder de mim... E de outros?
Mas dá uma vontade...
Vai, dancer! Deixa de se esconder!
Assume, que o pior que pode acontecer, é nada mudar... É ficar estagnada.
Piorar as coisas não podem.
Ou podem?
É por esse risco que eu me guardo. E me consumo.
É claro que eu tenho glândulas lacrimais... E é claro que eu também amo. Só que nem todo mundo precisa saber disso...
Crônica da Semana:
Vendo Ka 99
(De Henrique Szklo)
Meus queridos e desconhecidos amigos, a vaca foi para o brejo. E aparentemente só comprou bilhete de ida. Quem me acompanha sabe que faz um tempinho que estou à beira da falência. Pois é, gente, mergulhei nela de cabeça. Estou perdendo o controle de minhas finanças mais vou vender caro esta derrota. Minha última alternativa, minha derradeira esperança é tentar vender algumas coisas que eu tenho (e outras que não tenho) para fazer algum caixa enquanto não sou inexoravelmente arremessado para debaixo de alguma ponte. Por isso, além do carro, fiz uma lista daquilo o que eu tenho disponível para vender e espero, sinceramente, que vocês ponham a mão na consciência e depois no bolso para me ajudar. Não querendo ser indelicado, seria bom vocês se darem conta de que já faz tempo que vocês riem de graça às minhas custas. Chegou a hora de retribuir. Propostas sérias podem ser feitas através do meu e-mail, localizado no final desta coluna. Brincadeirinhas, ironias, sarcasmos e comentários inúteis em geral eu estou dispensando no momento, obrigado. Vamos falar de businness, senhores.
Para começar acho que tenho de vender o que dói menos. Vou vender minha alma ao diabo. Quer dizer, para falar a verdade eu não tenho bem certeza de já não ter feito isso antes. Tudo bem, vai, tem tanta gente que vende um imóvel duas vezes e vai pro céu, não sou eu que vou ter de pagar o pato. Até porque não tenho dinheiro para pagar nada. Muito menos um pato.
Outra coisa que vou vender é o almoço para comprar a janta. E conforme a proposta, posso também vender a janta para comprar o café da manhã do dia seguinte e assim por diante. O que me conforta é saber que o Lula tem feito de tudo para que eu tenha três refeições por dia. Enquanto isso, quem quer comprar dois pedaços de pizza de calabresa?
Vou vender meus LPs do Roberto Carlos da época da Jovem Guarda, minha coleção de bonecos do Topo Gigio, 10 times de botão um pouco desfalcados e um kit faroeste completo, composto de dois revólveres de espoleta, cartucheira e estrela de xerife.
Eu estava pensando até em vender saúde, mas já que não está em muito bom estado eu não teria coragem de oferecer para um amigo. Por outro lado posso fracionar o lote. Dividir em partes, ou seja, posso vender alguns órgãos. Tenho tantos. E provavelmente não uso todos ou os uso de forma exagerada e com desperdício. Tenho certeza de que com um pouco de disciplina e uma boa dose de bom senso posso perfeitamentamente aprender a conviver com a ausência de algum ou alguns deles. Além de ser circuncidado, já me separei uma vez, por isso tenho uma certa experiência em mutilações em geral.
Quem aí quer comprar este espaço no Blônicas? Até agora não ganhei nada para escrever aqui, mas tenho certeza que pode render milhões a alguém que saiba o que fazer com ele. Tem uns pequenos problemas, mas quem não os tem? Não posso colocar imagens no meu texto, acho o template muito sem graça e às vezes recebo críticas muito ofensivas. Mesmo assim acho que posso conseguir um bom preço por ele. Gente sem critério é o que não falta neste mundo.
Para vender sangue eu sei que rola um sanduichinho, mas e vender esperma, será que dá dinheiro? É, mas não adianta. Eu jamais poderia fazer uma coisa destas. Não por recriminação, ao contrário: recolheria o material com todo o prazer (sic). Mas ando falhando tanto ultimamente que uma vez broxei me masturbando. Me deu tanta vergonha que fiquei uma semana sem conseguir olhar para a minha mão direita. Já o Max, meu cachorro, está em plena forma. Me disseram, inclusive, que na raça dele uma trepadinha custa uns mil reais. Nada mal para um cara que acabou de sair dos coeiros, se é que cachorro usa coeiros.
Entre objetos de uso pessoal tenho uma arvorezinha meio enferrujada do Prêmio Abril que uso como peso de porta, uma agenda de 2002 (na caixa), mais de cem camisas da Ópera Bufa (quem se lembra?), 25 pares de óculos com pequenos defeitos e um pente com pouco uso.
Estou também em negociações avançadas para me vender aos interesses estrangeiros e praticamente já acertei a venda da minha consciência aos inescrupulosos agentes do capitalismo selvagem.
Meu último bastião, coisa que eu vou detestar fazer, apesar de inevitável, será vender a minha querida e adorável mãe. Excelente estado, único dono, toda original. Peça de colecionador. E, ao contrário do que diz a piada, eu entrego sim. Se não chover.
julho 06, 2008
Bem sei que não queres voltar
My Diary:
Post este que já não condiz com meu atual estado de espírito nem com a vontade de escrever. Mas já estava pronto, e o Webloger estava fora do ar. Não podia deixar de postá-lo. E por isso, veio tão fora do dia!
Só não dói mais, porque não me deixo fazer doer, porque neste exato momento, estou com uma ância inigualável de te ver...
E esta música, esta lua e esta cachaça só pioram.
Mas apesar desta dor, te perdôo tudo.
Te perdôo teres me enganado. Embora não seja tão ingênua para ser enganada. Te perdôo então, teres tentado me enganar.
Te perdôo também, por me ter escondido certas coisas. Mas isso não te deixa na obrigação de pedir perdão. Só deves pedir perdão se de fato te arrependeres.
Te perdôo ainda, mas desta vez com certa dificuldade, por teres alguém a quem amar. Não por tê-la, mas por mantê-la às escondidas. Por me teres feito de amante, sem que eu sequer tivesse esta escolha. Sem que eu sequer tivesse consciência disto.
E mais uma vez, isto não te obriga a pedir perdão. Aliás, prefiro que não peças, pois sei que quanto a isto não te arrependes.
Todos sempre buscam verdades.
Mas às vezes, verdades magoam muito.
Ainda assim, eu prefiro as verdades. Mentiras às vezes magoam muito mais.
Não minta pra mim. Principalmente agora que me tens nua e desarmada.
Podes ver, olha bem pra cá: Não tenho como me defender.
Tenho o coração na mão, porque ele não está cabendo no peito agora.
Mas não tenho lágrimas nos olhos. Não por insensibilidade, mas porque não as possuo.
Pelo menos não para ti. Não há de ser tu, quem irá me ver chorar.
Muito embora, a vontade seja enorme.
De repente, mas só de repente, se eu fosse menos introspectiva, alguma coisa ainda estaria funcionando.
Não tentes me adivinhar. Não sabes nada da minha vida. Não sabes do quanto de medo que guardo de qualquer coisa. De tudo o que me parece novo. até do que me parece bom.
Às vezes odeio ter este confessionário, me obriga a confessar meus sentimentos mais inconfessáveis. E me faz ficar dependente disto.
E o pior, é que pode ser lido. Por qualquer um. Até mesmo por ti. E isso piora bastante as coisas. Porque é sempre à quem é mais relevante, que eu escondo tudo sobre mim.
Mas sinceramente, já não me preocupa quem está lendo.
Foi escrito, é para ser lido.
E não venha. Não sou adulta o suficiente, nem madura o suficiente para te ver e só te abraçar. Para te abraçar e fingir que isso me sacia. Sentir teu perfume e fingir que não gosto e que não me traz nenhuma sensação. Não posso ser tua amiga, só porque não posso deixar de sentir saudades da tua pele. Pelo menos, por agora, não me obrigue a ser imparcial, porque somente a sua voz me pedindo isso, já seria o suficiente para que eu não o fosse.
Ai... e essa música só piora tudo. Preciso de uma cachaça. De repente ela apaga esta minha vontade de ti. E me faz até te esquecer. De repente, mas não mais que de repente... Ela me faz até ser menos intensa na vida.
Poesia da Semana:
Perfeita para uma balzaquiana de 19 anos...
As rosas não falam
(Cartola)
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
por fim
Post este que já não condiz com meu atual estado de espírito nem com a vontade de escrever. Mas já estava pronto, e o Webloger estava fora do ar. Não podia deixar de postá-lo. E por isso, veio tão fora do dia!
Só não dói mais, porque não me deixo fazer doer, porque neste exato momento, estou com uma ância inigualável de te ver...
E esta música, esta lua e esta cachaça só pioram.
Mas apesar desta dor, te perdôo tudo.
Te perdôo teres me enganado. Embora não seja tão ingênua para ser enganada. Te perdôo então, teres tentado me enganar.
Te perdôo também, por me ter escondido certas coisas. Mas isso não te deixa na obrigação de pedir perdão. Só deves pedir perdão se de fato te arrependeres.
Te perdôo ainda, mas desta vez com certa dificuldade, por teres alguém a quem amar. Não por tê-la, mas por mantê-la às escondidas. Por me teres feito de amante, sem que eu sequer tivesse esta escolha. Sem que eu sequer tivesse consciência disto.
E mais uma vez, isto não te obriga a pedir perdão. Aliás, prefiro que não peças, pois sei que quanto a isto não te arrependes.
Todos sempre buscam verdades.
Mas às vezes, verdades magoam muito.
Ainda assim, eu prefiro as verdades. Mentiras às vezes magoam muito mais.
Não minta pra mim. Principalmente agora que me tens nua e desarmada.
Podes ver, olha bem pra cá: Não tenho como me defender.
Tenho o coração na mão, porque ele não está cabendo no peito agora.
Mas não tenho lágrimas nos olhos. Não por insensibilidade, mas porque não as possuo.
Pelo menos não para ti. Não há de ser tu, quem irá me ver chorar.
Muito embora, a vontade seja enorme.
De repente, mas só de repente, se eu fosse menos introspectiva, alguma coisa ainda estaria funcionando.
Não tentes me adivinhar. Não sabes nada da minha vida. Não sabes do quanto de medo que guardo de qualquer coisa. De tudo o que me parece novo. até do que me parece bom.
Às vezes odeio ter este confessionário, me obriga a confessar meus sentimentos mais inconfessáveis. E me faz ficar dependente disto.
E o pior, é que pode ser lido. Por qualquer um. Até mesmo por ti. E isso piora bastante as coisas. Porque é sempre à quem é mais relevante, que eu escondo tudo sobre mim.
Mas sinceramente, já não me preocupa quem está lendo.
Foi escrito, é para ser lido.
E não venha. Não sou adulta o suficiente, nem madura o suficiente para te ver e só te abraçar. Para te abraçar e fingir que isso me sacia. Sentir teu perfume e fingir que não gosto e que não me traz nenhuma sensação. Não posso ser tua amiga, só porque não posso deixar de sentir saudades da tua pele. Pelo menos, por agora, não me obrigue a ser imparcial, porque somente a sua voz me pedindo isso, já seria o suficiente para que eu não o fosse.
Ai... e essa música só piora tudo. Preciso de uma cachaça. De repente ela apaga esta minha vontade de ti. E me faz até te esquecer. De repente, mas não mais que de repente... Ela me faz até ser menos intensa na vida.
Poesia da Semana:
Perfeita para uma balzaquiana de 19 anos...
As rosas não falam
(Cartola)
Bate outra vez
Com esperanças o meu coração
Pois já vai terminando o verão enfim
Volto ao jardim
Com a certeza que devo chorar
Pois bem sei que não queres voltar para mim
Queixo-me às rosas, mas que bobagem
As rosas não falam
Simplesmente as rosas exalam
O perfume que roubam de ti
Devias vir
Para ver os meus olhos tristonhos
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos
por fim
janeiro 20, 2008
Prova de fogo
(no Weblogger - o falecido - domingo, 20 de janeiro de 2008)
My Diary:
Vamos viver o momento ou viver o futuro?
Uma simples mudança de substantivo, pode multiplicar as próximas 12 horas em 1.825 dias.
Intrigante? Talvez. Mas à mim, é, principalmente uma dúvida cruel.
Todo mundo precisa se divertir um pouco às vezes - não que eu não me divirta, é claro - mas é necessário saber ser um pouco inconseqüente também de vez em quando.
Agora, diga-me: depois de tudo duramente conquistado, você tem coragem de se entregar ao Carpe Diem?
Eu ainda não consegui me responder. Mas se eu não fui capaz de chegar a uma conclusão, provavelmente seja porque eu não terei coragem sequer de pensar nessa possibilidade. Tudo bem, pensar eu já pensei.
Texto da Semana:
Flicts (trecho)
(Ziraldo)
Era uma vez uma cor muito rara e muito triste que se chamava Flicts
não tinha a força do Vermelho
não tinha a imensa luz do Amarelo
nem a paz que tem o Azul
Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts
Tudo no mundo tem cor
tudo no mundo é
Azul
Cor-de-rosa
ou Furta-cor
é Vermelho ou
Amarelo
quase tudo tem seu tom
Roxo
Violeta ou Lilás
Mas não existe no mundo
nada que seja Flicts
- nem a sua solidão -
Flicts nunca teve par
nunca teve um lugarzinho
num espaço bicolor
(tricolor muito menos
- pois três sempre foi demais)
(...)
E o pobre Flicts
procura alguém
para ser seu par
(...)
UM DIA FICTS PAROU
e parou de procurar
(...)
Sumiu
que o olhar mais agudo
não podia adivinhar
para onde tinha ido
para onde tinha fugido
em que lugar
se escondera
o frágil e o feio e aflito
Flicts
E hoje com dia claro
mesmo com o sol muito alto
quando a Lua vem de dia
brigar com o brilho do sol
a Lua é Azul
Quando a Lua aparece
- nos fins das tardes de outono -
do outro lado do mar
como uma bola de fogo
ela é redonda
e
Vermelha
E nas noites
muito claras
quando a noite é toda dela
a Lua é de prata e ouro
enorme bola
Amarela
MAS NINGUÉM SABE A VERDADE
(a não ser os astronautas)
que
de perto
de pertinho
a Lua é Flicts
não tinha a força do Vermelho
não tinha a imensa luz do Amarelo
nem a paz que tem o Azul
Era apenas o frágil e feio e aflito Flicts
Tudo no mundo tem cor
tudo no mundo é
Azul
Cor-de-rosa
ou Furta-cor
é Vermelho ou
Amarelo
quase tudo tem seu tom
Roxo
Violeta ou Lilás
Mas não existe no mundo
nada que seja Flicts
- nem a sua solidão -
Flicts nunca teve par
nunca teve um lugarzinho
num espaço bicolor
(tricolor muito menos
- pois três sempre foi demais)
(...)
E o pobre Flicts
procura alguém
para ser seu par
(...)
UM DIA FICTS PAROU
e parou de procurar
(...)
Sumiu
que o olhar mais agudo
não podia adivinhar
para onde tinha ido
para onde tinha fugido
em que lugar
se escondera
o frágil e o feio e aflito
Flicts
E hoje com dia claro
mesmo com o sol muito alto
quando a Lua vem de dia
brigar com o brilho do sol
a Lua é Azul
Quando a Lua aparece
- nos fins das tardes de outono -
do outro lado do mar
como uma bola de fogo
ela é redonda
e
Vermelha
E nas noites
muito claras
quando a noite é toda dela
a Lua é de prata e ouro
enorme bola
Amarela
MAS NINGUÉM SABE A VERDADE
(a não ser os astronautas)
que
de perto
de pertinho
a Lua é Flicts
dezembro 29, 2007
"Cai o pano"
(no Weblogger - o falecido - sábado, 29 de dezembro de 2007)
My diary:
My diary:
Ok, não o amo. Disso eu já me convenci. Agora, devo convencer-me de que também não o quero, e que a possibilidade de desejá-lo está quase tão inalcançável quanto a lua - considerando que para mim, acrofóbica, a lua é inalcançável!
É ruim, né? Ruim lutar contra si mesmo... Tentar esconder da a própria alma o que se passa no interior.
E ainda, tentar fingir que não traz alegria, pensar na possibilidade de ele me desejar também.
Conflitos internos. Todos têm.
Feliz 2008 ao meus caros - e raros - leitores!
Humor da Semana:
Dúvidas sobre o Réveillon
(Henrique Szklo)
Por que nesta época do ano todo mundo diz pra você ter boas entradas e depois dá uma risadinha nojenta?
Médico também passa o Réveillon de branco?
Por que Réveillon se escreve Réveillon?
Como é que as pessoas fazem para pular as sete ondinhas no Havaí?
A gente deve comemorar no horário normal ou no horário de verão?
Papai Noel comemora o ano novo?
Por que não escrevemos reveiôm?
Por que os australianos estão sempre comemorando o ano novo antes de todo mundo?
Na região francesa de Champagne você pode comemorar o Réveillon com cidra?
Meia-noite em ponto é o final do ano velho ou começo do novo?
Passar o Réveillon fazendo sexo é garantia de boas entradas?
Os canhotos precisam começar o ano com o pé direito ou com o esquerdo?
Bombeiros também soltam fogos?
Os negócios só vão começar a melhorar depois do carnaval ou no segundo semestre?
Por que no dia 2 de janeiro todas as nossas esperanças já foram por água abaixo?
O que Iemanjá faz com tanta flor?
Dá azar pular as ondas no mar morto?
O Réveillon em Hollywood tem fogos de verdade ou são efeitos especiais?
Quem passa o final de ano completamente bêbado entra com o pé direito na jaca?
Se nos anos anteriores os adivinhos erraram quase todas as previsões, por que é que fazem tudo de novo?
Se todo ano é a mesma merda, por que a gente acredita que este agora vai ser legal?
Se a gente não desejar nada na virada do ano não vai acontecer nada com a gente nos 365 dias seguintes?
Quem está dentro de um avião na passagem de ano pode soltar fogos?
Se no Réveillon a pessoa estiver num parque aquático e pular sete ondinhas artificiais, os seus desejos não serão atendidos?
Desejar que uma pessoa que não tem o pé direito começar o ano com o pé direito é um cumprimento ou uma ofensa?
Começar o ano fazendo piadas de mau gosto é um mau agouro?
Médico também passa o Réveillon de branco?
Por que Réveillon se escreve Réveillon?
Como é que as pessoas fazem para pular as sete ondinhas no Havaí?
A gente deve comemorar no horário normal ou no horário de verão?
Papai Noel comemora o ano novo?
Por que não escrevemos reveiôm?
Por que os australianos estão sempre comemorando o ano novo antes de todo mundo?
Na região francesa de Champagne você pode comemorar o Réveillon com cidra?
Meia-noite em ponto é o final do ano velho ou começo do novo?
Passar o Réveillon fazendo sexo é garantia de boas entradas?
Os canhotos precisam começar o ano com o pé direito ou com o esquerdo?
Bombeiros também soltam fogos?
Os negócios só vão começar a melhorar depois do carnaval ou no segundo semestre?
Por que no dia 2 de janeiro todas as nossas esperanças já foram por água abaixo?
O que Iemanjá faz com tanta flor?
Dá azar pular as ondas no mar morto?
O Réveillon em Hollywood tem fogos de verdade ou são efeitos especiais?
Quem passa o final de ano completamente bêbado entra com o pé direito na jaca?
Se nos anos anteriores os adivinhos erraram quase todas as previsões, por que é que fazem tudo de novo?
Se todo ano é a mesma merda, por que a gente acredita que este agora vai ser legal?
Se a gente não desejar nada na virada do ano não vai acontecer nada com a gente nos 365 dias seguintes?
Quem está dentro de um avião na passagem de ano pode soltar fogos?
Se no Réveillon a pessoa estiver num parque aquático e pular sete ondinhas artificiais, os seus desejos não serão atendidos?
Desejar que uma pessoa que não tem o pé direito começar o ano com o pé direito é um cumprimento ou uma ofensa?
Começar o ano fazendo piadas de mau gosto é um mau agouro?
novembro 23, 2007
Lutando
(no Weblogger - o falecido - sexta-feira, 23 de novembro de 2007)
My diary:
Estou lutando! Não vale a pena jogar meu amor pela janela e me atirar a uma desilusão! E ainda que não seja uma desilusão, não vale a pena, de fato!
Esqueça! Não há nada em você que me vá fazer mudar de idéia! Nem seus olhos, nem seu nariz pintado!
Estou lutando... E pretendo vencer, por mais que seja torturante - e não duvidem, meus leitores... É muito torturante! Mas pela minha sanidade mental, vou vencer... Ai se vou...
Sábado começando agora.... Bom fim de semana para todos!
Poesia da Semana:
Ausência
(Vinicius de Moraes)
Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só
como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.
novembro 17, 2007
Confusa??
(no Weblogger - o falecido - sábado, 17 de novembro de 2007)
My diary:
Am I fine?! Nope!
Muitos conflitos internos nessa minha vidinha…
E tudo isso que se passa na minha mente, toda essa confusão, eu só posso esperar que passe, porque de fato, não vale a pena me entregar e deixar para traz todo o amor que conquistei.
O que dói, é que seus olhos me perseguem todas as noites, e já sinto até seu perfume sem nem perceber...
Ok ok, mas o perfume um dia há de acabar, e minha vida vai voltar à monotonia de sempre. Ou pelo menos, assim espero!
Humor da Semana:
Deus, o engenheiro do Universo
(Henrique Szklo)
Se existe uma faculdade universal, então, com toda a certeza, Deus se formou em engenharia. Não é designer, arquiteto, diretor de arte, personal stylistic, nada disso. Uma vez ou outra Ele até que acertou, tudo bem, mas, no geral, sempre preferiu a função à forma. Isso me lembra até aqueles celulares da Ericsson, excelentes, de alta tecnologia, mas com o design de um tijolo. Ou mesmo os antigos carros da Volvo. Duráveis, confiáveis, seguros, mas perdiam em design até para caixinha de fósforo. Nada contra os engenheiros. O fato é que cada um tem sua função na vida. A maioria dos produtos bem-sucedidos tiveram engenheiros criando sua função e designers cuidando de sua forma. Deus, como o Gurgel (aquele que fabricou automóveis no Brasil) é metido a onipotente, onipresente e outros entes, acha design uma frescura. E deve ser mão-de-vaca também. Ao invés de contratar alguém do ramo, que custa caro, obviamente, preferiu cuidar pessoalmente do negócio. E deu no que deu. Veja o nosso corpo, por exemplo: uma claríssima demonstração do que eu estou querendo explicar. O corpo humano é a maior representação do equívoco criativo do Senhor. Mas aqui cabe uma pergunta: nós somos resultado de seu pragmatismo, de sua incompetência, falta absoluta de critério ou simplesmente do seu mau-gosto? Não, porque a cada pequena parte de nossa estrutura posso enxergar uma total incapacidade de aliar o prático ao belo.Veja alguns exemplos:
NARIZ
De cara a gente vê que deve ser algum tipo brincadeira ou sacanagem mesmo. Tudo bem que a gente precisa de um equipamento eficiente para respirar, mas existe coisa mais feia e desproporcional que um nariz saindo pelo meio da cara? Michael Jackson que o diga.
ORELHAS
Tecnicamente é perfeito. Uma espécie de concha acústica que capta os sons do ambiente. Do ponto de vista estético, uma calamidade! Deve ter sido uma das últimas coisa que Ele fez, o toque final. Já não estava mais com saco, na alta madrugada, com sono, e moldou o troço de qualquer jeito. “Ah, fica assim mesmo!”, deve ter pensado com seus botões celestiais. Talvez por isso é que nossas orelhas se pareçam com um par de esfihas mal-ajambradas. Só pode ser.
OLHOS
A janela da alma. Mas êta janelinha pequena essa, não? Se a gente olha pra frente, não vê nada atrás e vice-versa. São duas, mas olham sempre pro mesmo lado (salvo no caso dos vesgos). Se o Criador tivesse parado para pensar um pouco mais teria imaginado um sistema de câmeras que nos proporcionasse uma visão ampla e completa a toda nossa volta. Seriamos todos uns big brothers ambulantes.
PEITOS
Principalmente no caso das mulheres, Ele abusou do improviso. Precisava de um reservatório para o leite que amamentaria os bebês. Como já não cabia mais nada para dentro do corpo e Ele ficou com preguiça de redesenhar tudo, resolveu colocar os tanques de combustível maternos do lado de fora. E que ainda ficam pendurados, balançando sem parar e na velhice despencam. Ora, tenha santa paciência.
MÃOS
Aqui Deus pecou pelo excesso. Pra quê tanto dedo? Poderíamos viver perfeitamente com muito menos dedos. Veja o Lula, por exemplo: tem apenas 9 e chegou à Presidência da República.
BARRIGA
Se Ele não tivesse feito nossa barriga de um material tão flexível, a gente não sofreria tanto com a obesidade. Mas o que aconteceu? Bem, é óbvio. Quis usar o mesmo material em homens e mulheres para baratear os custos. A mulher precisa da flexibilidade em sua barriga para quando fica grávida. O homem não precisa, mas como o material é o mesmo, qualquer cervejinha é a sua desgraça.
ÓRGÃOS INTERNOS
Aqui podemos dizer que Ele varreu a sujeira pra baixo do tapete. Pegou os órgãos, suas ligações e instalações, jogou tudo pra dentro e tampou com carne e pele. A confusão, o feio, o mal-cheiro, tudo ficou escondido dentro da nossa carcaça. Quem olha de fora nem percebe o caos que nós somos por dentro.
BUNDA
Dá vontade até de rir. A nossa bunda é uma excrescência em matéria de design, para usar um termo que vem bem a propósito. Ou seria melhor dizer que é um design bunda. E o pior: o projeto é tão mal feito que às vezes os elementos se trocam e se confundem. Quantas pessoas você não conhece que têm cara de bunda?
ÓRGÃOS SEXUAIS
No caso masculino, a lógica foi a mesma dos peitos femininos: acabou o espaço e Ele precisou colocar o equipamento para o lado de fora. Por pura preguiça de redesenhar algumas partes do nosso corpo. Aí surgiu o problema: é preciso desenvolver um sistema que faça o equipamento escamoteável. Se ficar o tempo no tamanho ideal para a copulação, vai correr diversos riscos, como, por exemplo, enroscar numa linha de pipa com cerol. É o que dá. Quando você desenvolve um produto nas coxas, vai tendo que criar mais e mais correções para tapar os buracos do projeto.
“Pronto”, disse Ele, “terminei minha obra”. Todo feliz e pimpão ele já ia começar a produção em escala quando se lembrou de uma coisa: “como é que esse troço vai descarregar seus detritos?”. No caso dos detritos sólidos Ele resolveu logo: dividiu a bunda em duas partes e fez um furo no meio, pra ficar bem escondidinho. Mas quando precisou descobrir como resolver a vazão de detritos líquidos, o bicho pegou. Começou furando a barriga, fazendo ligação direta com a bexiga. Ainda bem que ele desistiu desta idéia, senão hoje teríamos todos que fazer xixi deitados de bruços na privada. Mesmo desistindo desta idéia, Ele deixou o furo, por puro descaso. Depois pensou em usar o mesmo encanamento dos sólidos, mas viu que o resultado seria uma meleca total. Pensou, pensou, pensou e concluiu que já tinha gasto muito tempo num projeto tão medíocre e que não valia a pena despender mais grandes esforços. E colocou a descarga de líquidos onde está até hoje. “Pro que é, tá muito bom!”. E foi dormir com a sensação de missão cumprida.
NARIZ
De cara a gente vê que deve ser algum tipo brincadeira ou sacanagem mesmo. Tudo bem que a gente precisa de um equipamento eficiente para respirar, mas existe coisa mais feia e desproporcional que um nariz saindo pelo meio da cara? Michael Jackson que o diga.
ORELHAS
Tecnicamente é perfeito. Uma espécie de concha acústica que capta os sons do ambiente. Do ponto de vista estético, uma calamidade! Deve ter sido uma das últimas coisa que Ele fez, o toque final. Já não estava mais com saco, na alta madrugada, com sono, e moldou o troço de qualquer jeito. “Ah, fica assim mesmo!”, deve ter pensado com seus botões celestiais. Talvez por isso é que nossas orelhas se pareçam com um par de esfihas mal-ajambradas. Só pode ser.
OLHOS
A janela da alma. Mas êta janelinha pequena essa, não? Se a gente olha pra frente, não vê nada atrás e vice-versa. São duas, mas olham sempre pro mesmo lado (salvo no caso dos vesgos). Se o Criador tivesse parado para pensar um pouco mais teria imaginado um sistema de câmeras que nos proporcionasse uma visão ampla e completa a toda nossa volta. Seriamos todos uns big brothers ambulantes.
PEITOS
Principalmente no caso das mulheres, Ele abusou do improviso. Precisava de um reservatório para o leite que amamentaria os bebês. Como já não cabia mais nada para dentro do corpo e Ele ficou com preguiça de redesenhar tudo, resolveu colocar os tanques de combustível maternos do lado de fora. E que ainda ficam pendurados, balançando sem parar e na velhice despencam. Ora, tenha santa paciência.
MÃOS
Aqui Deus pecou pelo excesso. Pra quê tanto dedo? Poderíamos viver perfeitamente com muito menos dedos. Veja o Lula, por exemplo: tem apenas 9 e chegou à Presidência da República.
BARRIGA
Se Ele não tivesse feito nossa barriga de um material tão flexível, a gente não sofreria tanto com a obesidade. Mas o que aconteceu? Bem, é óbvio. Quis usar o mesmo material em homens e mulheres para baratear os custos. A mulher precisa da flexibilidade em sua barriga para quando fica grávida. O homem não precisa, mas como o material é o mesmo, qualquer cervejinha é a sua desgraça.
ÓRGÃOS INTERNOS
Aqui podemos dizer que Ele varreu a sujeira pra baixo do tapete. Pegou os órgãos, suas ligações e instalações, jogou tudo pra dentro e tampou com carne e pele. A confusão, o feio, o mal-cheiro, tudo ficou escondido dentro da nossa carcaça. Quem olha de fora nem percebe o caos que nós somos por dentro.
BUNDA
Dá vontade até de rir. A nossa bunda é uma excrescência em matéria de design, para usar um termo que vem bem a propósito. Ou seria melhor dizer que é um design bunda. E o pior: o projeto é tão mal feito que às vezes os elementos se trocam e se confundem. Quantas pessoas você não conhece que têm cara de bunda?
ÓRGÃOS SEXUAIS
No caso masculino, a lógica foi a mesma dos peitos femininos: acabou o espaço e Ele precisou colocar o equipamento para o lado de fora. Por pura preguiça de redesenhar algumas partes do nosso corpo. Aí surgiu o problema: é preciso desenvolver um sistema que faça o equipamento escamoteável. Se ficar o tempo no tamanho ideal para a copulação, vai correr diversos riscos, como, por exemplo, enroscar numa linha de pipa com cerol. É o que dá. Quando você desenvolve um produto nas coxas, vai tendo que criar mais e mais correções para tapar os buracos do projeto.
“Pronto”, disse Ele, “terminei minha obra”. Todo feliz e pimpão ele já ia começar a produção em escala quando se lembrou de uma coisa: “como é que esse troço vai descarregar seus detritos?”. No caso dos detritos sólidos Ele resolveu logo: dividiu a bunda em duas partes e fez um furo no meio, pra ficar bem escondidinho. Mas quando precisou descobrir como resolver a vazão de detritos líquidos, o bicho pegou. Começou furando a barriga, fazendo ligação direta com a bexiga. Ainda bem que ele desistiu desta idéia, senão hoje teríamos todos que fazer xixi deitados de bruços na privada. Mesmo desistindo desta idéia, Ele deixou o furo, por puro descaso. Depois pensou em usar o mesmo encanamento dos sólidos, mas viu que o resultado seria uma meleca total. Pensou, pensou, pensou e concluiu que já tinha gasto muito tempo num projeto tão medíocre e que não valia a pena despender mais grandes esforços. E colocou a descarga de líquidos onde está até hoje. “Pro que é, tá muito bom!”. E foi dormir com a sensação de missão cumprida.
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Henrique Szklo,
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novembro 12, 2007
Paixão
(no Weblogger - o falecido - segunda-feira, 12 de novembro de 2007)
My diary:
Agora estou bem... mas como minha semana foi um tanto complicada, e aqui são tratados fatos de toda uma semana....
*A propósito, aproveitando para pedir desculpas pelo atraso no post...
Nossa! Tamanha dor que senti durante esta semana... Tanta confusão... Tanta vontade de jogar tudo para o alto...
Senti meu coração quase sair pela boca de ansiedade, de saudade e por fim... de vontade!
Aquela agonia e angústia juntas... Mãos suadas... irritação... curiosidade... Amor!
E que ruim é assimilar esta palavra... Neste exato momento, estou procurando desligá-la de qualquer outra associação que não seja o meu companheiro...
Por quase toda essa semana que terminou neste sábado, estive dividida entre aventura e segurança, entre paixão e amor, vontade e... nem sei mais! Não me sinto completamente apta para descrever a grande sorti de loucuras que se passaram na minha cabeça durante sete dias. Sete míseros dias! Como pode isso ser o suficiente para eu quase ter pirado de vez?
Ai que dor! Porque pensamos nas maiores loucuras do mundo quando justamente não precisamos dela??
Poesia da Semana:
Paixão
(Kleiton e Kledir)
Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo que se quer
Ah! Esse maldito fecho eclair
De repente a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Do que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo que se quer
Ah! Esse maldito fecho eclair
De repente a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Do que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou
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