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fevereiro 06, 2013

Vai abrindo

Resvalo em meio sorriso por entre os olhos da multidão.
Abram alas para mim, que hoje é dia de desfilar os meus melindres!
Vou ouvindo comentários lisonjeiros e deixando que se cheguem aos meus ouvidos. Estou bem, como se vê.
Lancem seus valores no mercado, que eu vou corando as maçãs e largando meu perfume pelo ar.
Sou grata pelo afagos no rosto. Hoje não há ninguém que não os liros e eu - e os enaltecimentos, assovios, os desejos.
Já me bastam, mas só por hoje, tudo isso. O céu ganhou novas cores.
Fiquei grande e não caibo em mim.
Estou assim, como quem pode. Me indo e me vindo de todos os cantos, toda indiscreta.
Dá licença para eu passar aqui com meu encanto, porque hoje eu estou bela.



Crônica:

Para continuar expandindo os conhecimentos literários alternativos. É longa, aviso logo.
O último shot
(Cléo Araújo)

Fazia duas semanas ela tinha um namorado novo.
Amor de pub, amor descoberto ao som de “Secret Smile” de Semisonic. Amor lindo, amor perfeito, amor de remember do final dos anos 1990.
Simplesmente qualquer coisa de tudo.

Apaixonada, descabelada e magra, como sempre quando acometida por aquela dieta de paixão, ela foi viajar. Era uma viagem marcada há tempos, antes de qualquer Secret Smile, Semisonic ou novo namorado existirem. Quase quis não ir, mas foi. Milhas aéreas. Questão de honra. Foi querendo voltar. E voltou, depois de dezoito dias contados pelo México, quando chegou a cumprimentar os passantes em Playa Del Carmen como se vizinhos fossem, preta de sol, morrendo de saudade, cheia de ideias e de pimenta.

Com a memória ainda fresca das misturas inusitadas em Tacos e Burritos, nada poderia ser mais adequado para receber os amigos e o hombre do que um animado e apimentado jantar mexicano.
E foi assim que foi.

Visitas a três supermercados para garantir os melhores ingredientes na manufatura dos pratos.
Tudo comprado e sem assistentes, ela se internou na cozinha.

Primeiro, o guacamole. O abacate estava maduro e fácil de amassar. Coentro, azeite, sal, limão. Pronto. Verde. Depois, a salsa. Pica daqui, pica dali e mais um molhinho aperitivo suculento e ardido estava pronto. O sour cream adaptado: cream cheese com gotinhas de limão. Voillá. Alface picada, cheddar desfiado. Check.

A pobre não tinha sequer começado a se arrumar quando já eram quase cinco da tarde. E ainda faltava ele: o chilly com carne.

Pica mais cebola, pica mais tomate, maceta mais alho. Os dedos não estão cheirosos, não.

Cozinha o feijão na pressão.  A cozinha, agora, é uma bagunça aterrorizante.

Refogas, pimentões, cominho, muito cominho. Nessas alturas, sua casa era quase um pedaço do México. Até o armário de roupas cheirava a comida mexicana. Greenleaf Vanilla respingado em almofadas de sachê para deixar tudo doce, tudo como ela queria ser, sempre.
A massa do taco, então, única coisa já comprada pronta, estava na assadeira, só esperando para ser esquentada, pouco antes de ser servida.
As quesadillas estavam montadas. Sim, havia quesadillas. Elas entrariam no forno quando o taco saísse.

Opa, faltava a margherita.
Tequila, limão, Countreau, Arno. Arriba, arriba, ai ai ai!

A mesa estava arrumada, perfeita. Tão, tão linda.

Deu tempo para um banho e um hidratante. Batom, deu. Rímel, não.

Os convidados chegam.
Ele chega.
Eles entram.
Ele entra.
O amor.
Lindo.
Tudo.

Todos se acomodam ao redor de sua mesa de hotel de Cancun.

O namorado se impressiona e ela ama.

Todos começam a saborear suas tortillas com guacamole, ah, o sour cream. E essa salsa? O que tem aqui? O namorado morde o tira-gosto e olha feliz, olha para ela, olha apaixonado. “Seu amor por uma tortilla”.

Ela corre para cozinha, mal participa das animadas conversas à mesa, desculpem, tenho um chilly para assistir. Todos comem e degustam a tequila ao som de Maná, antes de os pratos principais serem servidos. “Sigue llovendo, sigue llovendo al corazón...”.

Os convidados e o namorado insistem para que ela se sente um pouco. Venha, fique aqui com a gente. Não dá. Tá borbulhando. Finalmente, ela concorda. Acomoda-se à cabeceira. Antes de experimentar o guacamole, ou de comer um Doritos, ou de provar a salsa, ou de comer um amendoim, que fosse, ela resolve tomar um shotzinho de tequila.

Um só.
Um shotzinho que era, às nove da noite, o seu café da manhã.

Jose Cuervo, primeiro, pinicou os seus lábios.
Foi escorregando língua, amídalas, esôfago abaixo. Chegou à base da garganta feito um escorpião, deixando um rastro de fogo e anestesia em toda a região. A labareda tormentosa desceu violenta feito Un amor perro de Iñarritu e caiu dentro do seu estômago mais pesada e devastadoramente do que um revolucionário zapatista.

As pessoas à mesa se afastaram como que se passassem para uma dimensão paralela. O espaço-tempo se distorceu. Ela estava a léguas de distância de tudo e de todos em seu delírio tequílico.

Tudo, tudo girou.

Trôpega, magra e semi-sã ela se levantou e correu para a penumbra do seu quarto. Caiu na cama.

Ali, se murió.

Felizmente, estava tudo pronto e tudo quente, como a namorada recente e perfeita deveria fazer, mesmo que pesando 45 quilos.


Mãos amigas (do namorado? - era impossível dizer) visitaram-na semimorta em seu quarto. Checaram sua respiração. Ela respirava. Mas não conseguia falar.
De tempos em tempos, alguém ia zelar por sua sobrevivência. De lá, da cama, ela podia ouvir as conversas animadas e a aprovação de seus pratos. Uma delícia o chilly, muito boas as quesadillas, genial esse guacamole. Mas ela teve só que dormir. Não havia mais nada que pudesse fazer.

Depois desse dia, tudo mudou. Ela nunca mais tomou tequila. Nunca mais fez margherittas. Sempre come pelo menos uma castanha de caju antes de beber qualquer tipo de álcool.

Ainda hoje, prepara jantares mexicanos.

O namoro acabou. 


Não pela noite quase perfeita, mas por aquelas imperfeições misteriosas que não se corrigem nem acrescentando todo o sal, todo o coentro ou todo o cominho que há no México.

novembro 07, 2011

Liberdade finalmente


Te libertei de me amar. E mais que isso, te libertei da possibilidade de perceberem quando você me amasse, caso isso fosse acontecer.
Te libertei de me querer mais do que a outra pessoa e de me deixar fazer parte da sua vida. Te libertei de ser só meu e de desejar que eu fosse só sua.
Te libertei de me apresentar aos seus amigos ou de permitir que eles me vissem.
Te libertei de me introduzir à sua família, de casar comigo. Te deixei livre de qualquer plano que pudesse vir à sua cabeça.
Você finalmente se livrou dos meus anseios, do meu riso, da minha verdade e da minha vontade de qualquer coisa.
Te libertei dos olhares repressores (?) dos outros. Se livrou da honestidade.

Vá, voe! Está livre de saber que eu existo e de ter de me descrever seus passos.
Está livre para dizer que é livre. Para inflar o peito de orgulho e ter certeza de que não há ninguém querendo estar ao seu lado agora.

Te livrei do constrangimento de estar comigo.
Agora sorria!



Crônica:

O frango ao gengibre do homem quase perfeito
(Cléo Araújo)

Eu gosto de fechar os olhos e pensar em você grelhando um filé de frango.
Sabe aquele frango, que você fazia com gengibre? Leve toque de mostarda? Delicioso, picante, nem se via que era frango? Pois é, gosto de fechar os olhos e pensar em você passando ele na chapa, dourando um lado de cada vez, fazendo aquele fumacê sensual na cozinha. É uma visão meiga, me enche de paz e me faz salivar, no melhor e menos metafórico dos sentidos.
Acho que percebi que você seria uma coisa estupidamente inesquecível num dia como esses em que se grelham peitos de frango às três da manhã. Lembra? Uma vez foi assim, refeição feliz na madrugada. Você estava sempre com um sorriso no rosto, mesmo com sono. Estava sempre disposto a preparar uma comidinha para alguém mesmo que a matéria prima estivesse congelada. Naquela época, o alguém era eu.
Você me fez ser dessas que gostam de homens que preparam coisas. Que amassam frutas para fazer caipirinhas, parafusam buchas para colocar o pendurador de toalha, instalam fios de extensão para o DVD e assam pães de canela, tudo com o mesmo appeal.
Hoje fechei os olhos e pensei em você cozinhando com aquela camiseta que eu achava curta e que você amava. Você, de camiseta curta fazendo um franguinho, e eu, disfarçando a vontade de assumir o controle do fogão e sumir com aquele trapo velho que você vestia. Fico feliz de nunca ter feito isso. Imagine, não lembrar disso, que dó?
Teve aquele tempo em que a gente ainda não se conhecia. Tempo besta, o mundo era só um lugar abandonado e sem frangos. Ninguém nunca tinha grelhado nada no meio da madrugada para mim. Ainda não havia essas memórias, eu só me lembrava de coisas pouco importantes, como miojo e sucrilhos.
Mas um dia, então, você resolveu que adorava o cheiro de baunilha da minha casa e os meus guardanapos desenhados. E você achava que aquele carinho que eu fazia na sua testa, perto das têmporas, era a sobremesa perfeita. Isso, somado à visão de você preparando a caipirinha, grelhando um frango e me ajudando com as buchas e parafusos de casa, foram as coisas que me fizeram crer que talvez nada mais significativo viesse, um dia, a perfumar de gengibre as minhas memórias. Você sabe... Nada como memórias que cheiram a gengibre...
Agora, por exemplo, são onze da noite. Você deve estar preparando alguma coisinha para alguém.
Penso na sua risada doce e vem de novo aquela certeza de que talvez você fosse o homem quase perfeito.
Não fosse aquela camiseta curta e horrorosa, talvez você fosse.
No melhor e menos metafórico dos sentidos.

julho 25, 2010

Sem Titulo


Queria que as letras escapassem pelos meus lábios da mesma forma com a qual escapavam antigamente. Era fácil e solto, em palavras que rapidamente se tornavam em poesia e que subtamente me emocionavam com situações que eu conhecia de cor. O resultado massageava meu ego, e fazia da palavra escrita uma sina e um vício. E minha labuta.
Não é a falta de aflição, ou dor de qualquer forma. As dores sempre existirão, e irão comigo ao túmulo, eu creio - e de fato, desejo, pois elas temperam minha existência. O problema é o cansaço. Não há mais forças, metáforas ou palavras em mim. É como se a espora batesse e eu não tivesse voz para gritar.
Emudei-me.
Mas não queria. Quero de volta as palavras que aliviavam as angústias e faziam sorrir àqueles que a apreciavam, e a mim, ao ver este efeito.
Ter suavidade nas letras me era tão bom quanto ter na boca mel.



Crônica da Semana:
Porque agora - e como sempre - há certas - e muitas - coisinhas pequenas que me deixam imensamente feliz


Água na boca
(Cléo Araújo)

Refeição de parque temático que se preze deve ter cachorro quente e Coca Cola. De preferência uma de quinhentos mililitros. Nada se compara, no universo dos hot dogs, sandubas de carrinho e hambúrgueres de origem suspeita a uma salsicha de cachorro quente produzida nas dependências de um parque temático. O pão é deliciosamente meio murcho, mas aquele meio do murcho que é a fração perfeita para dar ao conjunto o sabor de cachorro quente de parque, que é exatamente o que se quer quando se procura comida, oras, em um parque. A Coca Cola de máquina tem aquele tanto de gás a menos na medida exata para não ficar choco. São aquelas bolhas faltantes que fazem dele um refrigerante de máquina de parque temático. Único. Dá pra sentir o gosto do gelo. A dupla se completa com umas gotas de mostarda e catchup e um prato de plástico mole, sobre uma mesa de plástico de limpeza duvidosa e uma folha de guardanapo, fina, única, usada com parcimônia para durar até o último gole e a última mordida.

Aí tem o lance da pipoca. A de saquinho, comprada do tio do carrinho, seja na saída da missa, do estádio ou do colégio, é algo que contém um dos sabores mais singulares que conheço. A reação causada entre óleo sem rótulo, lâmpada de 100 watts, milho comprado a granel e papel acinzentado garante um tipo de resultado que pipoca de microondas nenhuma consegue copiar. Que manteiga que nada! A coisa é boa em seu estado puro, cada pipoca contando a história de um amassado da panela de alumínio do tio. Fora o sereno da garagem, onde ele deixa o seu carrinho estacionado durante a noite, ah, deve ter lá o seu papel. Até os piruás são especiais, têm aquele fundo de queimado que explode na boca, deixando uma pitada de sal na ponta da língua.

E bife no almoço de domingo? Se eu fechar os olhos, quase dá para sentir o aroma da frigideira de ferro que só um belo espécime de avó sabe onde encontrar. A mistura é simples: o bife, o sal, a avó, e mais nada. Há um ritual de preparo, é claro, que certamente esconde segredos invisíveis a olho nu. Se você tiver a chance de ver uma avó fritando um bife, pare, segure o queixo e repare: a malemolência com que ela vira o bichinho na frigideira; a idade, envergadura e número de dentes do garfo de virar; o número de viradas... E a manteiga espalhada no fundo da frigideira? Qual sua marca, quanto tempo ficou fora da geladeira? Em que mercadinho foi comprada? Aí, deite os olhos sobre o jeito de espalhar o sal sobre o bife. Dos dois lados, de um lado só? Tudo é variável determinante para o desfecho dessa história. E lá vem ele, ainda crepitante, mesmo fora do fogo, com toda sua suculência, se deitar no meu prato, para sermos felizes para sempre.

De sobremesa, eu fico com o bolo coberto com chantili feito em casa, da mesma altura, diâmetro, peso e dulçor do que a Neuza fez hoje, para comemorar meu aniversário. Eu ainda não o comi, mas nem precisa, porque eu já sei.  O geladinho da nuvem branca do chantili vai chegar primeiro ao céu da boca, dando aquela amanteigada geral. Aí, o pão de ló, levinho, levinho, aerado, fofo. É só com a terceira mastigada que eu vou perceber o leite condensado que foi levemente cozido, só para ganhar uma cor de caramelo a lá doce de leite argentino. E nossa? Calma... Hum, que delícia... O que é isso aqui no meio? Ah, são crocantes inesperados, mini pedaços de castanha do Pará, delicadamente moídas e salpicadas antes que o bolo fosse fechado, encapsulado e coberto. Um gole de um espumante brut, rose, só para dar cor ao copo, vai tilintar na boca, fazendo cócegas ao reagir com o doce, fechando um momento quase poético, definitivamente saboroso.

É água na boca, parabéns para você e nada mais.

novembro 29, 2008

Quimera

My Diary:

Hoje eu acordei cedo, antes do Sol lembrar que era dia, e por incrível que pareça, eu não estava com sono.
Não comi, tinha pressa demais para pensar em sentir fome, mas isso nem teve relevância.
Tentei fechar os olhos mas a radiação os incomodava, e eu nem ligava para isso. Gastei horas trancafiada, sem ar, sem luz. Sem o som do planeta, e mesmo assim, eu nem percebi.
Saí de noite e voltei à noite. Saí de um cubo e entrei em outro. Fiz uma obrigação, e quando pensei estar livre, entrei em outra, que consumiu o resto do dia que me restou.
Vi poucos rostos e poucos sorrisos.
Senti poucos perfumes.
Mas hoje, nada disso me incomodou. Porque finalmente, depois de muito tempo, eu pude dormir.



Crônica da Semana:

Amigo com H
(Cléo Araújo)

Ele é do tipo que não compartilha emoções à toa.
Não conta intimidades, a menos que haja um propósito muito claro para tanto. Ou que eu fique pressionando até ele espanar.
Prático, direto, sem dramas e sem entrelinhas.
Seguro, sorridente e estável.
Fofinho, maldoso e crítico.
É assim, um belo exemplar de amigo com H.
Se você é moça e tem um, saiba que se trata este de privilégio de poucas.
Não, não vale aquele, que se faz de amigo, mas que no fundo quer mais é te comer. Não vale ninguém, aliás, com sentimentos outros que não a indulgente e altruísta fraternidade. Não ria rapaz. Esse tipo de amizade existe sim.
Falo aqui do amigo puro, legítimo. Aquele, em cujo elogio ou crítica você sempre pode acreditar porque nunca, jamais ele vai querer copiar o seu corte de cabelo.
Também, pudera.
Você foi a única (entre mulheres, homens, peixes-beta e cães) que topou assistir com ele os seis episódios de Guerras nas Estrelas numa única maratona, que começou às seis da tarde e acabou às sete da manhã. Não à toa, o amigo com H gosta tanto de você. Gosta a ponto de dizer que você é tão legal, mas tão legal, que mais pessoas no mundo precisariam saber disso. E um elogio dele faz de você uma pessoa mais segura e mais feliz.
Um amigo com H que se preze estica a festa de casamento de amigos em comum numa boate gay só porque você achou que essa seria a maneira mais divertida de se encerrar a noite. Ele não só entra no clima, dizendo que a noite ainda era longa quando já se via o sol nascer, como curte a valer o inferninho GLS, mesmo se tratando este de um amigo com H macho pra caralho. O amigo gay, aliás, também é um baita, senão o maior, dos amigos com H.
Um amigo com H dirige para você na estrada e costuma ser inimigo declarado do seu novo namorado. Mas no fundo ele adora o cara. Só implica com ele porque te conhece muito, e provavelmente mais do que esse “fulano” que chegou agora e te deixou com essa cara de boba-alegre.
Você e seu amigo com H dividem um quarto de hotel. Mas só se precisarem, porque ele ronca. E ele vê você toda desarrumada, como nenhum outro homem a viu antes - a não ser seu pai e seu cabeleireiro. Ele dá até a dica de uma pomada para essa espinha nojenta que você exibe no queixo. Zomba da sua chapinha, do seu pijama de vaquinhas coloridas e da sua placa para não ranger os dentes. Mas você nem fica brava porque se lembra: ele a levantou no ombro no show do U2 durante cinco músicas seguidas, sem reclamar. E ainda cantou “The time of my life” num dueto com você no karaokê. Mesmo sem saber a letra.
O amigo com H, no entanto, às vezes te faz chorar. Culpa daquela sinceridade dolorida, que você ama tanto. Mas, mesmo que ele lhe tire algumas lágrimas de vez em quando – quando questiona seu trabalho, sua infelicidade nos relacionamentos com os homens ou seu temperamento amargo - não admite que outro homem o faça. Ah, rapá, se prepare porque aí ele vira bicho!
O amigo com H pára de fumar para te encorajar a fazer o mesmo. Mas como você não consegue, ele acende uma cigarrilha na noite de ano novo, só para você não se sentir tão por fora. Se não fosse ele, aliás, além de por fora, você não teria música nenhuma no seu Ipod. É ele quem te passa todas, de Jesus and Mary Chain a Roxette.
Amigo com H pede cola e passa cola, bate a assopra, segura na mão e manda você se foder.
E o melhor de tudo é que ele não vai descobrir que quer se casar com você no dia em que ficar noiva. E que você não vai dar um escândalo na igreja no dia do casamento dele.
Embora alguns cochichem “certeza que ela já deu para ele” e outros apostem que ele já te comeu, vocês sabem que a idéia de serem um “casal” é tão ridícula quanto aquela camiseta do Homer Simpson que ele usa de final de semana.
E vocês riem.
Como de hábito, um do outro.
E juntos, do resto do mundo.