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janeiro 02, 2015

Um do um

Outra vez sol quente e despreocupado deixando preguiçoso o primeiro dia do ano. Não há qualquer diferença no clima ou no ambiente do ocorrido 365 dias e seis horas atrás, mas mesmo assim, os viventes deste planeta trazem consigo a ideia de que tudo mudou, como se houvessem nascido de novo.
Das vivências mais interessantes que posso gozar, tenho essa sensação de calmaria que bate a cada dia um do um, precedendo o ânimo previsível do amanhã - quando a vida recomeça. É como aprontar todas as porções da mente e do corpo, já fora de ordem. Ponho cada sentimento na prateleira certa e cada órgão pronto para seu pleno funcionamento. Reorganizo as expectativas e a calma.
Esse é o único momento do ano em que me encontro verdadeiramente em paz, deitada de costas para o solo olhando para o céu e deixando-o me abraçar: o tão esperado, abafado, dia primeiro. De preguiça e sossego. Onde minha mente guarda silêncio e esperança para tudo começar bem.
Mais uma vez.
Todo ano.

fevereiro 22, 2012

Fish eye


Céu azul muito vivo ainda, apesar de já estar em vias de despedir-se naquela preguiça pré pôr-do-Sol. O vento desfila constante, sem pressa e com êxito em levar embora o pouco calor que o sol, já fraco, consegue derramar na pele das pessoas que ocupam aquele espaço. Ondas quebram bem decididas, mas lambem o solo com a espuma correndo cansada, assim, lenta como as palavras do senhor que bebe demoradamente sua cerveja. A água traz o cheiro da maresia. E eu, com as mãos alisando a areia grossa e fofa, a cabeça recostada no travesseiro natural preparado com cuidado, o corpo muito relaxado e a mente quase perdida, observo o tempo, sem pensar que ele passa.
Por alguns minutos tudo pára. Até mesmo a tarde, se arrastando e partindo devagar rumo ao horizonte.
Durante estes calmos minutos, antecedentes ao crepúsculo, o tempo parou. Ficamos só eu e o vento me abraçando. Eu - com a cabeça mirando para o alto - observando como numa lente olho-de-peixe este céu desmedido e forte, me envolvendo com suas nuvens ralas.
O tempo realmente parou. As poucas pessoas do entorno não se movem, não há música, não há qualquer pensamento, não há nada além desta paz, deste silêncio e destas nuvens se movendo em círculos através das minhas lentes.
Por estes poucos minutos não senti pressa nem pensamentos, não refleti a vida. Eu simplesmente existi, na exata simplicidade da existência. Sou um corpo cheio de coisa alguma, que olha para o alto e tem certeza de que o mundo é redondo e que o céu o envolve. E me envolve.
Nem mesmo medito meu sossego. Está tudo pleno, parado e preguiçosamente vivo, já se despedindo. Quase bocejando um boa noite.
Quase bocejando um "até a próxima".

Até a próxima, paz. O Sol se põe e a vida tem de começar.



Texto:

Pais e filhos maridos e esposas II (Trecho)
(Fabrício Carpinejar) 

Meu maior medo é viver sozinho e não ter fé para receber um mundo diferente e não ter paz para se despedir. Meu maior medo é almoçar sozinho, jantar sozinho e me esforçar em me manter ocupado para não provocar compaixão dos garçons. Meu maior medo é ajudar as pessoas porque não sei me ajudar. Meu maior medo é desperdiçar espaço em uma cama de casal, sem acordar durante a chuva mais revolta, sem adormecer diante da chuva mais branda. Meu maior medo é a necessidade de ligar a tevê enquanto tomo banho. Meu maior medo é conversar com o rádio em engarrafamento. Meu maior medo é enfrentar um final de semana sozinho depois de ouvir os programas de meus colegas de trabalho. Meu maior medo é a segunda-feira e me calar para não parecer estranho e anti-social. Meu maior medo é escavar a noite para encontrar um par e voltar mais solteiro do que antes. Meu maior medo é não conseguir acabar uma cerveja sozinho. Meu maior medo é a indecisão ao escolher um presente para mim. Meu maior medo é a expectativa de dar certo na família, que não me deixa ao menos dar errado. Meu maior medo é escutar uma música, entender a letra e faltar uma companhia para concordar comigo. Meu maior medo é que a metade do rosto que apanho com a mão seja convencida a partir com a metade do rosto que não alcanço. Meu maior medo é escrever para não pensar.

janeiro 26, 2012

Recomeço


Música para acompanhar: Kiss From A Rose - Seal



A nossa vida termina a cada trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas aproximadamente. E recomeça quando se atinge essa fatídica sexta hora.
E por um súbito abrimos os olhos cansados e temos certeza de que os passos serão mais lentos e firmes a partir deste momento surgido das cinzas, que as palavras terão mais fluidez e que o riso será mais fácil. E enganando o espírito nos deixamos esquecer que não se findou e iniciou uma nova vida, mas que é apenas o primeiro minuto chegado depois da vigésima quarta hora do dia anterior, amargurado, desesperançado e despedaçado.
No âmago, sempre sabemos que se trata de cada vez mais lutas contra predadores e presas para alimentar-se e para dormir com o mínimo de paz que um coração acelerado consegue ter.
Então o que o corpo - a vida - pede é amor.
Amor o bastante para aquietar os ânimos já muito exaltados e aliviar as feridas abertas no peito sem clemência ou anestesia. Que lhe permita aquele segundo de eternidade quando você acorda e sente cheiro de pele limpa antes de regressar ao sono. Para olhar as contas do mês com serenidade e ir comer pipoca doce.
A vida nunca será fácil e as lágrimas virão atormentar-(m)te com uma freqüência maçante. Mas talvez o coração um dia esteja calmo e são.
Vai chover muito em Março, e muitos lares se abalarão. O esgotamento físico já estará crítico em Junho. Haverá frio e solidão excessivas em agosto.
Mas o que se pode esperar para os dias que virão, do ano que está ainda em formação - mas que já carrega o fardo das dores e experiências do que passou - senão o amor?



Poesia

Esperemos
(Pablo Neruda)

Há outros dias que não têm chegado ainda,
que estão fazendo-se
como o pão ou as cadeiras ou o produto
das farmácias ou das oficinas
- há fábricas de dias que virão -
existem artesãos da alma
que levantam e pesam e preparam
certos dias amargos ou preciosos
que de repente chegam à porta
para premiar-nos
com uma laranja
ou assassinar-nos de imediato.

janeiro 18, 2010

Ano Novo. Lay novo.

My Diary:

Dos segundos felizes. Dos momentos que trazem a felicidade. Do melhor da vida.
Tudo se resume às borboletas que fazem cada encontro ser um primeiro encontro, nos acordes de um violão, nas manhãs lindas, na tranquilidade dos dias, no cafuné para dormir e nos risos bobos.
Tudo tão bobo que dos meus lábios já não saem mais poesias. Fiquei muda.



Poesia da semana:

[Ahhh... me deixa ser clichê, vai?]

Último Romance
(Los Hemanos)

Eu encontrei
quando não quis
mais procurar
o meu amor

E quanto levou
foi pr'eu merecer
antes um mês
e eu ja não sei...

E até quem me vê
lendo o jornal
na fila do pão
sabe que eu te encontrei

E ninguém dirá
que é tarde de mais
que é tão diferente assim
Do nosso amor
a gente é que sabe...

(ahhh vaaai)

Me diz o que é o sufoco
que eu te mostro alguém
a fim de te acompanhar
E se o caso for de ira à praia
eu levo essa casa numa sacola!

Eu encontrei
e quis duvidar
tanto clichê
deve não ser

Você me falou
pr'eu não me não me preocupar
ter fé e ver
coragem no amor

E só de te ver
eu penso em trocar
a minha TV
num jeito de te levar...
A qualquer lugar
que você queira
e ir onde o vento for
que pra nós dois
sair de casa ja é se aventurar

(ahhhhhhh vaaaai)

Me diz o que é sossego
que eu te mostro alguém
a fim de te acompanhar
E se o tempo for te levar
eu sigo essa hora
e pego carona...
Pra te acompanhar!

janeiro 30, 2009

Prêmio

My Diary:

Acabo de voltar de férias e por isso estou com muita paz de espírito. O que significa que não há nenhuma neurose ou frustração para postar aqui. *torcida organizada*
Mas não fiquem tristes caros leitores! Como já sabem, não tarda a aparecer uma sisma para ser escrita. E embora não vá surgir nada de útil para se ler hoje, venho assim mesmo, para agradecer aos prêmios que recebi recentemente e repassá-los.

Prêmio 66 - Um prêmio criativo.




6 Regras:

- Linkar a pessoa que te indicou.
- Escrever as regras do prêmio em seu blog.
- Contar 6 coisas aleatórias sobre você.
- Indicar mais 6 pessoas e coloque os links no final do post.
- Deixar a pessoa saber que você a indicou, deixando um comentário para ela.
- Deixar os indicados saberem quando você publicar seu post.

6 coisas sobre mim:

1. Tenho uma exagerada mania de perfeição.
2. Faço amizade com facilidade.
3. Já fingi estar tentando esconder um sentimento.
4. Tenho dó de comer crocodilo e ostra.
5. Ainda acho que dançar é a coisa que eu mais amo na vida.
6. Sou deveras estressada e inconstante.

6 indicações:

1. Tuta Medeiros
2. Sakitama
3. MemoTs
4. Contos de um Carioca
5. Mundo nem Sempre Real
6. Mil Coisas

Quem me indicou:

Mais do que linkada, a Jú, do blog Oh-My-God, que me acompanha há um tempão, e eu igualmente a acompanho! :D



Nada da Semana:
Semana que vem eu venho com um texto novo, junto com um novo template e se Deus quiser, um bom post. Ainda estou me sentindo de férias... hehehe.