A vida é como a onda que invade a praia, movida pelos ventos das marés. Sempre em movimento e jamais igual.
Viver é se manter movimento e se reconstruir constantemente. É imitar os grãos de areia que caminham eternamente pelo ar, construindo novas trilhas e moradas. É levar-se.
Vida é tempo e tempo é ação, atividade, fluxo. É o agente da transformação que garante a instabilidade, a evolução, o caos e a calmaria, que penetra as coisas físicas, e orienta o intangível. Tempo é movimento e o movimento nunca sessa nem pode parar: só se move aquilo que é vivo.
Tentar atravessar a vida permanecendo estático é como resistir a um vendaval: imprudente e ineficaz. Mais vale aceitar que tudo se transforma, se permitir render ao movimento eterno que tempo constrói e deixar as ondas da instabilidade imperarem novas formas de existir.
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novembro 25, 2016
agosto 18, 2015
Vim sem brinco
Olha, preciso conversar com você.
Não é nada sério, é só pra te dizer que essa é a última vez que eu venho. E também vou cortar contato. Qualquer que seja.
Sabe, isso está começando a ficar gostoso demais pra mim. Dá vontade de esticar o fim de semana aqui, nesse canto da cama, sentindo esse cheiro de lençol até a terça-feira, e levantar só para pegar alguma besteira na geladeira.
Está definitivamente ficando bom demais. Pra mim. E daqui a pouco se torna um hábito.
Eu até concordaria que isso é ótimo e que não faz sentido abandonar algo que está em aprimoramento, mas acontece que é uma via de mão única. É só pra mim. Então antes que me arrume problemas, estou sambando fora!
Eu sei que, por mais que você também ache um deleite esse lambuzar de divagações, gordura, açúcar, gozo e conchinha, eu sou só sexo casual. Para ocupar o tempo que sobrou nos planos.
Não, não se preocupe em negar! É isso mesmo, sim, e não tem qualquer problema nessa relação. Acho super saudável, inclusive! E de forma alguma me isso ofende. Não, enquanto for honesto.
Eu também adoro gastar minha monotonia dessa forma, e adoro saber que sou uma boa companhia. A gente funciona bem nessa coisa, né? O sexo é encaixadinho, papo pós coito flui bem... O papo pré coito também, aliás. Perdoe-me não tê-lo mencionado primeiro.
A gente realmente dá muito certo.
Mas acontece que é isso aí: tudo tem início meio e fim. E esse é o nosso. Acho que concordamos que estamos acabando muito bem.
Eu vou apagar seu número e te bloquear no Facebook, só por segurança. Não se ofenda.
Uma recaída aqui é fácil demais. É obvia, até. E eu sei que você vai me procurar quando estiver à toa numa noite de sábado. É melhor fechar todas as portas e barrar todas as possibilidades, portanto.
Então estou indo. Vou sentir sua falta de uma forma extremamente positiva, e até nostálgica. Sei que vai ter algum momento entre a meia-noite e as duas da manhã em que eu vou olhar o telefone esperando algum contato, mas no segundo seguinte vou me lembrar que ele não vai acontecer, e pego um livro qualquer para ler. Vai ficar tudo bem.
Estou indo de vez
Eu só preciso encontrar meu soutien. Ele foi muito caro e seria uma ótima desculpa para voltar.
Não é nada sério, é só pra te dizer que essa é a última vez que eu venho. E também vou cortar contato. Qualquer que seja.
Sabe, isso está começando a ficar gostoso demais pra mim. Dá vontade de esticar o fim de semana aqui, nesse canto da cama, sentindo esse cheiro de lençol até a terça-feira, e levantar só para pegar alguma besteira na geladeira.
Está definitivamente ficando bom demais. Pra mim. E daqui a pouco se torna um hábito.
Eu até concordaria que isso é ótimo e que não faz sentido abandonar algo que está em aprimoramento, mas acontece que é uma via de mão única. É só pra mim. Então antes que me arrume problemas, estou sambando fora!
Eu sei que, por mais que você também ache um deleite esse lambuzar de divagações, gordura, açúcar, gozo e conchinha, eu sou só sexo casual. Para ocupar o tempo que sobrou nos planos.
Não, não se preocupe em negar! É isso mesmo, sim, e não tem qualquer problema nessa relação. Acho super saudável, inclusive! E de forma alguma me isso ofende. Não, enquanto for honesto.
Eu também adoro gastar minha monotonia dessa forma, e adoro saber que sou uma boa companhia. A gente funciona bem nessa coisa, né? O sexo é encaixadinho, papo pós coito flui bem... O papo pré coito também, aliás. Perdoe-me não tê-lo mencionado primeiro.
A gente realmente dá muito certo.
Mas acontece que é isso aí: tudo tem início meio e fim. E esse é o nosso. Acho que concordamos que estamos acabando muito bem.
Eu vou apagar seu número e te bloquear no Facebook, só por segurança. Não se ofenda.
Uma recaída aqui é fácil demais. É obvia, até. E eu sei que você vai me procurar quando estiver à toa numa noite de sábado. É melhor fechar todas as portas e barrar todas as possibilidades, portanto.
Então estou indo. Vou sentir sua falta de uma forma extremamente positiva, e até nostálgica. Sei que vai ter algum momento entre a meia-noite e as duas da manhã em que eu vou olhar o telefone esperando algum contato, mas no segundo seguinte vou me lembrar que ele não vai acontecer, e pego um livro qualquer para ler. Vai ficar tudo bem.
Estou indo de vez
Eu só preciso encontrar meu soutien. Ele foi muito caro e seria uma ótima desculpa para voltar.
agosto 17, 2015
Mas voltemos à nossa programação.
Fiquei com as pernas formigando por conta da ansiedade que me atacou. Como é que eu posso estar apaixonada por ninguém e ainda assim, me sentir tão fascinada?
Como é possível fechar os olhos e ter certeza de que quero me aconchegar no meio do colo de alguém que não existe, não conheço e que eu ainda não tive tempo de inventar?
No meio de uma noite dedicada a produção acadêmica me vi impedida de traduzir minhas inquietudes porque meu riso me distraiu.
E assim me asseguro de que a vida fica mais interessante quanto menor for o seu sentido.
Como é possível fechar os olhos e ter certeza de que quero me aconchegar no meio do colo de alguém que não existe, não conheço e que eu ainda não tive tempo de inventar?
No meio de uma noite dedicada a produção acadêmica me vi impedida de traduzir minhas inquietudes porque meu riso me distraiu.
E assim me asseguro de que a vida fica mais interessante quanto menor for o seu sentido.
maio 30, 2013
O que não faz um par de brincos na orelha direita
Passando batom. Rímel. Blush. E todas essas "feminilidades" que usamos para nos sentirmos melhores do que achamos que somos. Hoje saí armada de cosméticos e promessas de sedução e pele perfeita, e, não é por nada não, mas essa besteirada toda é muito interessante.
Sai toda acreditando-me, caminhando com fulgor até o momento em que olhei o reflexo do retrovisor de um carro, estacionado ao meu caminho, enquanto esperava apara atravessar a rua. Que curioso, o que eu vi.
Naquele reflexo estava eu.
Encontrei ali, muito além de uma máquina de fazer operações matemáticas ou digitar caracteres por segundo. Tinha gente viva ali dentro.
Então tomei meu pulso. Havia pulso aqui, dentro de mim.
Fui percebendo o trabalho de cada um dos meus órgãos e das minhas células. As trocas gasosas nos alvéolos pulmonares, os pulsos elétricos percorrendo todos os meus nervos, os poros se abrindo, minhas mitocôndrias consumindo glicose indiscriminadamente. A temperatura do corpo mudando discretamente. Os músculos da face se articulando com a surpresa das descobertas.
Tão de repente. Tanta certeza de que eu existo de verdade. Tanta coisa que estava perdida e escondida por detrás de uma cortina de razões e preocupações estupidas.
Até que ventou. E eu senti meus cabelos balançarem enquanto fechava meus olhos para deixar o mundo acarinhar minhas têmporas.
Então reacordei do meu mergulho interno e olhei em volta. Perdi o tempo de atravessar a rua. Agora, mais um minuto de espera para chegar ao meu destino.
Pára. Escuta.
Havia tanta gente também.
Gente viva como eu.
Batom. De novo.
Sorriso.
Senti o cheiro da leveza. E sorri de novo. Outra vez, de maneira furtiva.
Estou toda furtiva, tão de repente. Nem vi, e já estava existindo.
Minha dança volta acontecer. Quer ver?
Agora tenho trilha sonora nova.
Se ficar olhando vai me ver dançar.
Música:
(Eu to toda me querendo, toda me sentindo. E a música é vazia demais para dispor a letra de maneira escrita. E não acompanha bem o post. Mas ela é relevante o bastante para aparecer aqui, em algum momento. E me permitam, sou carioca! ;)
Música para ilustrar: Show das Poderosas - Mc Anitta
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Paixão
maio 22, 2013
Eu Não Faço a Menor Ideia do Que Eu Tô Fazendo Com a Minha Vida
Já li muitos posts, textos e crônicas sobre as desventuras de quem mora sozinho. Das descobertas dos aventureiros que acabaram de entrar nesta empreitada solitária de coração aberto, cheio de ganas e cheio de si, esperando fortunas e os infortúnios.
Sempre as novidades.
Mas nunca li textos vindos daqueles que já se acostumaram à essa vida de tal maneira, que esquecem até que isso já foi novidade.
Pois bem.
Depois de cinco anos e a faculdade já pelo fim, nenhuma possibilidade de casamento ou união estável - ou mesmo de um relacionamento amoroso equilibrado e saudável - com o saudosismo batendo, tanto quanto o medo... resolvi postar as realidades de quem já está nesta vida há algum tempo.
Não ter hora para nada, no começo, é legal: não tem hora para dormir, não tem hora para comer, não tem hora nem para ir para a aula. Aliás, estar presente em sala de aula já deveria te valer uma medalha. Mas virar um ser tão indisciplinado frustra. E você jura que vai se corrigir. Tá. Senta lá, Cláudia.
Roupa não faz o menor sentido. Se você mora sozinho, você passa muito tempo sozinho e acaba não se vestindo - pela liberdade, preguiça e falta de necessidade - nunca. Você dorme, come, lê, nu. Vira um hábito quase incorrigível. Um naturista. Sobretudo se vocêteve algum namoro longo desde que se mudou.
Fica difícil compreender que não pode sair nu do banho só porque tem alguém, com quem você não está transando, sentado(a) no sofá da sala.
Você sabe nome e sobrenome de todos os âncoras de todos os telejornais.
Mesa de jantar existe para enfeitar: lugar de comer é no sofá, na frente da tevê, conversando sobre amenidades com a pessoinha famosa que está ali dentro.
Você aprende a cozinhar. Não tem jeito. Você aprende e fica melhor do que a sua mãe. Usa temperos exóticos. Fica besta. Fica exigente. Fica até chato. Mas não significa que você cozinhe sempre.
Você até lembra que tinha conflitos sérios com os seus pais, mas não consegue se lembrar como eram, porque os raros momentos que está com eles são tranquilos e relativamente impessoais.
Você descobre que sua mãe fala muito. Muito mesmo. Muito, muito, muito, muito.
Muito, muito, muito, muito, muito, muito.
É impossível viver sem o internet banking.
Aliás, é impossível viver sem internet.
Internet se torna seu meio de contato com o mundo externo, o livro de receitas da sua avó, a gaveta de remédios da sua mãe, seu médico. Seu dicionário, sua enciclopédia. Seu arquiteto e seu marceneiro. Sua companhia.
Você tem uma crise séria de depressão, pelo menos uma vez.
Faxina já foi semanal. Depois quinzenal. Depois, no dia que se recebe visita. Agora é quando eu to afim e que se foda!
Não tem comida na geladeira. Mas tem álcool. E eu não sei vocês, mas eu acho ok beber cerveja no café da manhã. Cerveja deixou de ser álcool.
Relógio não marca as horas. Ele te dá uma sugestão de que daqui a pouco você deveria pensar em sair porque são mais ou menos a hora que você deveria estar chegando lá.
Você amadurece muito. Envelhece muito também.
É muito ruim estar estressada e não ter com quem brigar!
Quem sofre as consequências aqui é o meu computador. Quando isso não basta, eu brigo sozinha, em voz alta. Porque aí os vizinhos escutam. E eles podem se incomodar. E me interfonar. Aí eu vou ter uma pessoa de verdade com quem brigar!
Todo o dia é dia de beber com os amigos em casa.
Dar satisfação é esquisito e impensável. É estranho ver as pessoas explicando para alguém que vão chegar "na tal hora." Você não faz ideia de que horas pretende chegar em casa. Você nem sabe se vai para a sua casa ou para casa de outrem.
Como já disseram num post perdido aí pela internet: você descobre o preço de tudo. E tudo é caro. E 50 centavos é muito dinheiro. Você escolhe o detergente de R$1,10 porque o de R$1,30 está um roubo de tão caro! E você está sempre pobre.
Você fica pobre no mesmo dia que o seu salário entra.
A Clarice Falcão naquele filme não fazia ideia do que estava fazendo com a vida dela e isso era até engraçadinho. Bem, eu tenho 24 anos e não faço a menor ideia do que eu estou fazendo da minha vida e, quer saber? É desesperador e nem um pouco cômico. Tragicômico talvez.
Não.
Só trágico.
Falta aquele empurrãozinho de mãe, pra te dar um rumo.
Mas ok. Viver sozinho é assim: bom e ruim. E só depois de 5 anos (e crises existenciais diversas) eu paro para refletir a respeito.
Eu jamais conseguiria morar com alguém novamente. Amo a minha casa e minhas manias e minha liberdade e o cup noodles.
Mas caramba... que saudade da minha casa!
(Agora eu vou ali colocar o lixo do banheiro para fora, porque não tá dando mais.)
Esse blog virou uma zona. Tipo a minha casa. Mas fazer o que né?
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junho 14, 2012
Post para encher linguiça
É, eu falando assim, diretamente. Só para quebrar o costume porque isso aqui estava mesmo abandonado e minha mente alcançou um nível de inquietação
que não me permite organizar meus próprios sentimentos e transpô-los em palavras.
Alors...
Acheguei-me para me explicar, porque estou aqui há anos e nunca dei qualquer satisfação. Supus que já passava da hora.
Primeiramente, vou ser muito honesta: não gosto do meu endereço. Mas faz parte da história deste confessionário virtual. Originalmente, em velhos tempos de Weblogger, o endereço era blog_da_dancer. Sim, é constrangedor, mas não pior do que os ponteiros de mouse e os efeitos piscantes que nós encontrávamos no brumaximos e jogávamos em nossos honradíssimos HTML’s.
E "dancer" era meu nick do ICQ, cujo número eu ainda lembro (251244522).
Aí assim, sem que eu saiba explicar o porquê, o endereço se tornou o que pode ser lido hoje na barra de busca. E ele se preservará. Por pura nostalgia e comodismo.
Em segundo lugar, sendo ainda mais franca, fiz este post para mostrar [caso ainda não tenha notado] que este blog tem páginas e que podem ser localizadas no topo do mesmo. Entretenimentos para os intervalos entre as postagens, vê?
O Confessionário: É este velho conhecido sobre o qual não vou discorrer, porque já exponho bastante o meu íntimo aqui.
A Bailarina: Num momento de narcisismo extremo que tive esta semana que acrescentei esta página ao blog. Resolvi falar de mim, na maneira mais nua que consegui me enxergar.
Os prêmios: Houve um tempo em que blogs eram populares, cotidianos e divertidos. Neste tempo, quando o universo blogueiro não se restringia a fashionistas e pseudojornalistas, existiam memes, concursos e tantas outras coisas que mantinham este mundo em movimento. Eu recebi alguns prêmios-memes ao longo destes muitos anos blogando e minha nostalgia me fez ter o ímpeto de dedicar uma página para eles.
O Aprendizado: É o depósito de lições diárias. Porque creio que toda experiência por que se passe carrega em si um ensinamento. E eu absorvo tudo, absolutamente tudo o que me é ensinado. Talvez por querer ser sempre uma pessoa melhor, ou por querer abrandar sofrimentos futuros...
Cada lição aprendida é um comentário que adicionado para ser jamais esquecido.
Mas o legal é que se trada de um espaço aberto para que você [amado leitor] compartilhe também algo que lhe fez refletir e guardar. Somos companheiros virtuais há tantos anos que acho que conhecer-nos melhor seria bem saudável.
Os Favoritos: Listei ali as minhas postagens favoritas desde que o blog foi repensado em 2008 - anterior a isso não tenho registro: um surtei e apaguei todo o histórico antecedente... Coisas da juventude...
É evidente que os textos mais recentes são os melhores. E os mais antigos nem mesmo são bons.
Precisamente por isso estão listados. Foi uma boa forma de acompanhar o desenrolar da minha vida, dos meus dramalhões, dos comentários, da quantidade de comentários, da maturidade dos leitores, da evolução literária, dos interesses... Do caminhar meu e deste blog.
Não sei mais o que escrever ou justificar. Sou acostumada aos meus dramalhões pessoais. Mas discorrer sobre as páginas era uma vontade iminente.
See ya.^^
Alors...
Acheguei-me para me explicar, porque estou aqui há anos e nunca dei qualquer satisfação. Supus que já passava da hora.
Primeiramente, vou ser muito honesta: não gosto do meu endereço. Mas faz parte da história deste confessionário virtual. Originalmente, em velhos tempos de Weblogger, o endereço era blog_da_dancer. Sim, é constrangedor, mas não pior do que os ponteiros de mouse e os efeitos piscantes que nós encontrávamos no brumaximos e jogávamos em nossos honradíssimos HTML’s.
E "dancer" era meu nick do ICQ, cujo número eu ainda lembro (251244522).
Aí assim, sem que eu saiba explicar o porquê, o endereço se tornou o que pode ser lido hoje na barra de busca. E ele se preservará. Por pura nostalgia e comodismo.
Em segundo lugar, sendo ainda mais franca, fiz este post para mostrar [caso ainda não tenha notado] que este blog tem páginas e que podem ser localizadas no topo do mesmo. Entretenimentos para os intervalos entre as postagens, vê?
O Confessionário: É este velho conhecido sobre o qual não vou discorrer, porque já exponho bastante o meu íntimo aqui.
A Bailarina: Num momento de narcisismo extremo que tive esta semana que acrescentei esta página ao blog. Resolvi falar de mim, na maneira mais nua que consegui me enxergar.
Os prêmios: Houve um tempo em que blogs eram populares, cotidianos e divertidos. Neste tempo, quando o universo blogueiro não se restringia a fashionistas e pseudojornalistas, existiam memes, concursos e tantas outras coisas que mantinham este mundo em movimento. Eu recebi alguns prêmios-memes ao longo destes muitos anos blogando e minha nostalgia me fez ter o ímpeto de dedicar uma página para eles.
O Aprendizado: É o depósito de lições diárias. Porque creio que toda experiência por que se passe carrega em si um ensinamento. E eu absorvo tudo, absolutamente tudo o que me é ensinado. Talvez por querer ser sempre uma pessoa melhor, ou por querer abrandar sofrimentos futuros...
Cada lição aprendida é um comentário que adicionado para ser jamais esquecido.
Mas o legal é que se trada de um espaço aberto para que você [amado leitor] compartilhe também algo que lhe fez refletir e guardar. Somos companheiros virtuais há tantos anos que acho que conhecer-nos melhor seria bem saudável.
Os Favoritos: Listei ali as minhas postagens favoritas desde que o blog foi repensado em 2008 - anterior a isso não tenho registro: um surtei e apaguei todo o histórico antecedente... Coisas da juventude...
É evidente que os textos mais recentes são os melhores. E os mais antigos nem mesmo são bons.
Precisamente por isso estão listados. Foi uma boa forma de acompanhar o desenrolar da minha vida, dos meus dramalhões, dos comentários, da quantidade de comentários, da maturidade dos leitores, da evolução literária, dos interesses... Do caminhar meu e deste blog.
Não sei mais o que escrever ou justificar. Sou acostumada aos meus dramalhões pessoais. Mas discorrer sobre as páginas era uma vontade iminente.
See ya.^^
outubro 29, 2011
Cinco, seis, sete, oito.
Embora ninguém pudesse notar, estava quase prendendo a respiração.
Com a ideia de não tornar aparente que, na verdade, eu estava
verdadeiramente ofegante e esgotada.
Era tanto suor, pela testa, pelo colo, pelos braços. Sentia o pulsar nas bochechas e o peito ressonar. Mas o olhar... este se mantinha distante e deslumbrado. Perdido no meio da alma, quase que olhando o próprio reflexo apaixonado, como se não estivesse se empenhando o máximo que podia para manter vivo.
Os glúteos contraídos. As pernas firmes, duras como calcário. Os braços leves demais. Não pertenciam àquele corpo.
A mente viajava, às vezes. Às vezes regressava à realidade. Às vezes se embalava tão naturalmente à música da vida que não parecia a mesma que se concentrava nos milésimos de segundos que podiam ser contados.
Um último suspiro invisível e senti uma gota de suor escorrer através da nuca. Agora se tratava de flexionar e tencionar as pernas como nunca. Mais rígidas que antes. E o olhar centrado, vívido, apaixonado, estável.
Girar a cabeça depressa. E contar com o impulso dele e suas mãos firmes para me sustentar. E fim.
Era tanto suor, pela testa, pelo colo, pelos braços. Sentia o pulsar nas bochechas e o peito ressonar. Mas o olhar... este se mantinha distante e deslumbrado. Perdido no meio da alma, quase que olhando o próprio reflexo apaixonado, como se não estivesse se empenhando o máximo que podia para manter vivo.
Os glúteos contraídos. As pernas firmes, duras como calcário. Os braços leves demais. Não pertenciam àquele corpo.
A mente viajava, às vezes. Às vezes regressava à realidade. Às vezes se embalava tão naturalmente à música da vida que não parecia a mesma que se concentrava nos milésimos de segundos que podiam ser contados.
Um último suspiro invisível e senti uma gota de suor escorrer através da nuca. Agora se tratava de flexionar e tencionar as pernas como nunca. Mais rígidas que antes. E o olhar centrado, vívido, apaixonado, estável.
Girar a cabeça depressa. E contar com o impulso dele e suas mãos firmes para me sustentar. E fim.
outubro 07, 2010
Relatos de uma madrugada
Silêncio.
E estalar dos dedos, e correr do vento. Contando as horas com ansiedade.
Junto com as pernas balançando rápidas penduradas na cadeira, um medo cheio de vontade de ser vida. Que cresce pesado sob meus ombros e causam um desconforto ensurdecedor de desejo de sair do lugar.
Aí, percorro minhas mãos pelo meu colo e pescoço. Quero esganar-me. Fecho e abro os olhos, mordo os lábios. Mas não adianta, o relógio não corre na velocidade que deveria.
Silêncio.
Mudo e denso e pesado.
E a cada lento e árduo segundo, ainda mais pesado. Mais peso nas costas e dor nas juntas. Essa respiração difícil está atrapalhando meus pensamentos.
Quer me escapar pelos poros, ouvidos e boca essa sensação que não sabe se é angústia ou espera à qualquer custo. Asfixia-me e não sai, só se fortalece, enquanto eu fico aqui esperando o dia voltar a seguir...
Silêncio.
Nada pior que este silêncio.
E nenhum movimento ao meu redor. Debato-me e lanço-me ao chão, débil, estuporada. Mas quando me olho estou ainda na mesma cadeira, olhando para o mesmo monitor, à espera...
Rasgo as roupas sufocantes. Acender e apagar a luz. Grito!
Meus passos, minha respiração, moedas caindo ao chão, piscar dos olhos, noite. E eu só consigo ouvir este silêncio.
Este maldito e ensurdecedor silêncio.
Poesia da Semana:
Por lembrar de um tempo em que havia alma dentro deste corpo.
Dejá Vu
(Pitty)
Nenhuma verdade me machuca
Nenhum motivo me corrói
Até se eu ficar só na vontade, já não dói
Nenhuma doutrina me convence
Nenhuma resposta me satisfaz
Nem mesmo o tédio me surpreende mais
Nenhum motivo me corrói
Até se eu ficar só na vontade, já não dói
Nenhuma doutrina me convence
Nenhuma resposta me satisfaz
Nem mesmo o tédio me surpreende mais
Mas eu sinto que eu tô viva a cada banho de chuva que chega molhando meu corpo nu
Nenhum sofrimento me comove
Nenhum programa me distrai
Eu ouvi promessas e isso não me atrai
E não há razão que me governe
Nenhuma lei prá me guiar
Eu tô exatamente aonde eu queria estar
Nenhum programa me distrai
Eu ouvi promessas e isso não me atrai
E não há razão que me governe
Nenhuma lei prá me guiar
Eu tô exatamente aonde eu queria estar
Mas eu sinto que eu tô viva a cada banho de chuva que chega molhando meu corpo...
A minha alma nem me lembro mais
em que esquina se perdeu
ou em que mundo se enfiou
em que esquina se perdeu
ou em que mundo se enfiou
Mas já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Faz algum tempo...
Já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Já faz algum tempo
Faz algum tempo...
A minha alma nem me lembro mais
Em que esquina se perdeu
ou em que mundo se enfiou
Em que esquina se perdeu
ou em que mundo se enfiou
Mas eu não tenho pressa
Já não tenho pressa
Eu não tenho pressa
Não tenho pressa
Já não tenho pressa
Eu não tenho pressa
Não tenho pressa
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agosto 23, 2008
Estereótipos
My Diary:
Todas as patricinhas usam Melissa.
Todo surfista tem mania de meteorologista e gosta de olhar as estrelas
Todo intelectual gosta de mostrar que é intelectual.
Todo mundo que fuma maconha acredita em duendes.
Todo estereótipo é estereotipado.
Todo artista é liberal.
Todas as mulheres são feministas (pelo menos um pouco, assumam!)
Todo político se corrompe.
Todo surfista é maconheiro (aí se encaixa na questão dos duendes, hehe)
Roqueiro usa All Star.
*New-roqueiro que quer mostrar isso pra todo mundo, principalmente.
Toda moda é manipulação.
Todo emo é pseudo-depressivo.
Toda equação matemática tem contestação.
Todos os pré-vestibulandos dormem pouco.
Guitarrista gosta de Jimi Hendriks
Toda patricinha escuta Fergie.
Todo punk é anarquista (ou finge ser).
Todo mundo generaliza.
Todo mundo condena quem generaliza.
Toda pessoa triste é nostálgica.
Toda bailarina tem amigo gay.
Toda Drag Queen tem pênis (???).
Todo mundo que condena estereótipo, tenta ser diferente.
Será que eu não sou um estereótipo também? (Dãããã)
Mas juro que faço tudo de forma mais natural possível! :)
Bom fim de Semana!
Crônica da Semana:
Triz
(Tati Bernardi)
Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente.
Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo.
Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente.
Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.
Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho.
Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada.
Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: "Ei, não quer conhecer minha casa nova?" Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca.
Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro.
Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto.
O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é.
Todas as patricinhas usam Melissa.
Todo surfista tem mania de meteorologista e gosta de olhar as estrelas
Todo intelectual gosta de mostrar que é intelectual.
Todo mundo que fuma maconha acredita em duendes.
Todo estereótipo é estereotipado.
Todo artista é liberal.
Todas as mulheres são feministas (pelo menos um pouco, assumam!)
Todo político se corrompe.
Todo surfista é maconheiro (aí se encaixa na questão dos duendes, hehe)
Roqueiro usa All Star.
*New-roqueiro que quer mostrar isso pra todo mundo, principalmente.
Toda moda é manipulação.
Todo emo é pseudo-depressivo.
Toda equação matemática tem contestação.
Todos os pré-vestibulandos dormem pouco.
Guitarrista gosta de Jimi Hendriks
Toda patricinha escuta Fergie.
Todo punk é anarquista (ou finge ser).
Todo mundo generaliza.
Todo mundo condena quem generaliza.
Toda pessoa triste é nostálgica.
Toda bailarina tem amigo gay.
Toda Drag Queen tem pênis (???).
Todo mundo que condena estereótipo, tenta ser diferente.
Será que eu não sou um estereótipo também? (Dãããã)
Mas juro que faço tudo de forma mais natural possível! :)
Bom fim de Semana!
Crônica da Semana:
Triz
(Tati Bernardi)
Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente.
Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo.
Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente.
Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.
Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho.
Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada.
Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: "Ei, não quer conhecer minha casa nova?" Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca.
Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro.
Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto.
O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é.
junho 14, 2008
Filosofias
(no Weblogger - o falecido - sábado, 14 de junho de 2008)
My Diary:
Essa vida moribunda e orkutiana, além de nos fazer sentir inúteis e dependentes de internet, faz com que nós paremos para filosofar a cerca de questões absurdas, ou pelo menos, desnecessárias.
Aí me deparo com aquela perguntinha que vem no profile: "Primeiro encontro ideal".
O primeiro fato que me incomoda sobre essa parte da descrição internetiana da nossa vida, é a incapacidade que as pessoas têm de interpretar esta questão.
Oras! O Orkut não está querendo saber se você já teve um encontro ideal, como acaba sendo a resposta de todo mundo. Mas sim, o que você considera ideal como primeiro encontro.
A segunda coisa que me intriga, é como respondê-la. Simplesmente porque a nossa cultura brasileira/atirada/carnavalesca/luxuriosa não faz com que tenhamos muitos "encontros", mas que tenhamos muitas "saídas" onde possivelmente vamos encontrar alguém interessante/bonito para nos levar à lascívia depois de uma hora de conversa (no máximo). Aí, se esses dois se encontrarem de novo, já não será um primeiro encontro. Tampouco terá peso de encontro...
Agora, no caso de REALMENTE haver um encontro, como seria o primeiro encontro ideal?
Afinal... Como algo pode ser ideal?
Como se faz para que algo seja perfeito?
Nesta parte daremos milhares de concepções de perfeição e utopias sobre a vida. Falaremos sobre muitas coisas que desejaríamos e que facilmente poderia se transformar numa novela, ou num livro de Érico Veríssimo.
Mas no fim das contas, quando acharmos aquele encontro que pareceu ideal, que nunca esqueceremos, veremos que nada houve de toda aquela idealização inicial.
Confuso, né?
À meu ver... O ideal é aquele que deixa com vontade de bis...
Bom fim de semana.
Poesia da Semana:
No elevador do filho de Deus
(Elisa Lucinda)
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo, sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo e me torno moribundo de doer daquele corte do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores>
dentro das perdas de coisas antes possuídas, dentro das alegrias havidas
(...)
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo, sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo e me torno moribundo de doer daquele corte do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores>
dentro das perdas de coisas antes possuídas, dentro das alegrias havidas
(...)
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