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fevereiro 04, 2015

Dos sonhos

Notei em mim a capacidade se estar sempre esperando por algo extraordinário que garanta que tudo, no final, vá acontecer direitinho como eu planejei. Eu acho nunca perco a fé naquilo que idealizei, mesmo que as circunstâncias tornem tudo improvável ou mesmo que nada tenha realmente acontecido.

Débil e obsessiva, não deixo minhas expectativas escaparem de mim e não permito que meus sonhos fujam ao meu controle, mesmo que esteja tudo bem, embora do avesso. É como se a felicidade, por si só, não bastasse. O importante é que vida - o sonho -  não pode perder seu rumo.

E eu idealizei um mundo cheio de planos que te incluía. Construí um universo cuidadosamente detalhado e não posso me deixar escapar dele.
Eu não deixo você fugir dos meus sonhos, mesmo estando, todos eles, em pedaços. Me tornei prisioneira da vida que inventei para nós.
Não há mais nada deste mundo inventado que esteja no lugar certo. Foi todo ele revirado, despedaçado. A fragilidade foi exposta e nada sobrou, mas parece que me agarrei aos cacos do amor que um dia tive e às vezes acredito que nada mais pode viver fora das grades dos meus planos frustrados.

Às vezes acho que se eu descobrisse um resquício em você, do sentimento que nunca sentiu, o agarraria e o costuraria aos cacos das memórias espalhadas pelo meu peito.
Eu te amei tanto e você me deixou ir embora.
Amei muito. Muito mesmo. Foi tanto, que as vezes assusta viver num mundo sem você nos planos. E eu acabo me escondendo naqueles dias de vida feliz que pensei que tivemos. E quase até acredito que todo o amor não acabou.

Eu sei que você não faz falta mais e eu sei que nunca realmente fiz falta pra você. Eu sei que as coisas estão melhores agora, mais límpidas. Mas te excluir do meu futuro me causa pavor e me traz muita saudade.

outubro 27, 2014

Ou isto ou?

Eu queria, um dia, alguém que me amasse mesmo com os cabelos despenteados e cheios de nós. Que achasse bonito me ver de chinelos de dedo e a blusa furada que uso quando estou em casa e não notasse que estou sem fazer as unhas há dois meses.
Queria alguém que me achasse importante mesmo eu sendo assim, tão desimportante. Que me achasse grande apesar da minha pequeninez e que achasse que eu falo grandes coisas quando eu só estou repetindo o que aprendi naquele dia.
Seria bom, uma vez, que no lugar das moças bem vestidas de cabelos bem tingidos e alisados e corpos de academia, alguém preferisse minhas espinhas mal cobertas pela base, meus óculos, minhas celulites e minha curiosidade insaciável. Que alguém preferisse meus carinhos ao invés do status que minha aparência não pode dar.
Do status que minha situação sócio-econômica não pode dar. Nem minha família simples e desconhecida pode dar.
Eu queria mesmo que alguém achasse legal eu ser tão do avesso, na cara, nas ideias, e na ausência delas. Mesmo que isso cause estranhamento e cara de azedo em outrem.
Estranhamentos fazem parte, não é mesmo?
Seria legal alguém que achasse legal eu ter um blog de lamentações no lugar de ter um Instagram badalado. Repleto de pés, praias e festas em Low-Fi.
Queria mesmo é que alguém achasse tão bonito estar perto de mim, que escolhesse estar perto de mim sempre.
Mesmo eu sendo assim, meio torta, meio feia. Um tanto fora dos padrões.

agosto 15, 2011

Do veneno ingerido


Com as minhas mãos já muito calejadas e a palma aberta para o ar eu vou assistindo você se afastar aos poucos. Ou eu mesma me afastar. Ou nós dois.
Nessa hora é que eu começo a tomar consciência da escolha tomada e desejo que o movimento das minhas mãos traga você correndo para os meus braços e afago, porque no segundo que o incidente se deu, também deu em mim a certeza de que tudo está errado.
Mas não volto atrás, porque já tenho o corpo muito envenenado.
Aproveito o movimento das minhas mãos frente ao meu rosto para disfarçar as minhas lágrimas.

Adeus.



Poesia
(Do diálogo do fim da nossa vida)

Santa Chuva
(Marcelo Camelo)

Vai chover de novo, deu na TV
Que o povo já se cansou de tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui que reze ajuda de Deus
Mas nada pode fazer se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá que ta me dando uma vontade de chorar
Não faz assim, não vá pra lá
Meu coração vai se entregar à tempestade

Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?

Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem!

A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?

Que santo vai brigar por você?

Que povo aprova o que você fez?

Devolve aquela minha TV que eu vou de vez

Não há porque chorar por um amor que já morreu 

Deixa pra lá, eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade

julho 22, 2011

"É quando a gente sabe muito bem o que quer, mas acha que devia querer outra coisa"


Todo dia ela acorda disposta a não errar mais o caminho para casa. Acorda sabendo para onde ir, estuda todo o roteiro antes de partir e vai finalmente trilhar o caminho certo. O caminho que ela sabe que é certo. Que lhe disseram ser certo. O certo... Mas nunca o caminho que ela quer seguir.

Infla o peito e segue, com certeza e dor. Ao longo do caminho vai deixando as migalhas da sua coragem para alimentar os pássaros. Quando acabam, ela deixa seu próprio amor. E quanto mais caminha, mais se se perde numa trilha que se tranforma num fio de cabelo castanho. E se torna uma artista de circo, a malabarista tão maquiada se equilibrando na corda bamba dos seus cabelos.
Distrai-se. Entranha-se nestas ondas incertas e quanto mais caminha mais errada vai ficando e também mais distante da salvação de que tanto precisa. Uma salvação triste e indesejada, que arde os olhos como cal soprada.

Até o fim da linha ela já se esqueceu de todo o mapa e perdeu todo o seu planejamento. Está longe de casa mais uma vez.
Atrás, só as migalhas que deixou, marcando o caminho de volta para lugar nenhum. Agora não tem mais dor, ou coragem, ou amor, ou sentimento qualquer.

Volta o corpo e começa a catar as partes que deixou. De coragem e certeza. O coração deixa. Ela não precisa mais.


Texto:

Os Sentimentos 
(Mário Prata)

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue;
Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo;
Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego;
Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento;
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa;
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára;
Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista;
Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora;
Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja;
Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogaçãono final do sentimento;
Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes;
Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração;
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma;
Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros;
Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia;
Lucidez é um acesso de loucura ao contrário;
Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato;
Sentimento é a linguagem que o coração usa quando precisa mandar algum recado;
Vontade é um desejo que cisma que você é casa dela;
Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra;
Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado...
Amor é um exagero...
Também não.
Um dilúvio , um mundaréu, uma ansiedade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?
Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tem explicação, esse negócio de amor não sei explicar.
Sentir é simplesmente estar vivo......viva!!!

fevereiro 10, 2011

Sentítulo

E sei que não sou tão clara quando a poeira presa na minha janela, às vezes invísivel dependendo dos raios de sol que nela incidem, porque as barreiras entre meus cérebro e o mundo são espessas e resistentes demais, quase como concreto. É o forte que me livra dos ataques invasores. Nada sai assim como ninguém é capaz de entrar, e de lá pode-se prever os movimentos hostis.
Às vezes há uma quase fuga de emoções, um quase segundo que sou fácil de compreender e um quase triz de dizer tudo o que sempre quero, mas que neste quase, tudo fica, graças às minhas barreiras (aquelas tão espessas quanto concreto). Há sempre um triz de quase (mais) fragilidade que não se concretiza mas que deixa seu cheiro no ar. Enfim, não sou clara.
Mas sou tão transparente que minha sinceridade chega perto do óbvio. Está no meu entorno, exibindo-se numa áurea, como um cartaz no meu pescoço que diz: confie em mim.
Não é honestidade demais, é só a honestidade necessária para que eu seja tola o suficiente de crer existir mais alguém assim e sentir um soco na boca do estômago sempre que descubro que me enganei.
E pelas minhas barreiras - ou pela falta momentânea de ar que o punho me causa - meu grito fica: aqui.
Tão silencioso que nem os vizinhos podem ouvir. Eu quase não o escuto.
Me encontro com os olhos arregalados, sangue na boca e muita dor. Mas nenhuma voz.



Poesia:

Árvores in Rios da alegria
(Roseanna Murray)

Se pudéssemos plantar palavras,
como se planta uma árvore,
tantos frutos invisíveis
contido sem seu silêncio,
tanta sombra ao meio-dia
em seu futuro,
palavras simples e quentes,
amor, pão, mel, encontro,
as sementes seriam aladas,
e o vento varreria o jardim,
então, pouco a pouco,
atravessando montanhas,
mares, cidades,
a paz cobriria o mundo

agosto 06, 2010

Sobre verdades e dores


Eu estou com um vazio se dissipando dentro de mim, me enchendo de nada. Perdi o solo e o rumo. A cor e o rubor da minha pele ao fechar os olhos e sentir o último adeus. O fim. No fim, no final de tudo, não é o fim que machuca. De forma alguma, o que dói é não ter visto quando o fim chegou. Quando foi que a vida desandou. E desde quando há todo este engano.
No fim... Este fim que para mim não chega tamanho o amor e posso guardar. Tanto me que escapa pelos dedos, pelos pêlos, pelos poros, consome-me. Escapa-me pelos olhos.
Mas como disse, não dói perder-te. Dói é não ter sabido quando te perdi, e ter acreditado em meias verdades durante um tempo excessivamente longo e bom. Eu posso perder-te, claro que posso. Tudo posso para manter seu sorriso aberto, porque meu amor precisa ver fluidez e leveza na sua vida. Meu amor é pra você, e não para mim. Não para a minha felicidade.
Dói de verdade, numa intensidade que eu jamais poderia descrever - ou compreender - é saber que dói só em mim, que pesa só em mim, que só eu percebo a dor dessa ausência. Que você sequer notou que estou definhando, porque aparentemente - e só eu  não tinha visto - já não havia eu em você, e em nada teu.
Mas em mim... Está todo você em mim, e neste maldito e fiel amor, que nunca acaba, e que te assiste de longe. Que abriu mão de você para te ter para sempre. Só para poder ver, mais uma vez, que fez tudo o que pode, com o esforço maior que o corpo pode ter. Que por você deu tudo o que tinha para que só para te garantir felicidade eterna.
No final, sou sempre eu que te ponho no colo e seco o seu suor.
Mas quando foi que o fim chegou? Quando foi que você parou de percerberque não há mais sopro vida em mim, porque todo ele eu te entreguei, sem pensar duas vezes?
Quando foi, me responda qualquer um, eu eu perdi meu alicerce?
Enxergue que jamais alguém desfaz suas escolhas e abandona a própria vontade. Que ninguém no mundo ama pelo outro, mas ama por si, para seu gozo. Mas eu...
Mesmo você não soube isso. E você não me mostrou quando parou de existir o nosso plural. Antes me tivesse feito ver. Magoa muito ter acreditado numa solidez inexistente e não ter visto esse singular na minha - nossa -  história.
Mesmo assim no fim, está lá o meu amor. Fiel e infinito. Guiando-te, guardando-te, sempre à espera. Sempre pronto como a sua webcam.


Você sabe que eu gosto de ter letras e lágrimas enquanto as escrevo. Mas nunca isso foi resultado de um nada que faz até eco dentro de mim. Mesmo assim, não reluto. Adeus.



Poesia da Semana:

Soneto de Fidelidade
(Vinicius de Moraes) (dããã)

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

outubro 06, 2009

Então...

My Diary:

Não é desinteresse [a respeito do blog]. Vontade eu tenho [ainda a respeito do blog]. Mas falta tempo, inspiração e compreensão do mundo além do eu. Porque meu eu eu sei de cor, conheço e aprecio muito. Mesmo parecendo egocêntrico.
Eu sempre soube que buracos podem ser preenchidos, e de forma muito eficaz e satisfatória. Eu não sei é durante quanto tempo ele permanecerá preenchido ou suportando a grande carga que o vazio exerce sobre ele. E se isso é o suficiente.
Na verdade verdadeira, eu queria saber por que os buracos se abrem.
Eu queria saber tantas coisas e tantas coisas me perturbam que, por hora, pretendo – e tento – só não pensar nelas, ou não as perceber.
Por hora eu fico feliz de saber que eu sei quem eu sou e que sempre soube. E que sempre soube que eu gosto de ser o que eu sempre soube que sou. Mesmo com um pequeno defeitinho.



Crônica da Semana:
(Tati Bernardi porque eu a adoro, porque não tenho criatividade e porque está é fantástica e autoexplicativa.)

Berro em pé
(Tati Bernardi)

Férias antes dos doze anos era coisa de criança, poderia ser incrível ou um fiasco, a depender da programação dos pais, do tempo, das brincadeiras propostas, dos velhos amigos do prédio ou dos novos da praia, fazenda ou o que fosse.
Férias aos doze não dependia mais de pai e mãe e muito menos do tempo lá fora. Eu já tinha um projeto de seio (dois, no caso) e minha saliva tinha engrossado justamente porque eu não comia mais só o que era molhado e mastigado pelos cuidados de quem cuida. O mundo seco me martelava e incendiava o tempo todo e haja liquido próprio pra continuar viva. Foi assim que na última aula do último dia útil do mês de junho, minutos antes do sinal que separava uma classe de setenta e dois alunos das primeiras férias adultas de suas vidas, chegou pra mim um bilhetinho que dizia “quando tocar o sinal é pra berrar e ficar de pé”. Eu olhei para trás e uma infinidade de garotos topetudos e garotas com brincos gigantes rasgando suas orelhas confirmaram o combinado com bochechas rosadas e olhos safados. Eu finalmente era um deles e combinei comigo que gritaria o mais alto que pudesse, pularia o mais alto que pudesse e ainda esmurraria o topo do céu o mais forte possível, como fazem os que vencem alguma coisa depois de muitos anos de sofrimento, semi desistências e vômitos de madrugada.
Faltavam quatro minutos e eu olhava pra trás, agradecida até não poder mais por ter sido chamada a pertencer. Eu, aos doze anos, prestes a devorar a vida como se doze anos fosse ser muito velha e muito terminal e muito tanto que não pudesse ser mais nada, não estava tão sozinha assim no mundo, eu tinha enfim amigos que berrariam comigo, de pé, a chegada de alguma coisa que eu não sabia bem o que era mas que tinha a ver com meus peitos pequenos e meu coração batendo com arritmia de valsa bem no meio das minhas pernas.
“Crescer não precisava doer tanto”, eu lembro que pensei ao sentir, pela primeira vez, que cada canto do mundo podia trazer o perfume da minha mãe. Ainda que o cheiro desse perfume de mãe não fosse o da minha. Crescer pode ser gritar quando não se aguenta e pode ser pular quando não se aguenta e pode ser com amigos já que, enfim, é de não se aguentar mesmo. Eu só perderia a virgindade dez anos depois daquele dia, eu só beijaria na boca dois anos depois daquele dia, eu só me masturbaria pela primeira vez três anos depois daquele dia. Mas aquele dia, lembro bem, eu coloquei meu cabelo atrás da orelha e senti, com o tom da voz mental menos infantil, que a vida podia vir que eu tava pronta e a mataria no peito. Eu não teria dor de barriga. Que venham as férias.
E foi então que o sinal soou e eu berrei, de pé, com os braços muito esticados para o alto. Completamente sozinha. Seguida por caretas, dedos apontados e pelos sons de risos descontrolados, palmas e uivos de todo mundo.
Essa é minha última lembrança antes de me sentir envelhecendo. Como uma criança que comemora sozinha. Como uma louca que não aguenta isso tudo que é tão bom e terrível e não disfarça mandando bilhete anônimo e nem se escondendo em grupos de risos e chacotas. E assim se seguiram todos os meus dias, até aqui. É sempre pra essa cena que volto, quando tenho a impressão muito convincente de que sinto os sinais que tocam com muito mais dor e grito e alegria que as pessoas que ficam na espreita dos que ansiosamente não suportam muito não ser puros.
Na hora eu quis morrer de vergonha, ódio e medo, mas hoje eu vejo que desde o começo eu sabia da maldade mas preferi, como troca justa com o que minha história ainda tinha pra me contar, dar uma chance, até o fim, para que o mundo pudesse me amar do tamanho que a gente ama o mundo aos doze anos.

dezembro 31, 2008

Cai o pano mais uma vez

My Diary:

É o último dia do ano e eu imaginei que teria mais palavras para o dia de hoje.
Mas está bom assim. Significa que não tenho nada me atormentando neste momento.
Está bom, porque vou poder virar o ano descansada emocionalmente.
Não sou supersticiosa, nem tenho um lado espiritual expressivo que me faça pensar que eu devo ter pensamentos positivos e pular (não sei quantas) ondas. Mas eu, de verdade, queria ter alguém para fazer tudo isso comigo hoje.
Porque em meio a tanto caos emocional que me ocorreu este ano, terminarei ele só.
Mas sinceramente, o que me faz falta agora - e vai fazer mais falta ainda mais tarde - não é um companheiro.
Vai ser o anjo que me acompanhou durante muitos anos da minha vida e que, invariavelmente, lembrarei dele a cada Réveillon que viverei.
E acho que este meu anjo sabe que festejar isso sem ele, nunca será a mesma coisa.
Este rosto é uma das lembranças mais lindas que eu posso ter na minha vida. E comemorar a virada vendo o sorriso mais sincero que existiu, era a coisa mais linda e gratificante que o ano poderia ter.
Ai mundo.
Eu quero é um amigo comigo hoje. Pra me fazer esquecer das coisas deste mundo cão.
Para me abraçar e me fazer sorrir com espontaneidade tamanha, que seja estranha até mesmo para mim.
Quero estar repleta de gente animada...
Ah! Eu quero sim.
Ai mundo.
O meu anjo não está aqui.
Uma pena isso eu não poder mudar.
O que eu quero de verdade, é que o ano que vem seja muito melhor do que o ano que se arrastou por 2008.
Emocionalmente tão movimentando, que me impediu de percebê-lo. Quando eu vi, já era o fim.
Eu nem senti o ano chegar.
Quero que o ano que vem seja infinitamente melhor. Porque só existir cansou. Eu quero viver.

Quando eu pulei ondas desejando passar no vestibular funcionou. De repente eu tento superstições de fim de ano mais uma vez.



Cônica da Semana:

Dúvidas sobre o Réveillon
(Henrique Szklo)

Por que nesta época do ano todo mundo diz pra você ter boas entradas e depois dá uma risadinha nojenta?

Médico também passa o Réveillon de branco?

Por que Réveillon se escreve Réveillon?

Como é que as pessoas fazem para pular as sete ondinhas no Havaí?

A gente deve comemorar no horário normal ou no horário de verão?

Papai Noel comemora o ano novo?

Por que não escrevemos reveiôm?

Por que os australianos estão sempre comemorando o ano novo antes de todo mundo?

Na região francesa de Champagne você pode comemorar o Réveillon com cidra?

Meia-noite em ponto é o final do ano velho ou começo do novo?

Passar o Réveillon fazendo sexo é garantia de boas entradas?

Os canhotos precisam começar o ano com o pé direito ou com o esquerdo?

Bombeiros também soltam fogos?

Os negócios só vão começar a melhorar depois do carnaval ou no segundo semestre?

Por que no dia 2 de janeiro todas as nossas esperanças já foram por água abaixo?

O que Iemanjá faz com tanta flor?

Dá azar pular as ondas no mar morto?

O Réveillon em Hollywood tem fogos de verdade ou são efeitos especiais?

Quem passa o final de ano completamente bêbado entra com o pé direito na jaca?

Se nos anos anteriores os adivinhos erraram quase todas as previsões, por que é que fazem tudo de novo?

Se todo ano é a mesma merda, por que a gente acredita que este agora vai ser legal?

Se a gente não desejar nada na virada do ano não vai acontecer nada com a gente nos 365 dias seguintes?

Quem está dentro de um avião na passagem de ano pode soltar fogos?

Se no Réveillon a pessoa estiver num parque aquático e pular sete ondinhas artificiais, os seus desejos não serão atendidos?

Desejar que uma pessoa que não tem o pé direito come&çar o ano com o pé direito é um cumprimento ou uma ofensa?

Começar o ano fazendo piadas de mau gosto é um mau agouro?

novembro 07, 2008

Poesia Repetida (Perdoem-me)

My Diary:

Apesar de todo o meu ceticismo, tenho que acabar aceitando muitas coisas.
Aceito agora que alguma lei rege o universo. Que muitos chamam de acaso. Outros de destino.
Eu não chamaria de nada, porque meu ceticismo não me deixiaa acreditar na sua existência. Mas está difícil me manter cética.
O que mais me dói, é aceitar que algo sempre vai dar errado.
Em todos os meus planos. E confesso pra mim mesma agora, que, na verdade, muitas coisas dão errado nos meus planos.
E eu só venho perdendo.
E tenho perdido pecinhas importantes do quebra cabeça da minha vida.
Que antes era Monet.
Agora...
Dá raiva ter de me ajoelhar ao universo e aceitar suas regras. E não poder brigar contra elas.
Saber que as peças que eu perdi são irrecuperáveis.
E aceitar que eu estou sujeita a perder mais e mais partes da minha vida.
E tentando adaptar minha vida a tantas perdas, o Monet está virando Picasso...



Poesia da Semana:

Lágrimas
(Camila Quevedo)

E no auge da minha dor
revelo meu segredo
num mero pedaço de papel
já que eu, de tão medíocre
não poderia divulgar meu afeto.
E sentimento tão puro,
sem luxo, tão pobre
e carente de qualquer valor,
simples e só
não precisa ser posto aos olhos
da criatura de minha inspiração
a quem não valeria o conhecer...
E quando as palavras escritas são
a única forma de deixar meu manifesto,
mostro o meu amor
mudo e escondido,
para que ao menos este papel
possa compartilhar as minhas
lágrimas.

outubro 11, 2008

Frustração

My Diary:

Eu me acostumo.
Já me acostumei a tanta coisa, que mais uma não será de fato problema.
Problema seria não desistir na hora certa. Como não é o caso: não há problema. Estou condicionada a me acostumar desde que nasci.
Tinha só nove meses e tive que me acostumar com uma mudança radical de meio, forma de alimentação e de vida.
Por que em tantos anos depois, se acostumar seria tão difícil?
Eu me acostumo.
Também não quer dizer que seja o que eu quero.



Crônica da Semana:

Eu sei, mas não devia
(Marina Colasanti)

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

agosto 16, 2008

Lavadeira

My Diary:

Como será a vida de um corpo celeste? Por exemplo... Um satélite natural?
Pensemos no nosso único satélite natural: Nossa Lua.
Bela, incomparável, gigante e linda.
Maravilhoso contemplá-la, e, invariavelmente, alguém já a contemplou, se encantou e torna a fazê-lo alguma outra vez.
Apesar de não tomar conta da noite sozinha, é quem tem o brilho mais intenso. E quem mais chama atenção - provavelmente porque é a mais alcançável.
Sempre imagino que se a Lua fosse um ser animado (e sabe que eu não duvido disso?), talvez ela adorasse toda essa paixão.
Mas tenho parado para pensar... Entre nossos principais corpos celestes (Sol e Lua), ela é a desnecessária. Todos podem sobreviver sem ela; é esquecida quando vem o dia; apagada pela luz; e todo mundo sempre a faz lembrar de que ela não tem brilho próprio.
Se torna algo apenas de contemplação momentânea. E momentânea mesmo, porque nem sempre as pessoas lembram dela.
Só quando não tem mais nada com maior brilho para ocupar sua mente.
Aí lembram da Lua.
De repende, ela começa a detestar essa contemplação.
Ninguém gosta de ser prazer momentâneo. Ocupação para o tempo ocioso.



Posia da Semana:

Eu tô que tô (Trecho)
(Kleiton e Kledir)

(...)

Vem cá minha compoteira
Balança essa pasmaceira
Me bate com a cabideira
Me chama de lavadeira...

Não grita, não dá bandeira
Periga marcar bobeira
Quebrei o pé da cadeira
Cuidado com a cristaleira...

Segura, me deu gagueira
Eu juro que é verdadeira
Disfarça e chama a enfermeira
Tá dando uma tremedeira
Mamãe, viva o Zé Pereira!
Cadê meu advogado?...

Eu Tô Que tô! Eu Tô Que Tô!
Eu Tô Que tô! Eu Tô Que Tô!

La luz a la media boca
Besame mucho loca
Não, isso não
Me dá coceira...

(...)