fevereiro 10, 2011

Sentítulo

E sei que não sou tão clara quando a poeira presa na minha janela, às vezes invísivel dependendo dos raios de sol que nela incidem, porque as barreiras entre meus cérebro e o mundo são espessas e resistentes demais, quase como concreto. É o forte que me livra dos ataques invasores. Nada sai assim como ninguém é capaz de entrar, e de lá pode-se prever os movimentos hostis.
Às vezes há uma quase fuga de emoções, um quase segundo que sou fácil de compreender e um quase triz de dizer tudo o que sempre quero, mas que neste quase, tudo fica, graças às minhas barreiras (aquelas tão espessas quanto concreto). Há sempre um triz de quase (mais) fragilidade que não se concretiza mas que deixa seu cheiro no ar. Enfim, não sou clara.
Mas sou tão transparente que minha sinceridade chega perto do óbvio. Está no meu entorno, exibindo-se numa áurea, como um cartaz no meu pescoço que diz: confie em mim.
Não é honestidade demais, é só a honestidade necessária para que eu seja tola o suficiente de crer existir mais alguém assim e sentir um soco na boca do estômago sempre que descubro que me enganei.
E pelas minhas barreiras - ou pela falta momentânea de ar que o punho me causa - meu grito fica: aqui.
Tão silencioso que nem os vizinhos podem ouvir. Eu quase não o escuto.
Me encontro com os olhos arregalados, sangue na boca e muita dor. Mas nenhuma voz.



Poesia:

Árvores in Rios da alegria
(Roseanna Murray)

Se pudéssemos plantar palavras,
como se planta uma árvore,
tantos frutos invisíveis
contido sem seu silêncio,
tanta sombra ao meio-dia
em seu futuro,
palavras simples e quentes,
amor, pão, mel, encontro,
as sementes seriam aladas,
e o vento varreria o jardim,
então, pouco a pouco,
atravessando montanhas,
mares, cidades,
a paz cobriria o mundo

Um comentário:

Dancer disse...

Eu espero sinceramente, que me perdoem a falta de palavras. Escrever é um estudo constante e um hábito ao qual perdi. Acharei minha escrita em algum lugar e me tornarei produtiva (ou capaz de produzir algo legível) em breve.
Por enquanto, só pedidos de desculpa.