Mostrando postagens com marcador Caio Fernando Abreu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Caio Fernando Abreu. Mostrar todas as postagens

abril 24, 2012

Foi

A verdade é que você foi feito para passar. Não para ficar aqui. E eu me iludo achando que vale a pena manter-te por perto, mas você foi criado para soprar ensinamentos no meu rosto e ir embora junto do vento. Só para eu aprender a ser mais forte, mais certa e mais eu. Porque não fosse você, seria ainda muito menina, com dúvidas sobre a vida e medo de caminhar.
Ainda bem que você veio, mas espero ansiosamente que você passe logo e me deixe seguir. Insistir em você seria como me algemar à palmatória. Autoflagelação.
Quase autopiedosa. Como quem procura um motivo para sofrer e poder lamentar a vida.
Não vale a pena guardar-te porque ficam escassas as razões pelas quais te trouxe aqui e se acentuam as razões pelas quais te quis fora. Você foi feito para passar. Para que eu enxergasse o que vale e o que não vale nada.



Texto:

Não consegui, sob hipótese alguma, descobrir a quem esta carta foi endereçada, nem qual a sua versão original. Vejam bem, a internet é um lugar confuso onde tudo está sujeito a plágio e alteração.


Trecho de carta
(Caio F. Abreu)

"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo. Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim."

setembro 12, 2011

Aí então...


Aí que eu vou saindo de você. Aos poucos. Às vezes. E outras vezes, muito depressa. E você vai notando que não sou mais que uma boa brisa perto dos espetáculos que estava acostumado a viver. E agora você vê, são sempre mais fortes que minhas melodias. Então eu fico só na lembrança de uma época pouco distante. Mas boa. Reconhecemos. Aí que daqui a pouco, já não tenho nenhuma parte dentro de ti, e nem espaço para forçar minha presença. Aí que meu corpo não passa de uma lembrança distante. E meu nome se torna só mais um nome. Então não causo mais nenhum furor. Ou qualquer emoção. Aí que vou deixando de ser lembrança. Aí que descubro que fui vida, fui sopro, fui frio. Fui. Já nem existo mais. Aí que descubro que tudo passa.



Poesia


(Caio Fernando Abreu)

Te desejo uma fé enorme.
Em qualquer coisa, não importa o quê.
Desejo esperanças novinhas em folha, todos os dias.
Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo.
Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso.
Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes.
Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito.
Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria.
Tomara que apesar dos apesares todos, a gente continue tendo valentia suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.
As coisas vão dar certo.
Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Te quero ver feliz, te quero ver sem melancolia nenhuma.
Certo, muitas ilusões dançaram.
Mas eu me recuso a descrer absolutamente de tudo, eu faço força para manter algumas esperanças acesas, como velas.
Que 2011 seja doce. Repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante.
Que seja bom o que vier, pra você.